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O Politicamente Correto Ditando Regras Para a Arte.

Roy Thomas, um dos criadores do Iron Fist, super-herói da Marvel que acabou de ganhar uma série homônima na Netflix, soltou o verbo numa entrevista para o site Inverse sobre os gritos de “whitewashing” envolvendo o seu personagem, criado em 1974. Ele admite que o personagem é fruto de outra época, mas que não tem vergonha da sua criação.

“Ele era um personagem para uma revista em quadrinhos de outra época. É muito fácil analisar tudo posteriormente. Você pode falar sobre Tarzan, você pode dizer que todo personagem de antigamente não é considerado politicamente correto pelos padrões de hoje. Okay, você pode então fazer ajustes. Se eles quisessem matar o Iron Fist e substitui-lo por um que não é caucasiano, isso não me incomodaria, mas eu também não tenho vergonha por ter feito um que é. Ele não foi feito pra representar nenhuma raça, ele é só um homem doutrinado para fazer certa coisa.”

O personagem Iron Fist é um praticante de artes marciais, cuja estética envolve termos e técnicas asiáticas. Logicamente, para a galerinha, o fato de seu alter ego se chamar Danny Rand e ser branco é ‘problemático’ (inclusive, por pouco a Marvel não escalou um ator asiático para o papel por causa disso). Sobre os justiceiros sociais que vociferam indignação com tudo, o roteirista demonstrou impaciência:

“Eu tento não pensar muito sobre isso. Eu tenho pouquíssima paciência pros sentimentos de certas pessoas. Quer dizer, eu entendo de onde isso vem. Você sabe, ‘apropriação cultural’, meu Deus. É só uma história de aventura. Esse povo não tem nada melhor pra fazer a não ser se preocuparem com o fato do Iron Fist não ser ‘oriental’ ou seja lá qual é a palavra? Eu sei que oriental não é a palavra do momento.”

E deixou um conselho:

“Eles possuem uma capacidade infinita para ficarem indignados moralmente. E, no geral, isso tende a ser canalizado da forma errada, por que se você fica chateado com coisas que são só histórias, e não gosta delas, ao invés de querer mudar o trabalho dos outros, vá lá e crie o seu próprio personagem e faça um bom trabalho. Tudo bem. Mas por que perder tempo tentando manchar os personagens de outra pessoa só por que eles não foram baseados nos seus padrões?”

A fala de Roy explicita a reação de criadores, principalmente os mais velhos, acostumados a não terem de lidar com a pressão ideológica do politicamente correto, quando terceiros chegam querendo ditar as regras da sua arte. E demonstra os desafios que envolvem o processo criativo nos dias de hoje, onde a vontade do criador pode ser derrubada devido ao medo da empresa de confrontar os indignados profissionais.

http://lolygon.moe/2017/03/co-criador-de-iron-fist-manda-a-real-sobre-polemica-de-whitewashing/
  “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]

Comentários

  • Não dá para repor aqui aquele caso da Marvel que, em nome do politicamente correto, fez Thor, o Deus do Trovão, virar mulher, ou seja agora é a Deusa da Trovoada...
  • PercivalPercival Member
    editado March 23
    Botânico escreveu: »
    Não dá para repor aqui aquele caso da Marvel que, em nome do politicamente correto, fez Thor, o Deus do Trovão, virar mulher, ou seja agora é a Deusa da Trovoada...

    E tomou no rabo @Botânico tanto que esse ano estão tentando reverter o quadro de prejuízo que tomaram em 2016.

    Depois de tantos personagens panfletagem de minorias, agora eles tão vendo que não dá certo. Não é porque o público é machista/racista/homofóbico. É porque as histórias eram ruins: eram panfletagem da cartilha dos justiceiros sociais.

    O irônico é que: onde estavam essas pessoas que reclamavam que queriam um Thor mulher e um Homem de Gelo Gay na hora que essas publicações foram lançadas? Não deram um tostão.

    É muito fácil chegar e reclamar de uma indústria que cria um tipo de história pra um público, exigir que mude pela vontade de uma minoria e eu não consumir.

    Como bem explica esse link:
    http://contraditorium.com/2017/02/10/militar-e-preciso-mas-tirar-escorpiao-bolso-tambem-ajuda-floquinho/



    É esse câncer em todas as mídias.

      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • Tiveram de aprender da pior maneira. Queriam uma Thor mulher? Fácil, pegassem a Hilde, a filha da caçula do bolão, e fizessem dela uma deusa da trovoada. Nos tempos em que li gibis da Marvel, essa menina era a líder dos seus irmãos. Já tinham meio caminho andado. Só faltava fazê-la crescer um pouco e aí o Odin fazer mais uma deusa para controlar a chuva. A bem da verdade não sei se esse Thor mulher foi o mesmo Thor homem que se descobriu transgênico (ops! Transgênero)...

    Pelo menos neste ponto, o Maurício de Souza está segurando as pontas: não vai ter gay, nem lésbica, nem traveco, e nem nada que melindre a turma conservadora. Essa aí é a grande maioria e a minoria militante não compra aquilo que querem obrigar produzir.

    Bem, dizem que lá na Bela e a Fera tem algum personagem gay, mas pelo jeito ele é tão sutil que o filme está vendendo bem. Se a história é boa, até dá para se engolir algum sapo. Mas se é ruim, nem agradando a militância do politicamente correto se consegue salvação.
  • A Bela e a Fera deu certo porque, além de ser um filme bom, não fazia panfletagem. As Canhões de Fantasmas também não é de todo mal (dizem), o que matou foi a panfletagem que fizeram de filme inclusivo.

    No panorama atual, grande parte do que foi lançado era genérico e descaracterizava o personagem ou o universo dele. A rejeição do público foi previsível, porque ninguém quer panfletagem ou crítica social foda - o que querem são boas histórias, independente do que se trata.
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • NadaSeiNadaSei Administrator, Moderator
    Tiveram de aprender da pior maneira. Queriam uma Thor mulher?

    Nem sei a razão de reclamar, eles já tinham uma princesa lesbica:
    xena+a+princesa+guerreira.jpg
    “A violência comunista não foi mera aberração da psique eslava, mas sim algo diabolicamente inerente à engenharia social marxista, que, querendo reformar o homem pela força, transforma os dissidentes primeiro em inimigos, e depois em vítimas.” - Roberto Campos
  • Ah! Sim... Mas esta já foi feita assim. Agora fazer um homem virar mulher só para agradar às feministas... Veja que elas não gostaram da Mulher Maravilha.
  • PercivalPercival Member
    editado March 25
    O mais irônico foi essa semana. Tava o pessoal celebrando pela ranger amarela do filme dos Power Ranges ser lésbica.

    http://rd1.com.br/power-rangers-o-filme-inova-com-ranger-amarela-lesbica/

    A notícia diz que inova como se ó fosse uma grande coisa.

    Bom pelo que vejo o filme quer apelar pra nostalgia dos fãs, sendo que Power Rangers é um seriado do tipo Sentai (Esquadrão) baseado em Kyoru Sentai Zyuranger (Esquadrão dinossauro Zyuranger). Ou seja, pegaram uma série que existia e montaram uma nova ocidental usando material da série Zyuranger (cenas de luta).

    Aí que a polêmica começa: a ranger amarela é HOMEM  no original:

    mmpr-rg-trini.jpg

    Tanto que você reparar a diferença de uniforme da ranger a amrela com a rosa. O amarelo é igual aos dos personagens masculino e esse uniforme é diferenciado em diversas produções.



    Por si só a personagem ja era polêmica na época por essa bizarrice.

    Pior que eles resolvem fazer a mesma coisa com o ranger amarelo Hyakujuu Sentai Gaoranger (esquadrão da 100 feras Gaoranger) em que o amarelo volta a ser usado como mulher:



    hqdefault.jpg

    maxresdefault.jpg

    O que posso entender é que o Haim Saban quando começou a trabalhar com esses sériados e queria adaptar viu que na dinâmica deles o ranger amarelo sempre é uma mulher, poucas vezes foi homem. Como no caso do Dai Sentai Goggle V :

    powerranger4407.jpg

    Aí resolveu adotar amarelo como padrão pra mulher, sem levar em conta o roteiro original. Aí nas cenas de luta a ranger amarela é sacuda e sem peito.

    E ninguém nunca falou nada disso nem polemizou e problematizou. Ainda bem, mas que é bizarro é.
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • NadaSeiNadaSei Administrator, Moderator
    Botânico disse: Ah! Sim... Mas esta já foi feita assim. Agora fazer um homem virar mulher só para agradar às feministas... Veja que elas não gostaram da Mulher Maravilha.

    Sim eu me referi a não saber a razão desse pessoal querer tanto um Thor mulher se eles já tinham uma princesa lesbica.
    “A violência comunista não foi mera aberração da psique eslava, mas sim algo diabolicamente inerente à engenharia social marxista, que, querendo reformar o homem pela força, transforma os dissidentes primeiro em inimigos, e depois em vítimas.” - Roberto Campos
  • Você tem sua diversidade nos quadrinhos, então por que não compra?
    “Diversidade” tem sido o lema dos quadrinhos nos últimos tempos. É um fato conhecido que o mercado tem se deslocado dos “homens brancos” para “todo mundo” nos últimos vinte anos e, não é de se surprender, o público tem buscado personagens e ideias mais com a cara de uma América do século XXI do que uma pintura de Norman Rockwell. Esta reclamação tem sido barulhenta e uma busca em vários sites e blogs de quadrinhos vai revelar uma grande quantidade de artigos exigindo mais diversidade no que é publicado.

    Então adivinha nerdaiada: vocês já ganharam sua “diversidade”. Vamos fazer uma confrontação de números aqui, mas um registro dos quadrinhos lançados no mês passado mostram uma inacreditável mudança étnica nos personagens principais. Não é de todo perfeito, mas a lista dos 200 mais vendidos da distribuidora Diamond mostra uma abundância de protagonistas que não são homens brancos .

    Aqui vai uma lista de títulos, com sua posição entre os mais vendidos, número de exemplares comercializados e etnia dos personagens principais.

    Rank


    Título





    Editora


    Vendas


    Etnia
    15 Black Widow 1 Marvel 62,375 Mulher branca
    16 Spider-Man 2 Marvel 60,627 Homem negro/latino
    19 Captain America Sam Wilson 7 Marvel 54,881 Homem negro
    20 Mighty Thor 5 Marvel 54,568 Mulher Branca
    27 Harley Quinn 26 DC 51,420 Mulher Branca
    32 Spider-Gwen 6 Marvel 46,060 Mulher Branca
    36 All New Wolverine 6 Marvel 44,668 Mulher Branca
    39 Mockingbird 1 Marvel 42,335 Mulher Branca
    41 Power Man and Iron Fist 2 Marvel 41,104 Homem negro
    46 Wonder Woman 50 DC 36,328 Mulher Branca
    53 A-Force 3 Marvel 34,133 Grupo de Mulheres
    58 Totally Awesome Hulk 4 Marvel 32,585 Homem Coreano
    60 Ms Marvel 5 Marvel 31,871 Mulher Muçulmana
    68 Spider-Man 2099 8 Marvel 28,580 Homem meio Mexicano
    69 Captain Marvel 3 Marvel 28,469 Mulher Branca
    79 Silk 6 Marvel 24,847 Mulher Chinesa
    81 Batgirl 49 DC 24,730 Mulher Branca
    85 Poison Ivy Cycle of Life and Death 3 DC 22,812 Mulher Branca
    86 Monstress 4 Image 22,406 Mulher Asiática
    92 Scarlet Witch 4 Marvel 21,094 Mulher Branca
    93 Unbeatable Squirrel Girl 6 Marvel 20,739 Mulher Branca
    94 Spider-Woman 5 Marvel 20,594 Mulher Branca
    101 DC Comics Bombshells 10 DC 19,820 Grupo de Mulheres
    113 Starfire 10 DC 18,044 Mulher Alienígena
    120 Constantine The Hellblazer 10 DC 16,755 Homem Bissexual
    121 Legend of Wonder Woman 3 DC 16,497 Mulher Branca
    124 Patsy Walker A.K.A. Hellcat 4 Marvel 15,971 Mulher Branca
    129 Angela Queen of Hel 6 Marvel 14,946 Mulher Lésbica
    130 Moon Girl and Devil Dinosaur 5 Marvel 14,771 Mulher Negra
    134 Catwoaman 50 DC 14,260 Mulher Branca
    141 Cyborg 9 DC 13,578 Homem negro
    142 Black Canary 9 DC 13,566 Mulher Branca
    159 Faith 3 Valiant 12,114 Mulher Branca
    175 Red Wolf 4 Marvel 9,932 Mulher indígena americana
    176 Midnighter 10 DC 9,803 Homem gay
    177 Doctor Fate 10 DC 9,780 Homem Egípcio
    181 Jem & The Holograms 13 IDW 9,032 Grupo de Mulheres

    Então, tá bem melhor agora, né? Da lista dos 200 gibis mais vendidos, esses 38 títulos não tem como protagonista um homem branco heterosexual. Não é a perfeição, mas tem muito mais diversidade nos personagens do que cinco anos atrás. (Também vale a pena notar, essa lista exclui gibis como Justice League e We Are Robin, que trazem um elenco misto). Com certeza essa não é a representação perfeita: Mulher Branca parece ser a categoria dominante, ainda é preciso colocar mais protagonistas latinos e asiáticos no mercado de gibis, e a religião raramente é representada com seriedade nos quadrinhos. Mas como eu disse, Já é muito melhor do que cinco anos atrás.

    Exceto. Por. Uma. Coisa.

    As vendas. Uma quantidade significativa de títulos com diversidade não tem valor algum se eles estão despencando para o cancelamento, e muitos desses gibis estão indo nessa direção. O mercado de quadrinhos é extraordinariamente competitivo, Marvel e DC são empresas antes de serem pioneiros da justiça social. Se um gibi não atinge a meta de vendas, será inevitavelmente cancelado e substituído por um título mais promissor.
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • Se você não acredita em mim, deve prestar atenção no ranking das vendas dos gibis que mostrei acima e compará-los aos resultados do seu lançamento inicial. Por exemplo, Silk foi promovido ano passado como o primeiro gibi da Marvel com uma protagonista mulher asiática (O que não era muito correto, mas não importa). O Silk Vol 1 #1 foi o nono gibi mais vendido em 2015, com 74,501 unidades. Agora, um ano depois, Silk Vol 2 caiu para o 79 (septuagésimo nono) lugar, com apenas um terço daquele número de vendas. A-Force obteve um grande impulso da imprensa no seu lançamento como um gibi de super heróis completamente feminino, capitaneado por uma escritora. A-Force Vol 1, #1 foi o sexto gibi mais vendido com 114,528 cópias. Mês passado, estava na posição #53 do ranking, com 34,133 cópias comercializadas. Apenas um quarto do seu primeiro número.

    E esses são gibis com a sorte de terem uma grande promoção da imprensa. Moon-Girl and Devil Dinosaur é o único quadrinho com protagonista mulher negra até agora, e enquanto tem uma atenção especial dos fãs, parece que passou longe dos holofotes. Previsivelmente, não se saiu bem no lançamento, com o primeiro número na #63 posição de vendas e apenas 38,133 exemplares vendidos. Hoje está na lista do cancelamento, na posição #130 do ranking e menos de 15,000 exemplares vendidos. Red Wolf foi bem pior, despencando de #64 para a posição #175 em apenas quatro meses.

    É lógico que uma queda é compreensível, é impossível um gibi manter as vendas de seu primeiro número, porque a edição de lançamento sempre tem pedidos em excesso para satisfazer especuladores e as pessoas que buscam experimentar uma nova leitura. Especuladores não vão além do primeiro número e muitas pessoas experimentam um novo gibi e não gostam, isso é inevitável.

    Esses gráficos também não contabilizam as vendas de quadrinhos digitais, que as grandes editoras relutam em divulgar. Nós simplesmente não sabemos se, por exemplo, os leitores de All-New Wolverine abandonaram a versão impressa e trocaram pela digital, embora esse gibi também tenha perdido mais de 60.000 leitores da versão impressa desde seu lançamento. Squirrel Girl, o queridinho dos fãs, aparentemente vai bem no mercado digital e impresso, presume-se que seja um gibi seguro, apesar de seus meros 20.000 exemplares vendidos. Por outro lado, é fácil dizer que o gibi de protagonista negra Moon Girl ou o protagonizado por uma lésbica Angela: Queen of Hel, não está indo tão bem, já que ambos estão na linha do cancelamento.

    Com relação a Marvel, é fácil prever que Silk, Spider-Woman, Scarlet Witch e Patsy Walker A.K.A. Hellcat estão caminhando para a linha de corte. Silk e Spider-Woman ainda se seguram até os números 14 e 12 respectivamente, pois seus encadernados reunindo essas edições já foram solicitados e ambas estão envolvidas no crossover “Spider-Women”, o que vai lhes dar um fôlego a mais. Mas a situação não parece boa para esses títulos, por terem perdido tantas vendas desde seu lançamento.

    É mais difícil prever o futuro da DC, já que alguns títulos provavelmente serão publicados mesmo com baixas vendas (Wonder Woman, Catwoman, Harley Quinn). Com outros, já é garantido que suas atuais versões estão condenadas (Midnighter, Black Canary, Starfire). Isso nos faz perguntar se gibis como Constantine e Bombshells vão se segurar com suas vendas caindo, mas a história sugere que eles não vão.

    No final das contas, o que está vendendo não surpreende. São os títulos “quentes”, personagens populares, licenciados e crossovers. Em março de 2016, os mais vendidos eram Batman, Mighty Morphin’ Power Rangers e Star Wars, e outros títulos no top 20 tendem a seguir essa linha. Se Harley Quinn vende bem é, provavelmente, muito mais por ser uma personagem com enorme popularidade no momento e menos por ser feminina, seu sucesso se deve apenas a popularidade e não a isso. Teremos o verão inteiro de Civil War II e o Rebirth da DC Comics, o foco estará nas vendas e não em trazer diversidade para o mercado.

    Sim, as editoras tem a responsabilidade de promover seus gibis com diversidade. A Marvel parece ter aprendido a lição nessa área. A fase “Marvel Now” teve três títulos focados em mulheres, todos fracassaram: Red She-Hulk, Journey Into Mystery (com Sif) e Fearless Defenders, mas dois desses gibis apenas substituíram outros já existentes e não tiveram muita divulgação. Mas e hoje? A Marvel dá para seus títulos femininos um destaque incrível, chegando a fazer um mês [de evento] “True Believers” em setembro de 2015, com dez relançamentos de gibis femininos por um dólar cada (e todos tiveram ótimas vendas para relançamentos). Porém, mesmo tudo isso não parece ser suficiente.

    Em outras palavras, parte da culpa pelo fracasso dos gibis regidos pela diversidade deve ficar com você, leitor. Não, ninguém é obrigado a comprar gibis pelos quais não tem interesse só porque estes atingem uma meta de diversidade. E é claro que Marvel e DC devem fazer esses títulos atrativos o suficiente para atrair leitores. Ainda assim, é constrangedor termos uma comunidade de fãs de quadrinhos pedindo o tempo todo por diversidade e que, mesmo assim, não dá suporte aos gibis que surgiram para atender a essa demanda. Se continuar assim, esses títulos serão cancelados, e quando retornarem, irão reverter para suas contrapartes não protagonizadas por minorias.

    Esta pode ser a lição aprendida pela DC e aplicada em seu “Rebirth” do próximo verão. Um ano atrás, a editora lançou o selo “DCYou”, destinado a refletir um mercado mais diverso. Tivemos Starfire, Midnighter e Prez, e sabemos o que aconteceu com esses gibis. Um ano depois, teremos o “Rebirth” que, para todos os efeitos e intenções, parece ser um retorno à velha DC. É um retorno ao que é seguro, não ao que é diverso.

    Se o mercado realmente deseja diversidade, precisa começar a colocar dinheiro nessa ideia. Deixar de lado Civil War II e investir em Silk, abandonar Harley Quinn e tentar Mockingbird.

    Esses gibis não vão fracassar se os leitores realmente os apoiarem e deixarem claro para as editoras que é isso o que eles querem ler. As editoras estão oferecendo a você uma clara oportunidade de provar que é isso o que você quer.

    Seus gibis com diversidade estão esperando, outros poderão vir se isso é o que você realmente deseja. Você leitor, precisa mostrar às empresas que a busca por diversidade é real, e não apenas a reclamação de uma minoria.

    [*] Adam Frey. “Comics: You’ve Got Your Diversity, So Why Don’t You Buy Them?“. Pop Culture Uncovered, 18 de Abril de 2016.
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • SenhorSenhor Member
    editado March 27
    Pois é, vou levantar a bandeira da diversidade e protestar para que criem uma estória em que Batman finalmente saia do armário e deixe aflorar Beth Má,  o alterego transgender morcega baluarte dark.
    Meu PC é Pai, Filho, e Espírito Santo. O pai é o hardware, o filho, o software, e o ES, a energia elétrica.
  • SenhorSenhor Member
    editado March 27
    Já aqui, com esse Batman com Michael Keaton, uma nesga de Betinha, como é conhecida Beth Má, pelos íntimos já começa a aflorar, percebam essa boquinha implorando por um baton cor-de-sangue-venoso e esses olhinhos pressurosos impregnados de efusividade devoradora de "mistérios",


    michael-keaton-in-batman.jpg



    E Betinha, como gosta de ficar, em muitas ocasiões, de Bruce,
    images?q=tbn:ANd9GcSIjb95Ea9tq_XxFRSjxAWQcsF6wZBDNuicB9HMwz-dvTwbSrIkCA
     
    Meu PC é Pai, Filho, e Espírito Santo. O pai é o hardware, o filho, o software, e o ES, a energia elétrica.
  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    As pessoas compram gibis para se divertir, não para promover a diversidade.
  • PercivalPercival Member
    editado April 4
    A complicada e perigosa diversidade d’A Bela e a Fera
    A complicada e perigosa diversidade d’A Bela e a Fera
    Cardoso 29/03/2017

    Primeiro de tudo, tirando do caminho: Falhei miseravelmente na minha previsão, a Disney não foi ousada como eu imaginei.

    Segundo, rápida resenha: É maravilhoso, é lindo, é pura Magia Disney. A Mione está maravilhosa, o Gaston está odioso, a Fera está incrível. A história foi ampliada, várias coisas que funcionam no desenho mas ficariam estranhas no filme foram explicadas e os efeitos visuais são candidato certo ao Oscar 2018. Fizeram tudo certo, até ao não tentar replicar uma cena magistral do desenho, e que seria motivo de comparações.

    Sim, a Disney errou ao tentar capitalizar com a história de que o LeFou era gay. No filme é algo tão sutil e inofensivo que nem valeu artigo aqui. O erro e o perigo neste filme está em um buraco muito, muito mais embaixo: Diversidade.

    Não no bom sentido. Não há alma viva no planeta que não ache o Idris Elba fodástico como Heimdall.

    Sim, é ridículo um deus nórdico negro, mas não há nada demais em um alienígena de uma cultura multiétnica e que não saía de seu posto para peruar na Terra, os vikings que deduziram que ele seria branco. Racebending não é algo ruim, se não afetar a essência do personagem. Luke Cage branco não funciona, já o Michael Clarke Duncan como Rei foi a única coisa que prestou do filme do Demolidor.

    Ele foi a melhor encarnação do personagem até o maldito Vincent d’Onofrio encarnar o Rei de tal forma que se tornou mais popular que o Demolidor.

    Seja a Skie em Agentes da Shield, ou a Agente May, ou o Pantera Negra, bons personagens diversos são bem-vindos. O que a Bela e a Fera fez não foi isso.

    A história é um samba do crioulo doido cronológico, se passa em algum ponto entre 1591 e 1889, pois tanto Shakespeare quanto a Torre Eiffel aparecem. É uma vila no interior da França, no Vale do Loire. Franceses não são o povo mais receptivo do mundo, a Bela é estigmatizada por gostar de ler, mas estranhamente não há qualquer tensão racial no local.

    Antes que o Tumblr reclame, não há negras só entre as lavadeiras. Boa parte da corte do palácio do Príncipe Bieber é composta de nobres negros.

    A Madame Garderobe é dublada pela magnifica Audra McDonald, uma cantora lírica negra com 6 Tonys no armário. E eu percebi que isso me incomodava. Parecia que alguém abriu uma planilha no Excel e ficou contando quanta gente de cada cor havia, marcando pontos de Diversidade. A água entornou quando mostraram que a Madame Garderobe era casada com o Maestro do Palácio.

    Esse festival de integração, com direito a casamentos inter-raciais DEFINITIVAMENTE não aconteceria no interior da França no final da Renascença.

    “Ah Cardoso mas é um conto de fadas com relógios falantes e um candelabro tarado você quer mesmo traçar a linha nos personagens negros?”

    Não, por isso estranhei meu desconforto. Até que pensei melhor e percebi que havia realmente motivo para me preocupar.

    Ao forçar a barra e incluir diversidade em uma história passada em um período “real”, e as crianças VÃO associar com… um período real, você está enfiando na cabeça delas uma imagem falsa. Está vendendo a idéia de que a situação das minorias naquela época era bem melhor do que realmente foi. Dizem que a História é escrita pelos vencedores, mas temos aqui um grupo de militantes com a melhor das intenções literalmente apagando um período negr-ruim da História, em prol… da diversidade.

    Uma criança negra não vai ver A Bela e a Fera e perguntar pra mãe por quê não há gente da cor dela na história. A mãe não vai ter a oportunidade de explicar que o mundo era bem mais injusto, e que é dever dela continuar lutando por mais e mais justiça e igualdade. A criança vai ver um monte de cortesãs iguais a ela e achar que tudo está bem.

    Apagar a História, jogar um tapete mágico ou não em cima dos erros do passado não é o caminho. E sim, Hollywood tem esse poder todo. Quer um exemplo?

    O caubói que dá cem tiros de uma vez é um mito. Foi completamente criado por Hollywood, mesmo no tempo do show itinerante de Búfalo Bill as histórias sobre o velho oeste já eram basicamente lorotas. O que chamamos de caubói é o bom e velho peão, e não eram sujeitos brancos pistoleiros durões. 1/3 deles eram mexicanos, 1/4 eram negros libertos. Todos trabalhavam de sol a sol cuidando do gado, e nem os chapéus eram os mesmos dos filmes. Armas? Custavam caro e eram restritas em muitas cidades.

    Butch Cassidy e Sundance Kid ficaram famosos justamente por serem exceção. Em um período de 40 anos contabilizando 15 Estados do Velho Oeste, foram registrado OITO roubos a banco. Segundo Hollywood deveria ser um por dia. Por banco.

    Quer outro mito?

    Não, a bíblia não fala nada de hebreus construindo pirâmides. Isso quem inventou foi Hollywood, e hoje é IMPOSSÍVEL desassociar a imagem, por mais que toneladas de evidências arqueológicas mostrem que as pirâmides foram construídas por trabalhadores livres bem pagos e bem alimentados. Acharam até relatórios dos capatazes, em um deles um dos trabalhadores pediu e ganhou o dia de folga pra ficar em casa… fazendo cerveja.

    Há inúmeros mitos perpetuados pela cultura popular, que são impossíveis de apagar. Outro exemplo?

    Napoleão tinha 5 pés e 2 polegadas de altura. Em unidades francesas. Isso equivalia a 5 pés e duas polegadas imperiais, ou 1,70m em unidades modernas. A média de altura para homens na França na época era 1,65m. Napoleão era um pouco acima da média, mas a mídia lacradora do tempo não se preocupou com esse detalhe. Hoje QUALQUER representação de Napoleão o coloca como baixinho enfezado.

    Eu escrevo isso aqui, você lê e esquece. Liga a TV, TODO Napoleão é baixinho, vai acreditam em quem?

    A Militância Lacradora que está adorando diversidade n’A Bela e a Fera está dando um tiro enorme no pé, a longo prazo. Estão fazendo aquilo que acusam os homens brancos cis pirocos opressores patriarcais: Estão apagando a presença REAL de minorias na História, em prol de uma presença romanceada. Fingir que racismo não existe ou não existiu é errado. Ponto.

    A Warner Brothers sabe disso. Eles tem um passado bem complicado, muitos desenhos eram inegavelmente racistas, mas eles não os apagam de suas coletâneas.

    Ao invés disso eles precedem os desenhos com um alerta que é em essência tudo que estou tentando dizer aqui:

    “Os desenhos que você vai assistir são produtos de seu tempo. Eles podem mostrar alguns dos preconceitos étnicos e raciais que eram comuns na sociedade a americana. Essas representações eram erradas na época e são erradas hoje. Embora não representem a visão da sociedade atual da Warner Brothers, esses desenhos estão sendo exibidos como foram originalmente criados, de outra forma seria o mesmo que alegar que esses preconceitos nunca existiram”

    A Disney fez o oposto. Em prol da Diversidade reescreveu a história e criou um passado cor-de-rosa, vendendo uma imagem de harmonia e integração que nunca existiu. Pior, a militância está aplaudindo, pois só pensam no imediato.

    Curiosamente isso tudo foi previsto em um episódio de Drawn Together, quando a Disney sequestra e destrói os personagens de desenhos antigos, considerados racistas.

    Esquecer o passado é perigoso, apagá-lo voluntariamente é criminoso, fingir que algo que te incomoda não existe já é complicado, mas quando quem faz isso é justamente o lado incomodado, aí já se torna idiota. Espero sinceramente que isso não se torne uma tendência. pois a única coisa pior que um militante do Tumblr que vê racismo em todo lugar é um militante da Disney que não vê em lugar nenhum.

    http://contraditorium.com/2017/03/29/complicada-perigosa-diversidade-da-bela-fera/
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • PercivalPercival Member
    A diversidade contra a tradição nos quadrinhos de heróis
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    Uma coisa que as pessoas não entendem sobre esse papo de diversidade nos quadrinhos é que isso representa uma ruptura. Personagens mulheres, gays, negros, minorias, isso sempre existiu: A Mulher Maravilha foi criada por William Moulton Marston, um homem feminista, em 1940, para ser “tão forte quanto Hércules e mais bela do que Afrodite”; Luke Cage foi criado em 1972 por Archie Goodwin e John Romita, para representar os jovens negros da periferia de New York e mostrar que eles podiam ser heróis; Estrela Polar foi criado por Chris Claremont e John Byrne em 1979 para representar os gays entre os heróis X-Men. Todos são provas de que sempre existiu uma diversidade natural nos quadrinhos mainstream. Esses personagens, e muitos outros bastante diferentes entre si, não foram criados a partir de movimentos de reivindicação. Até o ano 2000, praticamente o único contato que os leitores de quadrinhos tinham com seus editores eram as cartas. E nas seções de correspondências das revistas não havia pedidos ou exigências para a criação de personagens do tipo que são chamados hoje de diversos, de nenhum tipo de representatividade ou maluquices semelhantes. As seções de correspondências dos gibis são um documento valoroso e devem ser lidos por todos que se interessam pela História das HQs. Não havia reivindicações políticas do tipo que temos hoje na internet, talvez discussões, mas movimentos reivindicatórios era algo inexistente. Não havia pressão em cima de criadores e editores para representar supostas minorias, acusações de homofobia e racismo; não havia coitadismo e choradeira. Havia fãs de verdade, pessoas que compravam revistas (muitas com dinheiro suado, inclusive eu, que comecei a trabalhar duro aos treze anos, na marcenaria do meu pai, para ter o dinheiro dos gibis). Sem nenhuma espécie de pressão, a criação desses personagens diferentes partia da própria vontade dos artistas e editores, visando um melhor desempenho no mercado. Eram coisas espontâneas que, se sobrevivessem ao julgamento do público, comprovavam-se boas.E nenhum desses personagens, hoje erroneamente chamados de diversos , rompeu com a tradição dos super-heróis. O bem continuou sendo o bem que luta contra o mal, e vence. Não interessava se Luke Cage era negro, ele era um herói como outro qualquer e seguia os mesmos esquemas. Sua iconografia (até o queixo quadrado e aquelas posições kirbyanas) era semelhante a de um herói branco, e ele lutava contra o mal, mesmo que fosse um “Hero for Hire”. A essência dos heróis permanecia a mesma com esses novos personagens, e os fãs não reclamavam, pois sentiam isso instintivamente, buscavam isso, um entretenimento que tinha um valor, uma beleza transcendente. Os gibis de heróis mostravam o que havia de melhor e pior entre os homens, representavam isso de forma simples para pessoas simples e eram consumidos avidamente por essa própria razão. Iam além, muito além das aparências de raça e sexo. A Mulher Maravilha nunca lutou contra os homens nem foi pervertida, ela foi uma mulher forte, esperta, que dominava os homens pela sua sedução, pelo seu carisma e amor, como as mulheres fortes fazem. Nunca ninguém deu importância ao fato de Estrela Polar ser gay, nem ele mesmo, ele era simplesmente um herói como outro qualquer e poderia ter o mesmo papel que qualquer um teria. Lutar pelo bem, vencer o mal, protagonizar incríveis e inspiradores feitos, a sina de qualquer super-herói dos quadrinhos. Esses heróis faziam isso, eram conectados a uma tradição, um cânone.Os movimentos de diversidade surgiram na internet a partir de 2010 e partiram de pessoas que não leem quadrinhos. A partir daí já podemos concluir que são equivocados. Se você não vai ao circo, por que vai fazer campanha na internet para que os circos não usem mais leões e elefantes em seus shows com o pretexto de defender os animais? Não é algo absurdo? Na internet brasileira, eu fui o primeiro a alertar contra esses movimentos, cinco anos atrás. Observei que os reivindicantes não demonstravam conhecimentos básicos sobre HQs. Ao mesmo tempo, percebi que eles ganhavam grande penetração na mídia através de jornalistas que possuíam menos conhecimentos ainda e de sites oportunistas com intenções de se promover. Eles começaram a exigir essa baboseira chamada de “representatividade”, replicando o discurso de sites estrangeiros com verdadeira influência sobre a indústria de quadrinhos americanos. Eu fiz uma lista de treze desses sites, quase todos se promoveram com esse discurso. Já os sites estrangeiros, com verdadeira importância, conseguiram pressionar editores de quadrinhos através de ameaças de boicote e campanhas de difamação. O resultado foi a criação de vários personagens seguindo os ditames da tal “diversidade”. Todos os personagens criados a partir dai, com essa alcunha de “diversos”, surgiram para atender essa demanda. O surgimento desses personagens não foi uma manifestação natural. Foi uma ruptura, e eles representam a adesão dos artistas e editores às ideologias progressistas. Não vamos entrar aqui em discussões sobre o espectro político. Basta dizer que houve uma ruptura com o cânone dos super-heróis, uma quebra com a tradição. Essa ruptura radical só pode ser entendida superficialmente como uma inclusão de personagens gays, negros, mulheres, etc. Parece uma coisa muito positiva, bem intencionada. Mas em sua realidade mais profunda, trata-se de uma negação do cânone, da tradição. A inclusão de classes falsamente desfavorecidas na História dos quadrinhos de super-heróis é apenas o aspecto superficial desse movimento. Sua real natureza consiste em perverter os modelos que construíram a mitologia dos quadrinhos de heróis. O que chamamos de politicamente correto, aquilo que exige a tal da diversidade, visa não apenas uma transformação nas aparências, cito: etnia, sexualidade, religião. Tem como objetivo, além disso, a introdução de novos paradigmas morais e éticos, completamente diversos aqueles consagrados nas histórias em quadrinhos de heróis. Bem e mal deixaram de ser o que sempre foram, o herói passou a poder ser vilão e o vilão passou a poder ser herói. Toda a iconografia desses heróis da diversidade é falsa, perversamente reconstruída a partir de delírios ilegítimos, sem relação com a tradição dos super-heróis. Suas histórias seguem outros arquétipos, não identificadas e apreciadas por leitores tradicionais, e talvez por nenhum leitor. É ai que reside o problema das baixas vendas desses gibis. Os seus reivindicantes não são leitores de quadrinhos, mas sim militantes de causas políticas, e não vão comprá-los. Os leitores de quadrinhos verdadeiros não reconhecem os sentimentos, as reminiscências da infância, a evocação de valores, a enlevação do senso comum que os fazia se apaixonar e ler quase fanaticamente um gibi atrás do outro. Porque esses quadrinhos não tem conexão alguma com a tradição. Eles são uma deturpação dela. Eles serão rejeitados, e não porque esses leitores são racistas, machistas, homofóbicos ou qualquer bobagem desse tipo, mas simplesmente porque são inteligentes. Então não vão comprá-los.Se não existe um cânone a ser respeitado, uma tradição de mais de setenta anos a ser reverenciada (e isso graças aos movimentos politicamente corretos que exigem diversidade) então tudo é permitido, não é? A partir da introdução dos heróis da diversidade, tudo passou a ser aceitável pelos editores como algo apresentável ao público. Pois se não existe mais um cânone nos quadrinhos, se os personagens podem mudar de raça, religião e opção sexual, então, por que não podem deixar de ser heróis e se tornarem vilões? Se o Homem de Ferro pode ser uma menina negra lésbica, por que o Capitão América não pode ser nazista? Por que não matar, ser vilão, ter desenhos horríveis e sem graça, narrativa arrastada, diálogos pretensiosamente politizados? Por que não fazer e desfazer tudo várias e várias vezes com reviravoltas mirabolantes nas histórias dos personagens? Por que respeitar alguma regra, alguma tradição, cânone?Foi isso o que fizeram, foi isso o que a diversidade causou, uma deturpação completa na natureza desses quadrinhos. Mas quem compraria esses gibis? Qual seria o efeito da tal diversidade?Quando tudo passou a ser relativizado de tal maneira, surgiu um estranhamento da parte dos leitores, e isso não se deu por causa da cor da pele dos heróis, muito menos por sua sexualidade ou religião, mas, única e exclusivamente porque essas histórias não tinham base alguma pra existir. A partir do momento que a tradição do heroísmo foi abandonada em prol de uma agenda política, aquela sensação de maravilhamento se dispersou e surgiu um vazio. Na falta de uma capacidade maior de expressão, o leitor mediano afirma apenas que deseja “boas histórias”. Você vê isso nas redes sociais, é quase noventa por cento dos comentários. Todos desejam “boas histórias”, mas ninguém sabe definir exatamente o que é esse sentimento. É um certo saudosismo, um conceito extremamente subjetivo e pessoal, frágil e inconteste. Na verdade, o que esses leitores sentem é falta do cânone, da relação com a tradição dos quadrinhos, daquela coisa antiga e primordial que estava presente em todos os primeiros gibis que nós lemos e agora se encontra ausente nessas histórias repletas de diversidade, mas carentes de beleza e heroísmo.Foi isso o que ferrou com a Marvel. E pode ferrar com toda a indústria de quadrinhos de super-heróis. Abriram a Caixa de Pandora da diversidade, tudo passou a ser permitido, possível e recomendado. A relativização, que é a essência das reivindicações progressistas, destruiu os valores tradicionais dos quadrinhos. Os fãs antigos, aqueles que realmente compram gibis, obviamente, desprezaram, mesmo sem saber o porquê. Dai veio a crise, a queda nas vendas e tudo que presenciamos nos últimos tempos. Somente uma religação aos valores antigos e verdadeiros poderá solucionar este problema.

    https://supercaixadegibis.wordpress.com/2017/04/05/a-diversidade-contra-a-tradicao-nos-quadrinhos-de-herois-2/
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • NadaSeiNadaSei Administrator, Moderator
    Você viu que as suas fontes estavam certas Percival?

    Eu sempre acompanhei com um pouco de ceticismo pois poderia ser torcida de blogueiros de direita, mas até a grande mídia de esquerda está tendo que assumir isso.

    https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2017/04/03/mulher-negra-ou-muculmana-marvel-culpa-diversidade-pela-queda-nas-vendas.htm
    “A violência comunista não foi mera aberração da psique eslava, mas sim algo diabolicamente inerente à engenharia social marxista, que, querendo reformar o homem pela força, transforma os dissidentes primeiro em inimigos, e depois em vítimas.” - Roberto Campos
  • PercivalPercival Member
    Eu mesmo custei a acreditar, mas vi que havia sentido. Agora eles levando a público a coisa começa a transparecer.

    Midiaticamente o progressismo estava sufocando a cultura pop, ao menos os quadrinhos estão se salvando. O problema é o cinema...
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • SenhorSenhor Member
    editado April 5
    Esse fenômeno da politização forçada dos meios de entretenimento chegou, arriou as calças e cagou forte em algumas novelas da Globo.

    Os tais diálogos arrastados, diálogos políticos pretensiosos,(como citado do link), além de uma falastrice verborrágica intolerável simplemente "quebraram paradigmas" na novela da Globo, "Velho Chico"!

     
    Meu PC é Pai, Filho, e Espírito Santo. O pai é o hardware, o filho, o software, e o ES, a energia elétrica.
  • PercivalPercival Member
    editado April 17
    Mulher Maravilha: Após duras criticas e queda de vendas GREG RUCKA deixa a revista1465436099952O escritor tinha dito que a personagem se tornaria LGBT fato que não aconteceu no seu período dentro da revista, atualmente a Mulher Maravilha não sabe qual é o seu verdadeiro passado. O escritor já havia tido atritos com desenhistas da revista, atualmente sua saga fez uma nova origem para a personagem, onde todo o passado que a amazona achava ser o real na verdade era uma ilusão.  A queda nas vendagens e as diversas criticas aos arcos de historias foram um dos grandes motivos para a saída do escritor, que alegou um grande desgaste em escrever uma revista mensal de um personagem tão importante.

    Ainda não se sabe quem será o escritor que assumirá os roteiros da Mulher Maravilha.

    http://www.hqfan.com.br/2017/04/mulher-maravilha-apos-duras-criticas-e.html

    E já ganhou nova desenhista e roteirista:
    http://www.hqfan.com.br/2017/04/mulher-maravilhaconheca-nova-equipe-da.html

     
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
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