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Por que saí do PSOL - Cesar Benjamin

Muita gente me pergunta por que saí do PSOL. Vai um post longo e um pouco (ou bastante) chatinho.Na verdade, nunca entrei. Assinei a ficha de filiação em solidariedade à iniciativa daquelas pessoas que deixavam o PT, mas meu espaço de militância era outro. Foi um apoio meramente formal, que não me levou a participar da vida interna. Em 2006, para minha surpresa, a direção pediu que eu fosse vice na chapa de Heloísa Helena. Hesitei, mas aceitei.No meio da eleição presidencial o PSOL pediu que eu redigisse um documento programático. Heloísa estava em ascensão, e a imprensa cobrava um programa. Eu disse com muita ênfase que não podia dar conta disso, por dois motivos: estava com a agenda muito cheia – um dia em cada estado – e não me sentia preparado.A pressão foi grande, pois isso era considerado muito importante. Terminei aceitando. Desejava, sinceramente, colaborar. Estávamos em meados de agosto. Para aumentar meu sufoco, Heloísa disse aos jornais que o documento seria apresentado no dia 7 de setembro.Nunca trabalhei tanto. Quase morri. Não é força de expressão, pois na reta final da elaboração tive um princípio de AVC. Como já tivera um AVC antes, percebi os sintomas preliminares e pude me medicar.Entreguei o texto em tempo hábil, orgulhoso do que havia conseguido produzir. A direção do PSOL o engavetou. Conversando com um dirigente, ele me deu o motivo: “Com esse documento, você ficaria muito forte no partido.”Era patético. Eu sempre havia deixado claro que a luta interna não me interessava. Mesmo assim, os dirigentes preferiam deixar a campanha presidencial sem programa para que o poder deles não corresse qualquer risco futuro. Eu estava lidando com gente pequena.O documento não teria efeito sobre o resultado eleitoral, é claro, mas faria o PSOL ganhar o debate intelectual naquele momento e introduziria o partido, seriamente, na discussão dos grandes temas nacionais.Esse dirigente que me transmitiu o motivo da recusa estivera presente na reunião em que o texto havia sido encomendado com tanta ênfase, inclusive por ele mesmo. Quando lhe recordei isso, falei do meu esforço e disse que quase havia morrido para cumprir a tarefa, ele respondeu secamente: “Caguei.”Foi uma bofetada. Esperei a campanha terminar e me desfiliei discretamente. Nunca esqueci aquele “Caguei”.Não estou contando isso para lembrar fatos passados, mas para falar do presente. Muitos estão chocados porque não apoio automaticamente o (bom) candidato do PSOL nas eleições do Rio de Janeiro. Têm o mesmo cacoete do antigo PT. Consideram-se portadores de uma verdade revelada que todos devem reconhecer, aceitar e seguir, sob pena de excomunhão. Estão errados.O PSOL, por enquanto, é uma espuma rala na superfície da sociedade brasileira. Não tem história. Não teve nenhuma oportunidade para demonstrar fidelidade ao povo e à nação. Nada formulou sobre o Brasil, a não ser palavras de ordem. Nunca enfrentou uma grande crise ou circunstâncias verdadeiramente adversas. Parte de sua militância é festiva e episódica.Não digo isso para diminuir o partido. Desejo que ele construa um futuro brilhante. Mas, para tal, precisa ser mais humilde e encarar desafios muito maiores do que conheceu até hoje. Independentemente da eleição de Marcelo Freixo, o PSOL tem uma grande responsabilidade pela frente, diante da crise terminal do PT. O Brasil precisa de um forte partido de esquerda.O documento que apresentei em 2006 está no link. É longo, tem coisas datadas e algumas passagens em macroeconomia não são triviais. Mesmo assim, talvez valha a pena ser lido. É um esforço sério de pensar o Brasil pela esquerda, sem chavões.Abraços,
Cesar Benjamin

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Comentários

  • Ao que parece, uma besta quadrada ideológica. Se lhe pedissem de novo faria a mesma coisa e novamente lhe cagariam.

     
    Meu PC é Pai, Filho, e Espírito Santo. O pai é o hardware, o filho, o software, e o ES, a energia elétrica.
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