HP7TRC13GRKO.jpg

Por Acauan

As agremiações religiosas que adotam o fundamentalismo bíblico costumam defender as seguintes premissas:

1. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus
2. A Bíblia é isenta de erros em tudo que afirma;
3. A Bíblia contém toda informação necessária para a vida do crente;
4. Os crentes devem ter a Bíblia como sua única regra de fé e prática;
5. A Bíblia deve ser interpretada literalmente, sempre que possível.

Uma primeira contradição vem do conflito entre a quinta e a terceira premissa.
A Bíblia não descreve um método pelo qual possa ser interpretada.
Admitido a interpretação como necessária, dado que mesmo os fundamentalistas reconhecem que não é possível entender literalmente determinadas passagens, então temos uma informação necessária à vida do crente que não consta da Bíblia.

Outro conflito se dá entre a primeira premissa, de que toda a Bíblia foi inspirada por Deus, com a terceira, uma vez que não constam da Bíblia uma relação de quais seriam os livros inspirados ou um método para diferenciar um livro divinamente inspirado de outro que não o é.
O Cânone bíblico foi definido segundo metodologias humanas, não divinamente inspiradas e, portanto, passíveis de erro.
Assim, não apenas falta à Bíblia informação que defina a si própria, contradizendo a premissa terceira, da suficiência, como não se pode aferir a inspiração divina de livros selecionados e interpretados por metodologias humanas falíveis.

No caso da quarta premissa temos uma autocontradição, uma vez que se os crentes devem ter a Bíblia como sua única regra de fé e prática, esta regra deveria constar da Bíblia e não consta.
Um versículo frequentemente citado por fundamentalistas como se fosse a tal regra é II Timóteo 3: 16:
Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;

Fica claro que tal citação não atende ao objetivo pretendido, dada a óbvia diferença entre declarar determinado texto inspirado como proveitoso e dizer que o mesmo texto deve ser única regra de fé e prática.

A quarta premissa também gera uma contradição teológica, uma vez que o fundamento do cristianismo é a vida de Jesus de Nazaré, logo, tudo que diga respeito àquela vida fundamenta o cristianismo – necessariamente –, esteja relatado na Bíblia ou não. Na hierarquia teológica cristã é a vida do Cristo que dá autoridade aos Evangelhos e não o contrário.
Em qualquer situação, a história de vida do biografado define a biografia e não o inverso.

Por fim, a segunda premissa, que declara a inerrância bíblica, confronta a terceira e quarta, dado que em nenhum trecho a Bíblia se declara isenta de erros em tudo que afirma.

É comum fundamentalistas defenderem que inspirado implica em inerrante, mas esta é uma interpretação e não uma citação bíblica.

Publicado orignalmente em 14 Abr 2009, 14:10