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RECORDES INVERSOS - BRASIL NA CONTRAMÃO DO PROGRESSO

SilvanaSilvana Member
editado September 1 em Religião é veneno
Maior computador da América Latina pode ser desligado no RJ por falta de dinheiro, diz LNCCSupercomputador em Petrópolis processa mais de 100 pesquisas envolvendo doenças como Zika, Alzheimer e Câncer.
santos-dumont-g1.jpgO supercomputador processa dados importantes de pesquisas de todo o país (Foto: LNCC| Divulgação)
Omaior computador da América Latina, o supercomputador Santos Dumont, que fica em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, pode ser desligado por falta de dinheiro a partir de outubro, segundo informou o diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Augusto Gadelha. A máquina processa mais de 100 pesquisas envolvendo doenças como Zika, Alzheimer e Câncer.De acordo com o diretor, o Governo Federal cortou 44% do orçamento da instituição por causa da crise financeira. Gadelha revela que o LNCC deveria receber R$ 16 milhões neste ano, mas com o corte de dinheiro vai receber apenas R$ 9 milhões. Ele disse ainda que só os gastos para manter o supercomputador são de R$ 6 milhões ao ano. 
6117778.jpgMaior computador da América Latina, em Petrópolis, RJ, corre o risco de parar de funcionarAinda sobre os gastos, Gadelha explicou que a conta de luz do LNCC custa R$ 400 mil por mês. Desse valor R$ 280 mil corresponde a utilização do supercomputador e os outros R$ 120 mil ao restante da estrutura do laboratório.Inaugurado em janeiro de 2016, o equipamento custou R$ 60 milhões ao Ministério da Ciência e Tecnologia. O responsável pelo LNCC explicou que é como se 10 mil notebooks de última geração estivessem ligados ao mesmo tempo. A máquina processa dados de pesquisas importantes de todo país e é usado 24 horas por dia. Atualmente, ele processa cerca de 100 pesquisas envolvendo doenças como Zika, Alzheimer e Câncer.
Atualmente, 350 pessoas trabalham para a instituição, sendo 75 pesquisadores e professores, 110 alunos, 100 terceirizados, além de prestadores de serviços, estagiários e bolsistas.Por meio de nota, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) disse que reconhece o papel da pesquisa e do investimento em ciência e tecnologia para o desenvolvimento do país e acrescentou que trabalha pela recuperação do orçamento total de R$ 16,144 milhões previstos para o LNCC esse ano.O órgão disse ainda que está dando prioridade a seus institutos (16 unidades de pesquisa e as seis organizações sociais) e que acompanha criteriosamente as atividades dos institutos de pesquisa de maneira a evitar que impactos significativos venham a ser observados. 
http://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/maior-computador-da-america-latina-pode-ser-desligado-no-rj-por-falta-de-dinheiro-diz-lncc.ghtml

 
 
 " Permaneçam abertos de coração e mente para os "antigos" que criaram todas as coisas; e para seus irmãos e irmãs " !

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Comentários

  •   “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • Saudações Percival

    Sim. É verdade...  Nesse caso específico. Não sei bem... Não tenho como avaliar o volume dos registros que o professor tinha...  Dá para sentir o desespero dele na foto...

    Um HD externo (armazenamento físico) para deixar uma parte da pesquisa em segurança... Sem nem mesmo levar para outro lugar...
    Transferir dados em fragmentos de dados... Via e-mail... Dropbox...
    Mas é muito complicado  opinar sobre o que aconteceu com ele...


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  • SilvanaSilvana Member
    editado September 1
    Saudações

    Ciência brasileira entra em crise com perda de recursosREPORTAGEM ESPECIAL _ CRISE NA CIÊNCIA (Parte 1 de 2): Cortes orçamentários, contingenciamentos e perda de receitas do FNDCT forçam agências de fomento a cancelar editais e adiar o pagamento de projetos.]

    Herton Escobar
    30 Agosto 2015 | 07h00
    suzana.jpgA neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ, é uma entre milhares de cientistas brasileiros impactados pela crise. Foto: Fabio Motta/EstadãoA crise econômica está batendo com força à porta da ciência brasileira. Não bastassem os  justes fiscais, que reduziram o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 25%, e do Ministério da Educação (MEC) em 9%, o setor sofre desde 2014 com a perda de royalties do petróleo e com o saque de recursos destinados à pesquisa científica para o pagamento de bolsas do Ciência sem Fronteiras. Sem dinheiro em caixa, agências de fomento federais estão cancelando editais e atrasando o pagamento de milhares de projetos já aprovados no ano passado.O cenário é o “pior dos últimos 20 anos”, segundo a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, que desde 2013 vinha alertando o governo sobre a crise eminente.O que mudou? A principal fonte de recursos para pesquisa no País é o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), um grande portfolio de fundos setoriais, dentre os quais o do petróleo (CT-Petro) costumava ser o maior de todos. A partir de 2014, pelas novas regras de distribuição de royalties do setor, os recursos da exploração do pré-sal que antes alimentavam o FNDCT passaram a fluir para outra conta, do Fundo Social, que não é dedicado à ciência. Com isso, o valor arrecadado pelo CT-Petro despencou de R$ 1,4 bilhão em 2013 para R$ 140 milhões em 2014 – e não deve chegar a R$ 30 milhões neste ano. 

    http://ciencia.estadao.com.br/blogs/herton-escobar/ciencia-brasileira-entra-em-crise-com-perda-de-recursos/

    A matéria na integra está no endereço acima...

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  • Por aí vocês podem ver o quanto custa uma pesquisa e o Mulla queria dar incentivos à zempresas nacionais para elas investirem em pesquisas e melhorar a sua eficiência.... Com a grana que ganharam, advinhem no que elas investiram...
  • SilvanaSilvana Member
    editado September 12
    Saudações Botânico

    Pois é... E com isso ...

    Em 2012 estavámos em 46º lugar no IMD Foundation Board (World Competitiveness Yearbook).
    http://www.senado.gov.br/NOTICIAS/JORNAL/EMDISCUSSAO/inovacao/inovacao-tecnologica-no-mundo-brasil.aspx

    Agora em 2016 estamos batendo outra marca.. rs

    O Brasil caiu para o 57º 
    https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=372395


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  • E vai cair mais ainda enquanto não vier um segundo descollorido de melo a dizer que já nos cansamos das carroças montadas por aqui e então não vai mais ter restrição de importações. Afinal a quem queremos enganar? Desde quando produzimos por nós mesmos coisas de tecnologia de ponta? Sei lá se é lenda ou não, mas diz a lenda que o Fernando Henrique o Garboso teria arquitetado com o Banco Mundial um esquema de "desenvolvimento" segundo as condições reais do Brasil. Assim coisas que seriam de interesse local apenas, como combate a dengue, febre amarela ou verminoses e coisas típicas de países atrasados, as universidades e centros de pesquisa brasileiros estariam AUTORIZADOS (é esse mesmo o termo) a fazer pesquisas nessas áreas. Porém, coisas de tecnologia de ponta, altamente rentáveis (coisas da EMBRAPA por exemplo?), que pudessem concorrer com as multinacionais, neste caso o Brasil seria PROIBIDO (é esse o termo) de fazê-las. Coisas assim, o Brasil teria de comprar pronto e pagar os royaties. Seríamos então o país avestruz, aquela tal ave primitiva, grande e forte, cuja espécie já vive há milhões de anos, mas é burra como um grande gênio intelectual esquerdista.
    Sim, o Brasil poderia desenvolver tecnologia, mas temos de acabar com esse preconceito de que indústrias não podem financiar e direcionar pesquisas nas nossas universidades e o zempresários têm de se sentir PRESSIONADOS a melhorar seu produto ou vai pras cucuiais. Agora com o governo metendo o bedelho no assunto com seus grandes tecnocratas que não sabem a differença entre gesso e ricota porque ambos são brancos...
  • ENCOSTOENCOSTO Member
    editado September 13
    O Brasil precisa investir mais em pesquisa e desenvolvimento.

    Se não fosse o investimento nessas áreas, o Brasil jamais teria o, deixa eu ver... hum... a caxirola do Carlinhos Brow.
  • Precisamos enviar mais gente para estudar fora pois os nossos professores são um bando de cuzoes. Trazer professor de fora para dar aula, nem pensar. É muito mais barato.
  • SilvanaSilvana Member
    editado September 13
    Saudações Botânico
    Botânico disse: Desde quando produzimos por nós mesmos coisas de tecnologia de ponta?

    Farei uma colocação sobre um nicho do mercado na produção de medicamentos...

    Cronologia dos avanços...  Segundo dados de 2006.

    " Existem, aproximadamente, quatrocentas empresas farmacêuticas no Brasil. Dessas, vinte multinacionais dominam cerca de 80% do mercado, enquanto as 380 empresas de capital nacional são responsáveis por, aproximadamente, 20% do faturamento total. Dentre as empresas nacionais, destaca-se a Aché, que se mantém entre as dez maiores do setor.   http://www.scielo.br/pdf/csp/v22n11/12.pdf

    Ainda em 2006...

    " Cabe salientar que o parque industrial brasileiro de medicamentos é bastante desenvolvido com relação à capacidade de fabricação de produtos finais. Ao mesmo tempo em que se constata esse desenvolvimento na produção, evidencia-se forte dependência da importação de farmacoquímicos.
    O desmantelamento de parte significativa do complexo industrial de química fina do Brasil promoveu o aumento da dependência da importação de matérias-primas pela indústria farmacêutica. http://www.scielo.br/pdf/csp/v22n11/12.pdf

    Então.. De 2006 para cá, como é que ocorre a inovação em alguns setores de insumos farmacêutico no Brasil... 

    Algumas industras naconais fazem a aquisição de outros parques industrais, para assim adquiriu  a tecnologia no preparo de antibióticos. Como foi com a Aché anteriormente citada como destaque de industria naconal farmacêutica.

    "A nova fábrica também abre ao Aché possibilidades de explorar a produção de novas formulações, combinações e novos regimes posológicos para esta classe terapêutica, resultando em melhoria de eficácia e maior comodidade para os pacientes”, diz Stephani Saverio, diretor de inovação do Aché"

    http://www.ache.com.br/imprensa/noticias/apos-aquisicao-ache-laboratorios-se-prepara-para-iniciar-producao-na-fabrica-de-londrina/
    Botânico disse: Fernando Henrique o Garboso teria arquitetado com o Banco Mundial um esquema de "desenvolvimento" segundo as condições reais do Brasil.

    hahahaha
    Então.. Na época do Garboso...  rs

    Em saúde pública houve a criação dos genéricos, e a distribuição gratuita de medicamentos contra a AIDS.
    o Governo dele foi de 1995 a 2002.
    De lá para cá... Questões como a importação (quase tudo produzido no Brasil) das matérias-primas para a produção dos farmacoquímicos, isso é um assunto complicado no Brasil.
    Botânico disse: Coisas assim, o Brasil teria de comprar pronto e pagar os royaties.

    O problema já está cronificado...  Pirataria de nosso bioma. E isso não é novidade, os portuguêses extraíram tanto Pau-Brasil, que quase extinguiu a árvore em noss solo.
    Eu mesma tenho um relicário de Pau-Brasil... Belíssima a cor da madeira.

    Então...

    Para vc ter uma ideia do que falo sobre pirataria de nosso Bioma...
    Estive envolvida com a pesquisa de um planta da caatinga. A doutora especialista no Brasil nesta planta, me confidenciou que, estrangeiros estavam vindo ao Brasil e patenteando determinadas plantas com moléculas específicas, que só existem nos biomas brasileiros...  E com isso nosso País perde concessões em pesquisa com essas moléculas específicas... 

    Essa planta que eu pesquisava...  Tem uma mólecula que neutraliza determinados mecanismos de processos inflamatórios... Há na mesma linha uma especialista farmacêutica na Argentina que trabalha com primas dessa planta...  Elas existem aqui tbm e são perfeitamente ambientadas...
    Para vc ter uma ideia da potencia toxicológica da tal plantinha...rs
    Eu toquei nela sem luvas, fiz um esfregaço das folhas entre meus dedos...  Estava tentando associar um cheiro característico com uma outra planta sedativa que eu conheço...rs
    O tempo de intoxicação foi rápido... Baixei no hospital no dia seguinte.  Crise renal... rs
    Botânico disse: O Brasil poderia desenvolver tecnologia, mas temos de acabar com esse preconceito de que indústrias não podem financiar e direcionar pesquisas nas nossas universidades

    O Brasil possui material intelectual humano riquíssimo...
    Eu conheço vários. Nosso problema atual é a cronificação da corrupção que se instalou em nosso meio político...

    A crise está tão feiaaaaaaaaa....

    Outro dia escutei de uma especialista em genética  num laboratório super equipado... Que se eu quisesse fazer pesquisa com microRNAs (Estava desenvolvendo um pré-projeto de pesquisa)... 
    Teria de financiar do meu bolso os kits, pois o orgão gestor do financiamento cortou todas as verbas....rs

    hahahahahaha
    Pobre de mim...rs     Estou adaptando a pesquisa aos tempos de crise ...rs
    Método indireto...rsrsrsrsrs

    Pois é botânico.  A coisa está feia... 


    [fraternos]

     
     
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  • SilvanaSilvana Member
    editado September 13
    Saudações Encosto
    Encosto disse: Precisamos enviar mais gente para estudar fora pois os nossos professores são um bando de cuzoes. Trazer professor de fora para dar aula, nem pensar. É muito mais barato.

    Depende da área tecnológica. Mas, acho que na média, principalmente aqui no RJ as Instituições de ensino estão meio devagar...

    Estudei em uma Universidade onde o pessoal de Tecnologia da Informação vivia trazendo professores doutores de vários países, fazim Congressos, etc... Formaram um grupo de pesauisa na Universidade, a Microsoft e outras do segmento iam investir por lá...

    O que aconteceu depois de um tempo... Por causa de uma politicagem institucional. O Diretor de investimento e avanços tecnológicos foi demitido, e a Universidade voltou a idade da pedra...rs

    Logo em seguida... 

    Extinguiram o curso de Engenharia da computação... Se não me engano... Poucas Universidades disponibilizam esse curso...


    [fraternos]

     
     
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  • SilvanaSilvana Member
    editado September 14
    Saudações 

    Ainda sobre Medicamentos e Saúde Pública...

    "Atual sistema de acesso a medicamentos fracassou", diz Jorge Bermudez

    bermudez1.jpg

    André Costa (CCS). Foto: Divulgação.

    Em setembro, foi divulgado o relatório final do Painel de Alto Nível da ONU sobre o Acesso a Medicamentos. Formado por quinze especialistas de várias partes do mundo, o grupo foi convocado em novembro de 2015 pelo então Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, com o objetivo de propor soluções e medidas para melhorar o acesso a medicamentos.

    O acesso da população mundial a medicamentos sofre restrições exorbitantes: a cada três pessoas, uma não dispõe dos medicamentos essenciais de que precisa. Cerca de 5,5 bilhões de pessoas não têm acesso a analgésicos, sofrendo ou morrendo de dor.
    Pacientes que precisam de tratamento para hepatite C na maioria dos países passam pela mesma situação, não recebendo tratamentos indispensáveis a suas vidas. O problema da falta de acesso afeta países pobres e ricos, sendo causado, principalmente, pelos crescentes custos das tecnologias de saúde e pela falta de novas ferramentas para solucionar recentes ameaças, como o ebola, zika e a resistência antimicrobiana.
    A principal conclusão do relatório foi que a solução para este problema envolve um trabalho conjunto entre governos e indústria, desvinculando o custo de pesquisa e desenvolvimento do valor final dos produtos.Um dos dois integrantes brasileiros do painel, o Vice-Presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Jorge Bermudez, conversou com o Fiocruz Internacional sobre o tema.

    P: O conhecimento científico passou por avanços significativos nas últimas décadas, com as possibilidades de tratamento se tornando muito mais numerosas do que há algumas décadas. Medicamentos de novas gerações tratam pacientes cujos prognósticos seriam fatais há alguns anos. E, ainda assim, centenas de milhões de pessoas que precisam de tratamentos efetivos e capazes de salvar vidas perecem por não falta de acesso. Por que isso acontece?

    Bermudez: O primeiro motivo para isto é o atual regime de propriedade intelectual de medicamentos. A proteção  patentária gera um monopólio de vários anos e, com isso, a indústria impõe o preço que quer no produto, sem que tenhamos competição. O exemplo dos antirretrovirais, neste caso é muito claro. Quando começamos a ter produção genéricas desses remédios na Índia, o preço caiu de dez mil para trezentos dólares. Se você tem competição no mercado, consegue ter preços mais acessíveis. E a indústria de genéricos, quando obtém uma escala maior, consegue abaixar ainda mais seus preços. Um dos problemas, assim, é o regime de propriedade intelectual e de proteção patentária.Outro ponto importante é a relação entre o custo e o preço. É preciso diferenciar o que é custo e o que é preço. Claro que temos investimento em pesquisa, pelo qual a indústria deve receber o retorno. Mas o exemplo da hepatite C é um exemplo muito claro de algo em que não houve o investimento em pesquisa. A Gilead (companhia farmacêutica) simplesmente comprou uma empresa farmacêutica com todo o seu portfólio de produtos e pôs estes produtos a 84 mil dólares por tratamento. Isso porque compraram a outra empresa por 12 ou 13 bilhões de dólares. Quer dizer, o preço do tratamento de hepatite não se deve a custos de investimento em pesquisa, mas sim porque precisam recuperar o que investiram para comprar a companhia. 

    PQuais são as recomendações mais importantes do relatório?

    Bermudez: O mais importante, em primeiro lugar, é que o relatório tem um foco muito central em direitos humanos. A polarização entre inovação e acesso foi muito trabalhada pelo painel. Não adianta ter um produto se, assim como acontece com todos os produtos para câncer lançados nos últimos três anos, ele custa mais de 100 mil dólares por tratamento. Isso quebra sistemas de saúde, a pessoa não pode pagar, o sistema não pode bancar. Não podemos ter inovação, se não tivermos o acesso do outro lado.E também a ênfase para que para que não haja pressões a países que utilizarem flexibilidades dos acordos Trips, criando licenças compulsórias. É o caso recente de Vietnã e Colômbia: os governos destes países declararam que um medicamento é prioritário e que não podem bancar o preço que está exigido pela indústria, e com isso autoriza que haja produção a preço menor, pagando royalties a quem inventou o medicamento. O Brasil só se valeu do mecanismo uma vez, no caso da Aids. O antirretroviral consumia praticamente metade do orçamento: com a licença compulsória, conseguiu reduzir 10 ou 15 vezes o preço do medicamento. Isso feito também com outros produtosOutra questão importante é o chamado delinkage: a desvinculação entre o investimento em pesquisa e o custo do preço do medicamento. 

    PE de um ponto de vista político, qual é o significado do relatório?

    Bermudez: É muito  importante que o relatório tenha ido ao Secretário-Geral das Nações Unidas, quer dizer, que tenha saído da Organização Mundial de Saúde (OMS). A cúpula das Nações Unidas hoje está debatendo acesso a medicamentos. Isto acontece, também, porque o acesso a medicamentos hoje não é mais um problema só de países pobres: Eua, Reino Unido, França e Alemanha dizem que não conseguem bancar determinados medicamentos para hepatite e câncer. Isso também está colocado pelo Secretário-Geral, que afirmou que o acesso é hoje um problema que atinge mundo inteiro. 

    PA indústria alega que desvincular o preço dos medicamentos dos custos de pesquisa e desenvolvimento levaria à ausência de investimento sobre a saúde. O senhor e outros, por outro lado, defendem revisão nas atuais leis de propriedade intelectual. Qual deve ser o papel dos governos, neste novo regime?

    Bermudez: Uma das questões mais enfáticas do relatório é justamente à relacionada à governança: quais devem ser as normas, para mudanças deste tipo. Uma das recomendações claras que mais têm aparecido desde a publicação é que os governos precisam assumir um papel fundamental. Não podem pegar este relatório e arquivá-lo: precisam ver quais são os seus papéis, assim como a indústria precisa ver qual é o papel dela. A sociedade civil sempre cumpriu seu papel,que é o de pressionar, mas quem tem realmente força para promover mudanças são governos. Muitas das pesquisas já são financiadas por governos. Nos EUA, o maior financiador de pesquisas é o governo, o NIH, assim como as universidades. Então estas pesquisas que as universidades ou os órgãos públicos promovem não deveriam gerar patentes para a indústria que recebe estas pesquisas e produz medicamentos.

    PE como a indústria pode ser remunerada por seus investimentos em pesquisa?

    Bermudez: Deveria haver um fundo que remunere a pesquisa, mas também a audite, porque boa parte dela tem custos ligados a publicidade. O que gira em torno do mercado farmacêutico permite tranquilamente constituir um fundo.
    Temos um mercado que gira em torno de um trilhão de dólares. Desses recursos, a maioria provém de investimentos de governo, como no Brasil, onde é o governo quem banca a maioria dos investimentos porque é o SUS que garante a saúde de direito de todos. De alguma maneira, é preciso realizar uma convenção mundial que determine a criação desse fundo, como foi feito com o tabaco há alguns anos. Este fundo deve remunerar a indústria por fazer investimento em pesquisa, e não com que a indústria tenha que ser remunerada pelos custos do medicamento. Este fundo deve ser gerido pelas Nações Unidas ou pela OMS ou outra agência internacional, e deve auditar o que a indústria diz que investiu em pesquisa, e que a remunere de acordo com isso. Estes custos, no entanto, não devem ser passados ao preço dos medicamentos.

    P: Isto leva a outro ponto do relatório, que é a maior necessidade de transparência na indústria.

    Bermudez: Há uma necessidade de transparência em tudo: em custos de ensaios clínicos, nos resultados desses ensaios... Hoje a indústria publica o que ela quer. Ela financia os ensaios clínicos, que são necessários para a ida ao mercado, e só divulga o que quer.  Precisamos saber quais são os custos associados a ensaios clínicos, quanto paga ao pesquisador, quanto paga à universidade que participa, etc.  Recentemente, o senado americano inclusive fez toda uma investigação e chegou à conclusão de que o lançamento dos produtos de hepatite c levou em consideração tudo, menos as pessoas que precisam do medicamento. Concluiu-se que houve um lucro excessivo e que não justificava  critério com o qual se fixou o preço do medicamento.  

    P: Desde sua publicação, o relatório foi chamado de marco. O governo da Colômbia, por exemplo, manifestou-se de forma extremamente positiva à publicação. Por outro lado, o Departamento de Estado americano questionou o texto, assim como a indústria, que fez crítica parecida. Ongs, por sua vez, falaram o contrário, que é um relatório tímido. Como o senhor vê estas reações?

    Bermudez: Primeiro acho que foi um avanço. Conseguimos levar ao mais alto nível das Nações Unidas um assunto que é próprio à OMS. Conseguimos deixar coisas claras, que governos não podem se omitir, que países ricos não podem pressionar países pobres para fixar acordos mais restritivos que o acordo Trips permite, se avançou em transparência e governança, que a ONU precisa voltar a discutir o assunto em 2018. Quando se fala que foi tímido, é um pouco como nosso comentário que eu e outros colegas fizemos em adendo ao relatório: ele a avançou muito, mas temos sensação de que poderia ter ido além. Porque o que está presente aqui já apareceu também em outros relatórios, embora talvez com menos ênfase. Aqui ficou muito enfatizada esta necessidade de que impedir que haja pressões, ameaças e retaliações de medidas do governo. Ficou muito clara a necessidade de que se respeite a soberania de cada país de colocar suas prioridades e de definir suas normas.
    Mas realmente, se queremos assegurar acesso no mundo inteiro, teríamos que considerar se o atual sistema falhou ou não. E acho que, do ponto de vista de assegurar o acesso, ele falhou.
    É um sistema falido, que não está respondendo a quem precisa.
    Ele responde a quem desenvolveu um medicamento novo e tem uma proteção patentária. Temos que rever esse sistema porque já se viu que ele não facilita nem assegura acesso, apenas assegura remuneração. Se, como disse o secretário-geral Ban Ki-Moon citando a Agenda 2030, não queremos deixar ninguém para trás, temos que ser ousados.
    Faltou ousadia de colocar algumas questões, que não precisam ser implementadas de imediato, mas cuja adoção precisa ser pensada. Questões que precisam ser colocadas já, como a necessidade de retirar a proteção patentária, para se entender com que normas, de que maneira se faz isso no futuro.

    https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/atual-sistema-de-acesso-medicamentos-fracassou-diz-jorge-bermudez

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     " Permaneçam abertos de coração e mente para os "antigos" que criaram todas as coisas; e para seus irmãos e irmãs " !

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  • Bermudez: O primeiro motivo para isto é o atual regime de propriedade intelectual de medicamentos. A proteção  patentária gera um monopólio de vários anos e, com isso, a indústria impõe o preço que quer no produto, sem que tenhamos competição. O exemplo dos antirretrovirais, neste caso é muito claro. Quando começamos a ter produção genéricas desses remédios na Índia, o preço caiu de dez mil para trezentos dólares. Se você tem competição no mercado, consegue ter preços mais acessíveis.

    É ou não é uma maravilha o LIVRE MERCADO?

    Se funciona com remedios, deve funcionar com gasolina, energia eletrica, água, etc, etc.
  •  Recentemente, o senado americano inclusive fez toda uma investigação e chegou à conclusão de que o lançamento dos produtos de hepatite c levou em consideração tudo, menos as pessoas que precisam do medicamento. Concluiu-se que houve um lucro excessivo e que não justificava  critério com o qual se fixou o preço do medicamento.  
     

    A justificativa para o preço elevado deve passar pelos seguintes fatores: Remedios caros são comprados pelos governos, que são pessimos administradores. Se até merenda escolar é ultra-mega-superfaturada, imagina oq se pode fazer com remedios?

    Outro fator são as patentes, asseguradas pelos governos. 

    A saida para isso é o LIVRE MERCADO.
  • Saudações Encosto

    Encosto disse: É ou não é uma maravilha o LIVRE MERCADO?

    Se funciona com remedios, deve funcionar com gasolina, energia eletrica, água, etc, etc.

    É verdade...
    Mas, ainda existe desconfiança do público com relação aos medicamentos genéricos, que vieram para tentar esse mecanismo.  

    Agora, sobre privatizações de serviços monopolizados...  É isso mesmo.
    Encosto disse: A justificativa para o preço elevado deve passar pelos seguintes fatores: Remedios caros são comprados pelos governos, que são pessimos administradores. Se até merenda escolar é ultra-mega-superfaturada, imagina oq se pode fazer com remedios?

    Outro fator são as patentes, asseguradas pelos governos. 

    A saida para isso é o LIVRE MERCADO.

    Pois é... O Bermudez fala da dficuldade de trabalhar com medicamento em laboratórios públicos...
    Embora a Farmanguinhos produza bastante coisa e não somente vacinas da Febre Amarela.

    A proposta é uma saúde pública eficaz e tentar minimizar as doenças negligenciadas.
    Atender ao SUS é atender a saúde pública no seu maior contingente humano..
    Pessoas pobres que não tenham condições de acesso tanto a consultas como a medicamentos..
    Puxa, O SUS é um dos sistemas de saúde mais bem estruturados do mundo.
    E o que vemos... Pouca coisa está funcionando últimamente.
    Muito entrave, muita burrocracia, muito desvio de verbas.


    [Fraternos]

     
     
     " Permaneçam abertos de coração e mente para os "antigos" que criaram todas as coisas; e para seus irmãos e irmãs " !

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  • Vou dizer uma coisa. Pensamos muito em "tecnologia de ponta", mas vamos ter de comer muito arroz com feijão para um dia termos mais disso em nossas mãos. Cá comigo temos tantas outras coisas que, mesmo sem ser o suprassumo de tecnologia de ponta, até por sua simplicidade poderiam um muito melhorar as condições de vida  de muito brasileiro.
    Um exemplo simples: brasileiro da roça caga no mato, ou caga num barraco sobre um buraco ou de outro jeito qualquer, mas o final é que acaba poluindo os riachos à sua volta e dessiminando doenças. Já há tecnologia que consiste numa sucessão de caixas dáguas (de plástico mesmo), por onde a merda passa, decompõe-se, os patogênicos, devido ao tempo de retenção perdem a viabilidade e morrem... E o produto final pode ser usado como adubo. Água servida de banho, pia, tanque, etc, também podem passar por um processo semelhante. Com falta de água, muita gente aprendeu a economizar e a economizar tão bem que houve prefeitura que foi trocar hidrometro achando que estavam com defeito... E o que falei pro campo, vale para as cidades também. Quem sabe eu ainda faça isso na minha o dia que tiver dinheiro (não adianta me sequestrar: sou professor).

    E o mais importante é dar um jeito nessa educação piadista que tempos. Se isso for feito, 50% dos nossos problemas já ficarão resolvidos. E veremos como resolver os 50% faltantes com mais facilidade.
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