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Não desanime, a eleição holandesa era mesmo complicada

Hoje em dia é fácil identificar o momento EXATO em que uma narrativa é criada. Logo após a divulgação de pesquisas de boca de urna na Holanda, já era possível ver uma frase sendo ecoada, com a sincronia de sempre, por jornalistas/ideólogos de Europa, EUA e Brasil: “A Holanda freou o crescimento da extrema-direita na Europa”.

Depois do Brexit e de Trump, a Holanda é o primeiro país desenvolvido de relevância (desculpa, Áustria) a recusar a saída à direita para a crise sócio-cultural que vem engolindo o ocidente, um sopro de alívio para Juncker e outros líderes europeus e um fio de esperança para o seu projeto pan-europeu de poder. Mas o resultado não foi nenhuma grande surpresa, o caminho de Geert Wilders ao posto de premiê já era apertadíssimo mesmo antes do primeiro voto ser computado.

O parlamento holandês possui 150 cadeiras, com o partido de maioria tradicionalmente liderando uma coalizão que complete uma maioria simples de 75 membros. O problema é que a maioria dos grandes partidos já havia expressado o desejo de não formar coalizão com o PVV de Wilders, o que poderia deixar o país sem governo por um longo tempo. Mesmo que liderasse no número de assentos, e pesquisas no máximo mostraram o PVV ganhando cerca de 31 parlamentares, número que o VVD de Mark Rutte conseguiu, Wilders precisaria demonstrar uma habilidade de unificação e negociação extraordinária para conseguir fechar uma coalizão.



Em suma, era uma corrida furada desde o início. É preciso, no entanto, acender o sinal amarelo daqui pra frente. O pleito holandês é só mais um exemplo de movimentos populistas de direita perdendo força na reta final de uma eleição na Europa e Le Pen precisa se cuidar para não ter o mesmo destino na França, em abril. Em 2012, a candidata do Front National chegou a liderar as pesquisas para o 1º turno, mas terminou em 3º lugar, vendo o então presidente Nicolas Sarkozy e o atual mandatário François Hollande avançarem para o 2º turno. As perspectivas de Marine no confronto direto com Macron são sombrias, sim, mas o avanço do partido ao 2º turno da eleição presidencial é determinante para o futuro de movimentos similares no continente – e para dar forças a FN nas eleições parlamentares, que ocorrem no segundo semestre.

O crescimento da população muçulmana na Europa só tende a aumentar e com ela o choque cultural que vem abalando o continente se intensificará. É inevitável uma mudança de rumo, seja ela causada pelos atuais líderes ou por candidatos tidos como “extrema-direita”. Não tenha dúvida, a Europa irá tentar reverter o seu destino, seja com Wilders, Marine Le Pen e cia ou com uma nova geração de líderes.

O único perigo é a reação vir tarde demais.

http://lolygon.moe/2017/03/nao-desanime-a-eleicao-holandesa-era-mesmo-complicada/
  “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]

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