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3 conclusões a se tirar do tiro no pé de Theresa May

As eleições antecipadas no Reino Unido, convocadas pela Primeira-ministra Theresa May, resultaram em um desastre para o Partido Conservador. Em poucas semanas, os Tories foram da beira de uma hegemonia a um parlamento pendurado, dependendo de coalizão com o pró-Brexit DUP para formar um governo, enquanto o esquerdista Labour, antes em frangalhos, surge renovado, quase 30 assentos mais forte, mesmo sobre a liderança do radical e polêmico Jeremy Corbyn. O resultado final foram 318 assentos para os conservadores e 261 para os trabalhistas.

 E ainda poderia ter sido pior. Por pouco, o Reino Unido não acordou sob o comando de uma “coalizão do caos” formada pelo Labour, os globalistas Democratas Liberais e o partido escocês SNP. Seria o fim do Brexit e o começo de muita instabilidade para o reino de Elizabeth II.

 Mas por quê, afinal, May convocou as eleições? Por que era a decisão mais lógica a se tomar, uma aposta quase segura. Nós escrevemos há alguns meses sobre o momento que os conservadores passavam – uma primeira-ministra ultrapopular, grande apoio ao Brexit e uma oposição desnorteada. May dissolveu o parlamento para tentar conquistar uma maioria absoluta, e assim mais moral para as negociações do Brexit, o que de acordo com as pesquisas era quase garantido. O que nos leva ao primeiro ponto.

 1-Pesquisas enganam tanto pra cima, quanto pra baixo170609-theresa-may-cr-0356_d614d2e2c6bee65cd202423cc93086dc.nbcnews-ux-2880-1000.jpg?resize=1116%2C795

May teria esperado até 2020 para tentar a reeleição se os institutos de pesquisa não bombardeassem a mídia com números astronômicos tanto de sua popularidade, quanto da rejeição de Corbyn. Foi um passo lógico, com um risco quase inexistente, característico de uma política cuja carreira foi marcada pela cautela.

 Mas a política não é uma ciência exata como as pesquisas fazem parecer ser. Durante uma campanha, tudo pode acontecer. Assim como elas fizeram o Brexit e Donald Trump parecerem impossíveis, as pesquisas também induziram May ao erro de sacrificar 17 assentos no parlamento inglês. Seja lá qual for a nova métrica, é preciso deixar de depender só de pesquisas de opinião para avaliar cada momento político.

 2-A ressurreição da esquerda depois de 2016JS122128083.jpg?resize=1116%2C794

Essa era uma bola que vínhamos cantando há muito tempo – enquanto as vitórias do ano passado foram um momento catártico, a esquerda ainda possui a vantagem demográfica e a hegemonia cultural em seu favor. Bastou virar o ano para vermos as pretensões nacionalistas na Europa desabarem diante do trator “liberal”, movido a sinalização de virtude, política de identidade e a tática política mais eficaz de todas – o medo ilusório de uma suposta “extrema-direita”.

 É o motivo dos movimentos populistas na Holanda e França terem falhado mesmo com o ritmo incessante de atentados terroristas no continente e a insatisfação geral com a União Europeia. O politicamente correto ainda reina e dizer que o ocidente sofre ataques devido à islamofobia que propagamos ainda é um sentimento que pega, fruto da exploração da culpa que os terroristas – esses do pensamento – vêm destilando há décadas.

 Mas há também uma outra razão.

 3-O povo não aguenta mais a capitulação de conservadores30505049.jpg?resize=1116%2C744

Protesto pró-Brexit em novembro de 2016 cobrava de parlamentares celeridade no processo de saída da União Europeia.

 Pior do que a esquerda irredutível, são os conservadores maleáveis, representados no Reino Unido pelo Partido Conservador atual. Tanto May quanto seu predecessor David Cameron foram marcados pelo discurso dócil e politicamente correto, sem entender que quem os elegeu queria uma alternativa completa ao Labour, não um “Labour Light”.

 As próprias posições de May hoje não são muito diferentes das do ex-primeiro-ministro Tony Blair nos anos 90. Basicamente, o povo do Reino Unido se viu forçado a escolher entre um Labour Light e um Labour Hardcore, liderado pelo socialista  e demagogo Jeremy Corbyn. Na reta final da campanha, a líder dos Tories ainda tentou endurecer o discurso, mas não funcionou. A base conservadora, a “maioria silenciosa” como foi chamada a massa invisível que alçou o partido a uma vitória surpreendentemente tranquila nas eleições de 2015, já não estava mais mobilizada.

 O resultado é um parlamento dividido, liderado por uma primeira-ministra fragilizada diante de seu próprio partido, sendo enfrentada por uma oposição energizada – um Labour renovado, com Jeremy Corbyn seguro na posição de líder, pronto para puxar o partido cada vez mais para a esquerda. Tudo isso enquanto as negociações para o Brexit se iniciam.

 Theresa May diz que não renuncia à liderança do partido e tentará formar um novo governo. Um governo inseguro e instável, o oposto daquilo que ela esperava criar. Ela pode não renunciar, mas os tambores da mudança já começam a tocar no Partido Conservador, com o nome do ex-prefeito de Londres, a voz mais ativa do partido durante o referendo do Brexit, sendo sussurrado pelos corredores de Westminster.

 De qualquer forma, os dias de May como primeira-ministra parecem contados.

 http://loly.systems/2017/06/3-conclusoes-a-se-tirar-do-tiro-no-pe-de-theresa-may/
  “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
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