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Será que existe um deus bom?

Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
Existe um Deus bom? - por Christopher Hitchens

Traduzido e transcrito por Sergio Viula

Vamos direto ao ponto porque o tempo urge.

Existem, eu suponho, três formas de divino. E, se eliminarmos o politeísmo, o que eu penso ser o que todos nós possivelmente façamos, para o propósito deste dia, há duas maneiras de abordar a divindade: a deísta e a teísta. Não estou dizendo nada novo. Não sei se vocês sabem, mas se não sabem, trata-se de uma distinção muito importante.

Existem aqueles, entre os quais, muitos dos fundadores da nossa grande República, e em particular o Sr. Thomas Jefferson, que não são cristãos, mas que eram deístas. Eles acreditavam em que o universo, a natureza, eram evidências de um ‘designer’ (N.T.: um projetista) implícito por causa de seus padrões e repetições.

Um uso muito comum nos dias de hoje é aquele do relógio, que veio a ser posteriormente parte da Teologia Natural do senhor Paley, que por muitos, muitos anos foi um texto cristão central em favor do argumento do ‘design’ (N.T.: projeto). Ele diz com muita simplicidade: Se você é um aborígene, e caminha pela praia, e encontra um relógio de bolso, e o leva embora, você não sabe para que ele serve. Você não tem qualquer educação do tipo que lhe permita julgar qual seja seu propósito, mas você pode dizer que não se trata de uma rocha. E você pode dizer que não se trata de um vegetal. Você pode dizer que isso só pode ter sido feito por alguém para algum propósito. Isso você sabe ainda que não saiba nada mais.

A metáfora do relógio foi muito usada por deístas. E é claro que relógios se decompõem e enguiçam. E muitos deles criam que, se uma Inteligência havia iniciado o universo, iniciado o processo, ela já não tinha mais nenhum interesse nele, não interferia nos assuntos humanos, não se importava com quem venceu a guerra, não se importava com que país era o líder. Ela assistia a tudo com indiferença, ou não assistia: pragas, fome, guerras e assim por diante.

Aliás, essa é uma posição à qual é muito difícil se opor. É muito difícil desmontá-la. Pode-se dizer que a evidência não é totalmente convincente.

Para ser um teísta, porém, cuja posição provavelmente é a de muitas pessoas aqui, e a que meu oponente sustenta, ser membro de uma religião monoteísta que acredita que a Verdade foi revelada, que Deus realmente intervém nos assuntos humanos, que ele tem um plano para nós – cada um de nós individualmente e também todos nós como espécie -, e que isso está revelado, é uma posição muito mais difícil de ser esposada, e eu vou mostrar porque eu penso que ela seja – mais ou menos – impossível. Existem três maneiras pelas quais eu tentarei demonstrar isso.

Uma é olhar para o Cosmos, para o céu, o mundo para além do que podemos ver ou apreender.

A segunda é a História humana e seu desenvolvimento.

A terceira está em nós mesmos – nossos próprios corpos, nossa constituição.

A menos que não acreditem – eu não sei o que eles ensinaram a vocês – a menos que vocês não acreditem na teoria do que se convencionou chamar de Big Bang (aquela que afirma que o nosso universo tem bilhões de anos de idade e que começou com uma gigantesca explosão que ainda está em andamento), você será forçado a ser muito, muito modesto sobre o que você PODE saber sobre o que quer que seja.

O que preocupa muitos cientistas atualmente não é o quanto eles sabem comparado a cinquenta anos atrás, apesar de ser enorme a diferença, mas quão pouco eles sabem comparado ao que estão descobrindo. As conclusões podem ser tensas, mas, minimamente, eles sabem disso: por alguns milissegundos no tempo cósmico, nossa espécie tem vivido numa pedra muito, muito pequena, num sistema solar muito pequeno, que é uma parte fantástica de um subúrbio sem importância em meio a um incontável número de galáxias, e a cada segundo desde o Big Bang, a cada segundo, uma estrela do tamanho do nosso sol explode e desaparece. Depois de encolher até o que se chama de um anã, ela desaparece.

E a matéria da qual nós somos feitos – alegrem-se, por falar nisso –, vocês todos são poeira de estrela, o que é uma boa maneira de pensar sobre si mesmos, mas esse é o preço pela poeira de estrela: a cada segundo que eu falo, mais um daqueles sóis desaparece. E, na verdade, físicos podem dizer a data, mais ou menos exata, na qual o nosso sol morrerá.

Então, os antigos cristãos revivalistas costumavam ficar parados na esquina com um cartaz dizendo “Arrependei-vos. O final do mundo está próximo!”... Bem, eles estavam certos à sua própria maneira. Nós sabemos que o mundo está se aproximando do fim. Nós sabemos quando vai ser.

Mas nós sabemos de algo ainda mais extraordinário. Nós sabemos que a velocidade desta expansão está realmente aumentando. O universo está se separando para mais longe, mais rápido do que pensávamos que pudesse estar.

Agora, eu não sei quanto a vocês, mas eu e aqueles que estudam isso profissionalmente consideramos impossível reconciliar esse extraordinário e caótico processo de autodestruição com a ideia do dedo de Deus, de encontrar nisso a ideia de um projetista. E não é porque sabemos tão pouco sobre isso, mas porque o que sabemos sobre isso é essencial e não se parece com o resultado proposital trazido à luz por um criador divino e benigno que ama cada um de nós que vivemos nessa minúscula rocha e nesse subúrbio sem importância – o Cosmos.

Então, de novo, boa sorte se vocês quiserem acreditar. Mas, se você está procurando Deus nesses primeiros exemplos, essas são as dificuldades que vocês começarão a encontrar.

Se você quiser tomar a História humana como um indicador, de novo, eu aconselho cautela. E eu vou tomar um exemplo não-cristão se me permitem. Eu considero um grande erro pensar que sua própria causa, ou o seu próprio país, ou o seu próprio posicionamento tem Deus ao seu lado.

Primeiro, porque você comete o pecado do orgulho, contra o qual estou certo de que vocês já foram advertidos – o que os gregos chamam de “hubris”. Isso é provavelmente melhor colocado da forma como Abraão Lincoln disse numa época em que duas facções cristãs estavam disputando se a escravidão era cristã ou não, a fim de decidirem o futuro da União.

Abraão Lincoln, que também não era exatamente um cristão, mas um deísta, se é que era qualquer coisa, disse que seria mais útil descobrir se estamos do lado de Deus do que se Deus está do nosso lado, mas a tentação de defender a ideia de um Deus nosso é muito forte.

De fato, existem muitas pessoas no mundo hoje que são conhecidas como jihadistas, fundamentalistas muçulmanos, pessoas dispostas a matar, e que realmente o fazem, seriamente dispostas a matar todos nessa sala, que tem energia e estão prontas a darem suas vidas porque estão tão certas de que Deus está com elas.

Então, se você deseja acreditar que Deus intervém de um lado ou do outro, que Deus se intromete na História humana, nos assuntos humanos, você tem que convencê-los disto também. Eu não sei se já fizeram isso ou se você diz que só é verdade quando você o diz – o que penso que seria (não seria?) um argumento nada satisfatório.

Não vou tomar os cristãos nem os muçulmanos, mas os judeus. Dizemos que eles têm uma aliança com Deus, cujo testamento nós cristãos, digo, nós da civilização ocidental, incluímos no Livro Sagrado. São aqueles que dizem que viram Deus face a face na Península do Sinai, que receberam a Lei, que tiveram uma revelação direta sobre moralidade, que têm uma aliança especial. Agora, permitam-me falar sobre qual tem sido o problema disso para a liderança religiosa deles.

Cerca de dez anos antes deu nascer, aproximadamente 50 ou 60% das pessoas judias na Europa foram exterminadas de modos revoltantes através de assassinatos em massa, câmaras de gás ou fornos. Na Europa cristã, no meio do século 20, muitas pessoas começaram a se questionar como é que Deus pôde permitir isso ao povo com quem ele tinha um relacionamento especial. Muitas pessoas abandonaram as sinagogas como resultado. Eles deixaram de ir e a maioria das pessoas judias hoje são pós-religiosas, seculares. E o são majoritariamente por essa razão.

Alguns rabinos foram corajosos o suficiente para dizerem: “Não. Existe uma razão para isso. Vocês se afastaram de Deus e esqueceram Israel. Vocês esqueceram Jerusalém. É uma punição pelo exílio. É uma punição pelo desprezo à aliança.”

Muitas pessoas que viram seus filhos serem queimados vivos disseram: “Eu não vou ouvir isso. Estou saindo, deixando a religião.”

E alguns rabinos calaram-se, pensando que talvez não devessem apresentar explicações instantâneas demais para um tão fantástico desastre humano, crime humano. Eles esperaram.

Então, os israelitas venceram uma guerra em 1967 que lhes devolveu o controle sobre os lugares sagrados em Jerusalém. E foi aí que os rabinos sopraram os chifres de novo, dizendo: “Nós devíamos ter esperado. Agora vemos a intenção de Deus. Ele estava nos conduzindo de volta à Palestina, onde sempre deveríamos ter estado, para nos tornar os donos de Jerusalém. Agora vemos qual era o plano.”

Bem, eu ouso dizer que vocês leem os jornais e assistem os noticiários. Não existe um único israelita agora que não se pergunte se a vitória naquela guerra e a conquista daqueles lugares sagrados não foram um desastre que os enfiou numa terrível armadilha de guerras sem fim e confrontos no Oriente Médio; se seu orgulho próprio, sua ocupação de territórios que pertenciam a outras pessoas nos lugares sagrados não os teria levado a um terrível impasse.

Espero que isso dê o que pensar. Provavelmente, o máximo que eu possa fazer hoje seja semear alguma dúvida e sugerir algumas leituras.
Agora, nossos corpos. De novo, eu não sei o que eles disseram a vocês sobre o Sr. Darwin e de onde nós viemos e sobre nossa semelhança com outras espécies de animais. Porém, eu considero essa uma questão muito bem sedimentada – que a nossa semelhança com outros primatas não é exatamente acidental.

Atualmente, é possível medir cromossomos e, de fato, estamos a apenas meio cromossomo de distância de um chimpanzé em sua estrutura.

Todos vocês antes de nascer, enquanto estavam nos úteros de suas mães, cresceram enquanto os outros foram descartados porque não precisavam mais deles. Todos vocês têm um apêndice que não é mais necessário para o tipo de digestão que vocês fazem. Todos vocês têm os mesmos dentes do siso que dão trabalho a tantos porque eram úteis à sobrevivência de outros primatas.

Todos vocês carregam o que Charles Darwin, no livro A Origem das Espécies, chamava de selo inequívoco de sua (nossa) origem: você é um mamífero, um primata, mas relaxe, os primatas são capazes de coisas realmente maravilhosas, mas nós somos adaptados ao ambiente, à savana africana, que abandonamos. E por que a abandonamos? Porque se não a tivéssemos abandonado, entraríamos em extinção.

Houve uma tamanha crise climática na África há alguns milhares de anos que uma pequena tribo, que posteriormente veio a ser nós, tomou a sábia decisão de se mudar para o norte, para fora e para longe. Isso é reconhecido pela National Geographic. Eu recomendo que vocês procurem. A espécie humana se resumia a dois ou três mil indivíduos naquele momento. E se os ancestrais não tivessem feito esse movimento, veja esse número, nós teríamos ido pelo mesmo caminho das espécies que perfizeram 99,8% de todas as espécies que já existiram nesse planeta, ou seja, teríamos nos tornado extintos.

Só quero enfatizar: 99,8% de todas as formas de vida que já apareceram nesse globo terrestre desapareceram, foram varridas, e isso quase aconteceu conosco. E isso não me parece qualquer evidência de um plano ou da figura de um deus de qualquer tipo, muito menos um que nos queira bem. Pelo contrário, isso me sugere que a natureza e a vida humana são uma luta.

Agora, é realmente digno do seu tempo que você escreva para a National Geographic. Eles enviarão um kit para você. Esfregue a parte interna de sua bochecha, coloque-o na solução enviada e devolva para eles, e eles lhe mostrarão num mapa de onde seus ancestrais vieram na África, o tempo e que rota eles tomaram para chegarem onde você está agora. Será uma coisa fantástica. Eu recomendo expressamente que o façam.

E enquanto eu tenho a atenção de vocês, eu sugiro que leiam um livro sobre Evolução escrito pelo Dr. Francis Collins, chamado a The Language of God (A Linguagem de Deus).

Dr. Collins, como vocês sabem, dirige o Projeto Genoma que analisa nossa semelhança com outras espécies animais, extensivo ao nosso código genético, nosso DNA, incluindo as lacunas confusas nele, que são sua especialidade. Ele apresentou isso à frente de seu tempo. Ele é o maior cientista nos estudos do DNA e células-tronco que temos entre nós. Eu diria que ele é o maior médico americano vivo. Eu sou suspeito porque ele é um grande amigo meu e tem sido de grande ajuda para mim no que diz respeito à minha doença.

Ele é um grande americano. Ele também é um grande cristão. Por isso, eu o recomendo a vocês. Ele é um cristão que acredita fortemente. E ele diz num capítulo do livro The Language of God: “Não desperdice seu tempo não acreditando na Evolução. Não permita que ninguém lhe diga que ela não aconteceu.” É um capítulo bonito, simples, claro e brilhante. É um capítulo sem o qual você não pode se considerar educado.

Vou encerrar dizendo, pois só tenho um minuto, por que eu não acreditaria, por que não quereria acreditar, se poderia ser verdade? Minha visão não é apenas de que não é verdade, mas também que é muito bom que não seja. E por que não é uma coisa boa? Porque eu não penso que seja saudável para as pessoas quererem que haja uma permanente, inalterável e irremovível autoridade sobre elas. Eu não gosto da ideia de um pai que nunca se vai. E nem vocês gostarão se pararem para pensar nisso.

Você, como pai, chegaria para o seu filho e diria: Não se preocupe, eu nunca vou morrer. Você não estará no meu funeral. Eu estarei no seu e no dos seus netos. Você nunca ouvirá sobre o meu fim. Isso não é nada amável.

Ou a ideia de um rei que não pode ser deposto – uma ideia muito anti-americana, uma vez que é muito anti-democrática.

A ideia de um juiz que não permite um advogado ou júri ou uma apelação. Isso é puro absolutismo. É aquela parte de nós que não é tão boa que deseja segurança, que deseja certeza, que deseja ser cuidada.

Por centenas e centenas de anos, o esforço humana por liberdade ia contra o pior tipo de ditadura de todos: a teocracia. Aquela que alega ter Deus do seu lado, o direito divino dos reis, o sistema feudal, a monarquia que a revolução americana, com seu humanismo secular, combateu. Eu creio que temos que resistir à tentação totalitária. E eu penso que este seja o centro de sua origem.

Então o que eu estou convidando vocês a fazerem é considerar emanciparem a si mesmos da ideia egoísta de que vocês são o motivo central de todas as maravilhas dos Cosmos e da Natureza. Essa não é uma ideia humilde de modo algum. É muito arrogante e não há qualquer evidência de que seja assim. Vocês deveriam emancipar-se e estudar genética, biologia e cosmologia.

E, então, de novo, a segunda emancipação: Pensarem sobre si mesmos como cidadãos que não devem qualquer coisa a qualquer entidade sobrenatural ou autoridade eterna, sempre interpretada por outros mamíferos que alegam terem acesso a essa autoridade – o que lhes dá poder especial sobre você. Não neguem a si mesmos. Não permitam que suas vidas sejam governadas assim.

Comentários

  • Fernando_Silva disse:
    Existe um Deus bom? - por Christopher Hitchens

    Traduzido e transcrito por Sergio Viula

    Vamos direto ao ponto porque o tempo urge.

    Existem, eu suponho, três formas de divino. E, se eliminarmos o politeísmo, o que eu penso ser o que todos nós possivelmente façamos, para o propósito deste dia, há duas maneiras de abordar a divindade: a deísta e a teísta. Não estou dizendo nada novo. Não sei se vocês sabem, mas se não sabem, trata-se de uma distinção muito importante.

    Existem aqueles, entre os quais, muitos dos fundadores da nossa grande República, e em particular o Sr. Thomas Jefferson, que não são cristãos, mas que eram deístas. Eles acreditavam em que o universo, a natureza, eram evidências de um ‘designer’ (N.T.: um projetista) implícito por causa de seus padrões e repetições.

    Um uso muito comum nos dias de hoje é aquele do relógio, que veio a ser posteriormente parte da Teologia Natural do senhor Paley, que por muitos, muitos anos foi um texto cristão central em favor do argumento do ‘design’ (N.T.: projeto). Ele diz com muita simplicidade: Se você é um aborígene, e caminha pela praia, e encontra um relógio de bolso, e o leva embora, você não sabe para que ele serve. Você não tem qualquer educação do tipo que lhe permita julgar qual seja seu propósito, mas você pode dizer que não se trata de uma rocha. E você pode dizer que não se trata de um vegetal. Você pode dizer que isso só pode ter sido feito por alguém para algum propósito. Isso você sabe ainda que não saiba nada mais.

    A metáfora do relógio foi muito usada por deístas. E é claro que relógios se decompõem e enguiçam. E muitos deles criam que, se uma Inteligência havia iniciado o universo, iniciado o processo, ela já não tinha mais nenhum interesse nele, não interferia nos assuntos humanos, não se importava com quem venceu a guerra, não se importava com que país era o líder. Ela assistia a tudo com indiferença, ou não assistia: pragas, fome, guerras e assim por diante.

    Aliás, essa é uma posição à qual é muito difícil se opor. É muito difícil desmontá-la. Pode-se dizer que a evidência não é totalmente convincente.

    Para ser um teísta, porém, cuja posição provavelmente é a de muitas pessoas aqui, e a que meu oponente sustenta, ser membro de uma religião monoteísta que acredita que a Verdade foi revelada, que Deus realmente intervém nos assuntos humanos, que ele tem um plano para nós – cada um de nós individualmente e também todos nós como espécie -, e que isso está revelado, é uma posição muito mais difícil de ser esposada, e eu vou mostrar porque eu penso que ela seja – mais ou menos – impossível. Existem três maneiras pelas quais eu tentarei demonstrar isso.

    Uma é olhar para o Cosmos, para o céu, o mundo para além do que podemos ver ou apreender.

    A segunda é a História humana e seu desenvolvimento.

    A terceira está em nós mesmos – nossos próprios corpos, nossa constituição.

    A menos que não acreditem – eu não sei o que eles ensinaram a vocês – a menos que vocês não acreditem na teoria do que se convencionou chamar de Big Bang (aquela que afirma que o nosso universo tem bilhões de anos de idade e que começou com uma gigantesca explosão que ainda está em andamento), você será forçado a ser muito, muito modesto sobre o que você PODE saber sobre o que quer que seja.

    O que preocupa muitos cientistas atualmente não é o quanto eles sabem comparado a cinquenta anos atrás, apesar de ser enorme a diferença, mas quão pouco eles sabem comparado ao que estão descobrindo. As conclusões podem ser tensas, mas, minimamente, eles sabem disso: por alguns milissegundos no tempo cósmico, nossa espécie tem vivido numa pedra muito, muito pequena, num sistema solar muito pequeno, que é uma parte fantástica de um subúrbio sem importância em meio a um incontável número de galáxias, e a cada segundo desde o Big Bang, a cada segundo, uma estrela do tamanho do nosso sol explode e desaparece. Depois de encolher até o que se chama de um anã, ela desaparece.

    E a matéria da qual nós somos feitos – alegrem-se, por falar nisso –, vocês todos são poeira de estrela, o que é uma boa maneira de pensar sobre si mesmos, mas esse é o preço pela poeira de estrela: a cada segundo que eu falo, mais um daqueles sóis desaparece. E, na verdade, físicos podem dizer a data, mais ou menos exata, na qual o nosso sol morrerá.

    Então, os antigos cristãos revivalistas costumavam ficar parados na esquina com um cartaz dizendo “Arrependei-vos. O final do mundo está próximo!”... Bem, eles estavam certos à sua própria maneira. Nós sabemos que o mundo está se aproximando do fim. Nós sabemos quando vai ser.

    Mas nós sabemos de algo ainda mais extraordinário. Nós sabemos que a velocidade desta expansão está realmente aumentando. O universo está se separando para mais longe, mais rápido do que pensávamos que pudesse estar.

    Agora, eu não sei quanto a vocês, mas eu e aqueles que estudam isso profissionalmente consideramos impossível reconciliar esse extraordinário e caótico processo de autodestruição com a ideia do dedo de Deus, de encontrar nisso a ideia de um projetista. E não é porque sabemos tão pouco sobre isso, mas porque o que sabemos sobre isso é essencial e não se parece com o resultado proposital trazido à luz por um criador divino e benigno que ama cada um de nós que vivemos nessa minúscula rocha e nesse subúrbio sem importância – o Cosmos.

    Então, de novo, boa sorte se vocês quiserem acreditar. Mas, se você está procurando Deus nesses primeiros exemplos, essas são as dificuldades que vocês começarão a encontrar.

    Se você quiser tomar a História humana como um indicador, de novo, eu aconselho cautela. E eu vou tomar um exemplo não-cristão se me permitem. Eu considero um grande erro pensar que sua própria causa, ou o seu próprio país, ou o seu próprio posicionamento tem Deus ao seu lado.

    Primeiro, porque você comete o pecado do orgulho, contra o qual estou certo de que vocês já foram advertidos – o que os gregos chamam de “hubris”. Isso é provavelmente melhor colocado da forma como Abraão Lincoln disse numa época em que duas facções cristãs estavam disputando se a escravidão era cristã ou não, a fim de decidirem o futuro da União.

    Abraão Lincoln, que também não era exatamente um cristão, mas um deísta, se é que era qualquer coisa, disse que seria mais útil descobrir se estamos do lado de Deus do que se Deus está do nosso lado, mas a tentação de defender a ideia de um Deus nosso é muito forte.

    De fato, existem muitas pessoas no mundo hoje que são conhecidas como jihadistas, fundamentalistas muçulmanos, pessoas dispostas a matar, e que realmente o fazem, seriamente dispostas a matar todos nessa sala, que tem energia e estão prontas a darem suas vidas porque estão tão certas de que Deus está com elas.

    Então, se você deseja acreditar que Deus intervém de um lado ou do outro, que Deus se intromete na História humana, nos assuntos humanos, você tem que convencê-los disto também. Eu não sei se já fizeram isso ou se você diz que só é verdade quando você o diz – o que penso que seria (não seria?) um argumento nada satisfatório.

    Não vou tomar os cristãos nem os muçulmanos, mas os judeus. Dizemos que eles têm uma aliança com Deus, cujo testamento nós cristãos, digo, nós da civilização ocidental, incluímos no Livro Sagrado. São aqueles que dizem que viram Deus face a face na Península do Sinai, que receberam a Lei, que tiveram uma revelação direta sobre moralidade, que têm uma aliança especial. Agora, permitam-me falar sobre qual tem sido o problema disso para a liderança religiosa deles.

    Cerca de dez anos antes deu nascer, aproximadamente 50 ou 60% das pessoas judias na Europa foram exterminadas de modos revoltantes através de assassinatos em massa, câmaras de gás ou fornos. Na Europa cristã, no meio do século 20, muitas pessoas começaram a se questionar como é que Deus pôde permitir isso ao povo com quem ele tinha um relacionamento especial. Muitas pessoas abandonaram as sinagogas como resultado. Eles deixaram de ir e a maioria das pessoas judias hoje são pós-religiosas, seculares. E o são majoritariamente por essa razão.

    Alguns rabinos foram corajosos o suficiente para dizerem: “Não. Existe uma razão para isso. Vocês se afastaram de Deus e esqueceram Israel. Vocês esqueceram Jerusalém. É uma punição pelo exílio. É uma punição pelo desprezo à aliança.”

    Muitas pessoas que viram seus filhos serem queimados vivos disseram: “Eu não vou ouvir isso. Estou saindo, deixando a religião.”

    E alguns rabinos calaram-se, pensando que talvez não devessem apresentar explicações instantâneas demais para um tão fantástico desastre humano, crime humano. Eles esperaram.

    Então, os israelitas venceram uma guerra em 1967 que lhes devolveu o controle sobre os lugares sagrados em Jerusalém. E foi aí que os rabinos sopraram os chifres de novo, dizendo: “Nós devíamos ter esperado. Agora vemos a intenção de Deus. Ele estava nos conduzindo de volta à Palestina, onde sempre deveríamos ter estado, para nos tornar os donos de Jerusalém. Agora vemos qual era o plano.”

    Bem, eu ouso dizer que vocês leem os jornais e assistem os noticiários. Não existe um único israelita agora que não se pergunte se a vitória naquela guerra e a conquista daqueles lugares sagrados não foram um desastre que os enfiou numa terrível armadilha de guerras sem fim e confrontos no Oriente Médio; se seu orgulho próprio, sua ocupação de territórios que pertenciam a outras pessoas nos lugares sagrados não os teria levado a um terrível impasse.

    Espero que isso dê o que pensar. Provavelmente, o máximo que eu possa fazer hoje seja semear alguma dúvida e sugerir algumas leituras.
    Agora, nossos corpos. De novo, eu não sei o que eles disseram a vocês sobre o Sr. Darwin e de onde nós viemos e sobre nossa semelhança com outras espécies de animais. Porém, eu considero essa uma questão muito bem sedimentada – que a nossa semelhança com outros primatas não é exatamente acidental.

    Atualmente, é possível medir cromossomos e, de fato, estamos a apenas meio cromossomo de distância de um chimpanzé em sua estrutura.

    Todos vocês antes de nascer, enquanto estavam nos úteros de suas mães, cresceram enquanto os outros foram descartados porque não precisavam mais deles. Todos vocês têm um apêndice que não é mais necessário para o tipo de digestão que vocês fazem. Todos vocês têm os mesmos dentes do siso que dão trabalho a tantos porque eram úteis à sobrevivência de outros primatas.

    Todos vocês carregam o que Charles Darwin, no livro A Origem das Espécies, chamava de selo inequívoco de sua (nossa) origem: você é um mamífero, um primata, mas relaxe, os primatas são capazes de coisas realmente maravilhosas, mas nós somos adaptados ao ambiente, à savana africana, que abandonamos. E por que a abandonamos? Porque se não a tivéssemos abandonado, entraríamos em extinção.

    Houve uma tamanha crise climática na África há alguns milhares de anos que uma pequena tribo, que posteriormente veio a ser nós, tomou a sábia decisão de se mudar para o norte, para fora e para longe. Isso é reconhecido pela National Geographic. Eu recomendo que vocês procurem. A espécie humana se resumia a dois ou três mil indivíduos naquele momento. E se os ancestrais não tivessem feito esse movimento, veja esse número, nós teríamos ido pelo mesmo caminho das espécies que perfizeram 99,8% de todas as espécies que já existiram nesse planeta, ou seja, teríamos nos tornado extintos.

    Só quero enfatizar: 99,8% de todas as formas de vida que já apareceram nesse globo terrestre desapareceram, foram varridas, e isso quase aconteceu conosco. E isso não me parece qualquer evidência de um plano ou da figura de um deus de qualquer tipo, muito menos um que nos queira bem. Pelo contrário, isso me sugere que a natureza e a vida humana são uma luta.

    Agora, é realmente digno do seu tempo que você escreva para a National Geographic. Eles enviarão um kit para você. Esfregue a parte interna de sua bochecha, coloque-o na solução enviada e devolva para eles, e eles lhe mostrarão num mapa de onde seus ancestrais vieram na África, o tempo e que rota eles tomaram para chegarem onde você está agora. Será uma coisa fantástica. Eu recomendo expressamente que o façam.

    E enquanto eu tenho a atenção de vocês, eu sugiro que leiam um livro sobre Evolução escrito pelo Dr. Francis Collins, chamado a The Language of God (A Linguagem de Deus).

    Dr. Collins, como vocês sabem, dirige o Projeto Genoma que analisa nossa semelhança com outras espécies animais, extensivo ao nosso código genético, nosso DNA, incluindo as lacunas confusas nele, que são sua especialidade. Ele apresentou isso à frente de seu tempo. Ele é o maior cientista nos estudos do DNA e células-tronco que temos entre nós. Eu diria que ele é o maior médico americano vivo. Eu sou suspeito porque ele é um grande amigo meu e tem sido de grande ajuda para mim no que diz respeito à minha doença.

    Ele é um grande americano. Ele também é um grande cristão. Por isso, eu o recomendo a vocês. Ele é um cristão que acredita fortemente. E ele diz num capítulo do livro The Language of God: “Não desperdice seu tempo não acreditando na Evolução. Não permita que ninguém lhe diga que ela não aconteceu.” É um capítulo bonito, simples, claro e brilhante. É um capítulo sem o qual você não pode se considerar educado.

    Vou encerrar dizendo, pois só tenho um minuto, por que eu não acreditaria, por que não quereria acreditar, se poderia ser verdade? Minha visão não é apenas de que não é verdade, mas também que é muito bom que não seja. E por que não é uma coisa boa? Porque eu não penso que seja saudável para as pessoas quererem que haja uma permanente, inalterável e irremovível autoridade sobre elas. Eu não gosto da ideia de um pai que nunca se vai. E nem vocês gostarão se pararem para pensar nisso.

    Você, como pai, chegaria para o seu filho e diria: Não se preocupe, eu nunca vou morrer. Você não estará no meu funeral. Eu estarei no seu e no dos seus netos. Você nunca ouvirá sobre o meu fim. Isso não é nada amável.

    Ou a ideia de um rei que não pode ser deposto – uma ideia muito anti-americana, uma vez que é muito anti-democrática.

    A ideia de um juiz que não permite um advogado ou júri ou uma apelação. Isso é puro absolutismo. É aquela parte de nós que não é tão boa que deseja segurança, que deseja certeza, que deseja ser cuidada.

    Por centenas e centenas de anos, o esforço humana por liberdade ia contra o pior tipo de ditadura de todos: a teocracia. Aquela que alega ter Deus do seu lado, o direito divino dos reis, o sistema feudal, a monarquia que a revolução americana, com seu humanismo secular, combateu. Eu creio que temos que resistir à tentação totalitária. E eu penso que este seja o centro de sua origem.

    Então o que eu estou convidando vocês a fazerem é considerar emanciparem a si mesmos da ideia egoísta de que vocês são o motivo central de todas as maravilhas dos Cosmos e da Natureza. Essa não é uma ideia humilde de modo algum. É muito arrogante e não há qualquer evidência de que seja assim. Vocês deveriam emancipar-se e estudar genética, biologia e cosmologia.

    E, então, de novo, a segunda emancipação: Pensarem sobre si mesmos como cidadãos que não devem qualquer coisa a qualquer entidade sobrenatural ou autoridade eterna, sempre interpretada por outros mamíferos que alegam terem acesso a essa autoridade – o que lhes dá poder especial sobre você. Não neguem a si mesmos. Não permitam que suas vidas sejam governadas assim.

    Deus é tão bom que criou o mal para toda humanidade sofrer .
    Não tenho motivos pra acreditar em uma Divindade .
    O campo do saber é denso e inesgotável , isso é fascinante e muitas vezes frustrante .
    O futuro é = 1 e não pode ser outro .Que a sorte nos acompanhe amém .
    "Eu canto com a minha alma, com o meu corpo, com o meu sexo... Eu canto inteira! "
     Janis Joplin
    Azafatas-a-todo-o-nada.jpg
     
  • Não tenho motivos pra acreditar em uma Divindade .
    O campo do saber é denso e inesgotável , isso é fascinante e muitas vezes frustrante .
    O futuro é = 1 e não pode ser outro .Que a sorte nos acompanhe amém .
    "Eu canto com a minha alma, com o meu corpo, com o meu sexo... Eu canto inteira! "
     Janis Joplin
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  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    editado January 8
    Saiba escutar e interpretar o silêncio de Deus.
    Reflexión:

    Muchas veces nos preguntamos: ¿Por qué razón Dios no nos contesta.? ¿Por qué se queda callado?.  Muchos de nosotros quisiéramos que Él nos respondiera lo que deseamos oír pero, Dios no es así. Dios nos responde aún con el silencio. Debemos aprender a escucharlo. Su Divino Silencio, son palabras destinadas a convencernos de que, El sabe lo que está haciendo. En su silencio nos dice con amor: ¡Confiad en mí, que se bien lo que debo hacer!. ¿Estás dispuesto a hacer silencio en el Obrar de Dios en tu vida?
    https://enlacecatolico.info/saber-interpretar-gran-silencio-dios-dios-calla-veces/

     
  • EmmedradoEmmedrado Member
    editado January 8
    Fernando_Silva disse: Saiba escutar e interpretar o silêncio de Deus.
    Reflexión:

    Muchas veces nos preguntamos: ¿Por qué razón Dios no nos contesta.? ¿Por qué se queda callado?.  Muchos de nosotros quisiéramos que Él nos respondiera lo que deseamos oír pero, Dios no es así. Dios nos responde aún con el silencio. Debemos aprender a escucharlo. Su Divino Silencio, son palabras destinadas a convencernos de que, El sabe lo que está haciendo. En su silencio nos dice con amor: ¡Confiad en mí, que se bien lo que debo hacer!. ¿Estás dispuesto a hacer silencio en el Obrar de Dios en tu vida?
    https://enlacecatolico.info/saber-interpretar-gran-silencio-dios-dios-calla-veces/

     

    É cada desculpa .
    Não tenho motivos pra acreditar em uma Divindade .
    O campo do saber é denso e inesgotável , isso é fascinante e muitas vezes frustrante .
    O futuro é = 1 e não pode ser outro .Que a sorte nos acompanhe amém .
    "Eu canto com a minha alma, com o meu corpo, com o meu sexo... Eu canto inteira! "
     Janis Joplin
    Azafatas-a-todo-o-nada.jpg
     
  • Se Deus fosse bom, amá-lo não seria um mandamento...
  • JudasJudas Moderator
    editado January 9
    Saiba escutar e interpretar o silêncio de Deus.

    É um bug mental.
    A mais escandalosa contradição é ignorada em nome do benefício que o auto engano traz.
  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    Interprete uma folha que não existe ... e está em branco ...
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