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Se dependesse de ter arma em casa pra deter Hitler, a Suíça hoje falaria alemão

Agora a bola da vez é a questão das armas. Toda vez que rola um massacrezinho de rotina nos EUA começa a discussão sobre desarmamento, chegamos ao limite, algo precisa ser feito, etc. Numa versão especialmente cruel do Dia da Marmota as pessoas repetem o mesmo discurso TODAS as vezes, e nada acontece. Se ao menos houvesse um nome pro ato de fazer a mesma coisa várias vezes esperando resultados diferentes…

O Brasil, que adora macaquear os EUA trouxe para cá a discussão, com a esquerda passando pano pra bandido e a direita achando que a solução pra todos os problemas do mundo é uma arma na mão e uma idéia de jerico na cabeça.

Ficasse só nisso, ótimo, mas as fanfics agora mexeram com a História, e há gente espalhando que a Suíça é um paraíso de armas, com todo mundo tendo um arsenal em casa e por causa disso Hitler não invadiu o país durante a Segunda Guerra Mundial. É mentira, claro. Claro? Nah, como sempre a verdade é bem mais complicada do que o discurso bem vs mal, direita vs esquerda preto vs branco das militâncias de todas as cores.

A Suíça Pacifista
Essa é a primeira besteira. A Suíça não é pacifista, ela é neutra, mas bem armada. Imagine uma Wakanda Ariana, ou Whitekanda. Eles vivem sob o lema do autor romano do Século V Publius Flavius Vegetius Renatus: “Si vis pacem, para bellum”. Se quer paz, prepare-se para a guerra.

Por toda a Idade Média um dos maiores produtos de exportação da Suíça foram forças armadas. Mercenários suíços eram considerados os melhores, mais leais, confiáveis, bem-equipados e treinados soldados que o dinheiro podia comprar. Eles lutaram em quase todas as guerras e conflitos até o final do Século XIX. Com o fortalecimento da política isolacionista de Whitekanda, se tornou proibido para cidadãos suíços servir em exércitos estrangeiros, mas na prática isso continuou acontecendo individualmente, e um grupo de mercenários em especial teve permissão para manter seus postos: A Pontificia Cohors Helvetica. Ou Guarda Suíça Papal.

Criada em 1506 a Guarda é uma tropa de elite escolhida a dedo com soldados altamente treinados para proteger o Papa, afinal não é como se ele tivesse Amigos Poderosos. Apesar dos ridículos uniformes desenhados por Michelângelo, a Guarda é bem séria, e a quantidade de atentados que eles já evitaram é um segredo bem-guardado. E sim, as armas deles usam o Selo Papal.

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A Suíça Não Tem Exército

A tradição militar do país vem desde 1291, quando três cantões fizeram um pacto de defesa para se proteger dos Habsburgos. Logo mais dois se uniram, viram que era mais interessante parar de brigar entre si e proteger as fronteiras,e todas as regras militares passaram a ser pensadas para isso.

Já vi essa besteira sendo ventilada por aí. Há até um fundo de verdade, realmente no começo os cantões eram proibidos de ter exército, só podiam ter uma força de defesa interna que seria equivalente à polícia, mas em compensação 2% da população deveria ficar à disposição das Forças Armadas da Confederação, que tecnicamente não podia ter exército também, só quando precisasse.

Esses homens eram treinados e ficavam à disposição como reservistas até mais ou menos os 30 anos de idade. Com isso conseguiram o melhor de dois mundos: Uma força armada com treinamento básico que pode ser mobilizada rapidamente, sem o custo de manter um enorme exército regular. Mais tarde o percentual de “voluntários” subiu para 3%, e em 1874 a Constituição foi alterada definindo que todo cidadão homem saudável poderia ser convocado.

Com a instituição do serviço militar obrigatório, 20 mil pessoas todo ano atingem os 19 anos (18, se voluntários) e passam 18 semanas no curso básico, após o qual se tornam reservistas até 34 anos para soldados, 36 para sub-oficiais a 52 para os oficiais de alto escalão.



As forças armadas da Suíca tem 134.886 membros, de uma população de 8,4 milhões de pessoas. Isso é um terço do contingente brasileiro, mas a nossa população é 22 vezes maior. Em caso de necessidade a Suíça tem um corpo de reservistas de 1.8 milhões de homens e 1.8 milhões mulheres, e se a coisa ficar feia mesmo, há mais 1.5 milhões de homens e 1.47 milhões de mulheres que podem ser também convocados.

A relação combatentes por habitante da Suíça só perde para Israel. Durante a Segunda Guerra Mundial eles chegaram a mobilizar 850 mil soldados.

O grande trunfo é que todo esse contingente de reservistas funciona em regime de milícia. Após o treinamento o soldado leva seu equipamento para casa, incluindo a arma (mais sobre isso depois), passa por constantes treinos de reciclagem e em caso de necessidade estão prontos pra combate, é só soar o alarme.

A suíça tem uma formidável estrutura de túneis e bases secretas escondidas em montanhas, criadas para a Segunda Guerra Mundial e atualizadas para a Guerra Fria. Hoje ela conta com caças avançados, várias agências de inteligência, artilharia, tanques, pacote completo. Como Anakin descobriu da pior forma, é bem difícil atacar quem está na posição mais alta.
  “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]

Comentários

  • PercivalPercival Member
    As Forças Armadas da Suíça Na Segunda Guerra

    a205987002a05bbf38a63baed749ae9d.jpg

    Assim como na guerra anterior, a Suíça assumiu a posição de Neutralidade Armada. Controlando as fronteiras, se prepararam e deixaram bem claro que tomar o país seria algo com um custo muito alto, e que Hitler não sobreviveria a muitas vitórias como essa. O aviso também valeu para os Aliados.

    Um dos maiores problemas eram as violações de espaço aéreo. Aviões do Eixo e dos Aliados constantemente usavam a Suíça para cortar caminho, e constantemente eram derrubados. Hitler especialmente odiava ver aviões alemães sendo usados para derrubar aviões alemães. Já os aliados bombardeavam cidades suíças por engano, eram derrubados em resposta, e algumas centenas de aviadores foram capturados e presos em estações de esqui transformadas em campos de prisioneiros, até o final da guerra.

    Não que Hitler não estivesse de olho na Suíça, a Operação Tannenbaum era exatamente isso, um plano de invasão, mas nunca chegou a ser executado, e outros métodos, como tomar o poder politicamente não deram certo. Havia uma simpatia pelos nazistas no país, mas os suíços tinham um nacionalismo forte demais pra abrir mão do país em nome de uma unificação, e a histórica afinidade com democracia e Direitos Humanos também falou mais alto.

    Hitler Não Invadiu Por Quê?
    Como sempre, uma série de fatores. Ele estava ocupado com outras frentes, taticamente não havia ganho invadir um país que não tem intenção de te atacar. A Suíça também era útil livre, pois era um centro de espionagem, tanto os nazistas quanto os aliados fervilhavam as ruas de espiões.

    Outra questão prática eram os túneis nos Alpes, a única ligação direta entre Itália e Alemanha. Caso fosse atacada a Suíça destruiria os túneis e as pontes, o Eixo levaria anos pra reconstruir tudo. Foi feito um acordo onde a Suíça permaneceria como parceira comercial da Alemanha, venderia seus produtos manufaturados, e em troca compraria matérias-primas, e como concessão permitira que o Eixo trafegasse vagões selados pelos túneis.



    Havia também o Franco Suíço, uma das poucas moedas (sorry) francas disponíveis, aceitas por todos os lados da Guerra. Bem mais atraente do que ser pago em Marcos do Reich, Hitler perder e alguém avisar que o dinheiro não vale mais nada. Ambos os lados venderam grande quantidade de ouro e foram pagos em Francos Suíços, mas essa talvez seja a razão menos importante para Hitler não ter invadido. Estima-se que o comércio com a Suíça incluindo a compra de Francos contribuiu para 0,5% do esforço de guerra da Alemanha.

    Em resumo: Hitler não invadir a Suíça porque não precisava e não teve tempo. Não tem nada a ver com gente tendo arma em casa, e quanto a isso…
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • PercivalPercival Member
    Se dependesse de ter arma em casa pra deter Hitler, a Suíça hoje falaria alemão
    Cardoso 07/03/2018


    O discurso militante hoje em dia serve ao menos pra gerar ótimas peças de humor. Em geral o pessoal de esquerda é o responsável pelas melhores obras de humor involuntário, como o sujeito que disse que a Segunda Guerra Mundial foi uma guerra de “países de gente branca”, literalmente esquecendo Filipinas, Japão, Brasil, etc. Também tem o ótimo livreto acusando os EUA de jogar a “bomba de hidrogênio” no Japão e não na Alemanha por causa do racismo.

    A direita por sua vez tem uns bons revisionismos históricos, em uma ingratidão vergonhosa rejeitaram Hitler e começaram a dizer que ele era de esquerda. Sim, Hitler era do PT mas a realidade é mais complicada que isso.

    Agora a bola da vez é a questão das armas. Toda vez que rola um massacrezinho de rotina nos EUA começa a discussão sobre desarmamento, chegamos ao limite, algo precisa ser feito, etc. Numa versão especialmente cruel do Dia da Marmota as pessoas repetem o mesmo discurso TODAS as vezes, e nada acontece. Se ao menos houvesse um nome pro ato de fazer a mesma coisa várias vezes esperando resultados diferentes…

    O Brasil, que adora macaquear os EUA trouxe para cá a discussão, com a esquerda passando pano pra bandido e a direita achando que a solução pra todos os problemas do mundo é uma arma na mão e uma idéia de jerico na cabeça.

    Ficasse só nisso, ótimo, mas as fanfics agora mexeram com a História, e há gente espalhando que a Suíça é um paraíso de armas, com todo mundo tendo um arsenal em casa e por causa disso Hitler não invadiu o país durante a Segunda Guerra Mundial. É mentira, claro. Claro? Nah, como sempre a verdade é bem mais complicada do que o discurso bem vs mal, direita vs esquerda preto vs branco das militâncias de todas as cores.

    A Suíça Pacifista
    Essa é a primeira besteira. A Suíça não é pacifista, ela é neutra, mas bem armada. Imagine uma Wakanda Ariana, ou Whitekanda. Eles vivem sob o lema do autor romano do Século V Publius Flavius Vegetius Renatus: “Si vis pacem, para bellum”. Se quer paz, prepare-se para a guerra.

    Por toda a Idade Média um dos maiores produtos de exportação da Suíça foram forças armadas. Mercenários suíços eram considerados os melhores, mais leais, confiáveis, bem-equipados e treinados soldados que o dinheiro podia comprar. Eles lutaram em quase todas as guerras e conflitos até o final do Século XIX. Com o fortalecimento da política isolacionista de Whitekanda, se tornou proibido para cidadãos suíços servir em exércitos estrangeiros, mas na prática isso continuou acontecendo individualmente, e um grupo de mercenários em especial teve permissão para manter seus postos: A Pontificia Cohors Helvetica. Ou Guarda Suíça Papal.

    Criada em 1506 a Guarda é uma tropa de elite escolhida a dedo com soldados altamente treinados para proteger o Papa, afinal não é como se ele tivesse Amigos Poderosos. Apesar dos ridículos uniformes desenhados por Michelângelo, a Guarda é bem séria, e a quantidade de atentados que eles já evitaram é um segredo bem-guardado. E sim, as armas deles usam o Selo Papal.





    A Suíça Não Tem Exército


    A tradição militar do país vem desde 1291, quando três cantões fizeram um pacto de defesa para se proteger dos Habsburgos. Logo mais dois se uniram, viram que era mais interessante parar de brigar entre si e proteger as fronteiras,e todas as regras militares passaram a ser pensadas para isso.

    Já vi essa besteira sendo ventilada por aí. Há até um fundo de verdade, realmente no começo os cantões eram proibidos de ter exército, só podiam ter uma força de defesa interna que seria equivalente à polícia, mas em compensação 2% da população deveria ficar à disposição das Forças Armadas da Confederação, que tecnicamente não podia ter exército também, só quando precisasse.

    Esses homens eram treinados e ficavam à disposição como reservistas até mais ou menos os 30 anos de idade. Com isso conseguiram o melhor de dois mundos: Uma força armada com treinamento básico que pode ser mobilizada rapidamente, sem o custo de manter um enorme exército regular. Mais tarde o percentual de “voluntários” subiu para 3%, e em 1874 a Constituição foi alterada definindo que todo cidadão homem saudável poderia ser convocado.

    Com a instituição do serviço militar obrigatório, 20 mil pessoas todo ano atingem os 19 anos (18, se voluntários) e passam 18 semanas no curso básico, após o qual se tornam reservistas até 34 anos para soldados, 36 para sub-oficiais a 52 para os oficiais de alto escalão.



    As forças armadas da Suíca tem 134.886 membros, de uma população de 8,4 milhões de pessoas. Isso é um terço do contingente brasileiro, mas a nossa população é 22 vezes maior. Em caso de necessidade a Suíça tem um corpo de reservistas de 1.8 milhões de homens e 1.8 milhões mulheres, e se a coisa ficar feia mesmo, há mais 1.5 milhões de homens e 1.47 milhões de mulheres que podem ser também convocados.

    A relação combatentes por habitante da Suíça só perde para Israel. Durante a Segunda Guerra Mundial eles chegaram a mobilizar 850 mil soldados.

    O grande trunfo é que todo esse contingente de reservistas funciona em regime de milícia. Após o treinamento o soldado leva seu equipamento para casa, incluindo a arma (mais sobre isso depois), passa por constantes treinos de reciclagem e em caso de necessidade estão prontos pra combate, é só soar o alarme.

    A suíça tem uma formidável estrutura de túneis e bases secretas escondidas em montanhas, criadas para a Segunda Guerra Mundial e atualizadas para a Guerra Fria. Hoje ela conta com caças avançados, várias agências de inteligência, artilharia, tanques, pacote completo. Como Anakin descobriu da pior forma, é bem difícil atacar quem está na posição mais alta.

    As Forças Armadas da Suíça Na Segunda Guerra


    Assim como na guerra anterior, a Suíça assumiu a posição de Neutralidade Armada. Controlando as fronteiras, se prepararam e deixaram bem claro que tomar o país seria algo com um custo muito alto, e que Hitler não sobreviveria a muitas vitórias como essa. O aviso também valeu para os Aliados.

    Um dos maiores problemas eram as violações de espaço aéreo. Aviões do Eixo e dos Aliados constantemente usavam a Suíça para cortar caminho, e constantemente eram derrubados. Hitler especialmente odiava ver aviões alemães sendo usados para derrubar aviões alemães. Já os aliados bombardeavam cidades suíças por engano, eram derrubados em resposta, e algumas centenas de aviadores foram capturados e presos em estações de esqui transformadas em campos de prisioneiros, até o final da guerra.

    Não que Hitler não estivesse de olho na Suíça, a Operação Tannenbaum era exatamente isso, um plano de invasão, mas nunca chegou a ser executado, e outros métodos, como tomar o poder politicamente não deram certo. Havia uma simpatia pelos nazistas no país, mas os suíços tinham um nacionalismo forte demais pra abrir mão do país em nome de uma unificação, e a histórica afinidade com democracia e Direitos Humanos também falou mais alto.

    Hitler Não Invadiu Por Quê?
    Como sempre, uma série de fatores. Ele estava ocupado com outras frentes, taticamente não havia ganho invadir um país que não tem intenção de te atacar. A Suíça também era útil livre, pois era um centro de espionagem, tanto os nazistas quanto os aliados fervilhavam as ruas de espiões.

    Outra questão prática eram os túneis nos Alpes, a única ligação direta entre Itália e Alemanha. Caso fosse atacada a Suíça destruiria os túneis e as pontes, o Eixo levaria anos pra reconstruir tudo. Foi feito um acordo onde a Suíça permaneceria como parceira comercial da Alemanha, venderia seus produtos manufaturados, e em troca compraria matérias-primas, e como concessão permitira que o Eixo trafegasse vagões selados pelos túneis.



    Havia também o Franco Suíço, uma das poucas moedas (sorry) francas disponíveis, aceitas por todos os lados da Guerra. Bem mais atraente do que ser pago em Marcos do Reich, Hitler perder e alguém avisar que o dinheiro não vale mais nada. Ambos os lados venderam grande quantidade de ouro e foram pagos em Francos Suíços, mas essa talvez seja a razão menos importante para Hitler não ter invadido. Estima-se que o comércio com a Suíça incluindo a compra de Francos contribuiu para 0,5% do esforço de guerra da Alemanha.

    Em resumo: Hitler não invadir a Suíça porque não precisava e não teve tempo. Não tem nada a ver com gente tendo arma em casa, e quanto a isso…

    Sobre as Armas em Casa


    A idéia de que um dos maiores exércitos da História da Humanidade tinha medo de pessoas comuns armadas com um fuzil K-31 é basicamente ridícula. NUNCA foi idéia da Suíça ter civis combatendo invasores. Esses chamados “civis” todos tem treinamento militar, e a arma em casa é uma questão de praticidade e estratégia. Hitler mandou agentes pra sabotar as esquadrilhas da Força Aérea Suíça (não conseguiu) mas nem tentou sabotar os arsenais, pois as armas estavam espalhadas pelo país.

    Mais ainda, as armas ficavam em casa mas a munição era mantida em uma caixa lacrada e constantemente vistoriada por agentes do Exército. Ninguém tinha um fuzil na lareira engatilhado pronto pra atirar.

    O que deteve Hitler foi, além da questão econômica, uma força armada treinada de mobilização rápida e profundamente entricheirada em um país por natureza de difícil acesso.

    Ah Mas Hoje É Diferente
    Realmente. Os reservistas recebiam junto com o rifle uma caixa selada com 50 cartuchos de munição, mas desde 2007 não é mais entregue munição junto com os rifles. Isso reduziu os suicídios com armas militares de 400 para 200 por ano. A munição distribuída até 2007 foi recolhida pelas autoridades.

    O uso dos rifles é incentivado, o reservista pode ir até um clube de tiro registrado, comprar munição a preços subsidiados pelo governo e atirar à vontade, mas cada cartucho é contado.

    Após a idade-limite o reservista pode comprar a arma do governo, mas isso depende de uma licença.

    Armas comuns também são vendidas, os suíços adoram atirar, há competições anuais com participantes, menos e meninas de 12 anos pra cima, e também uma grande cultura de caça, mas não há porte de arma, exceto para casos específicos, como caçadores, seguranças, policiais ou militares em serviço.

    É possível comprar armas para uso pessoal, mas para isso há uma boa burocracia, incluindo exigência de declaração de ficha criminal limpa com no máximo 3 meses de emitida. Já a munição exige mais documentos ainda para ser vendida. As pessoas são instruídas a manter as armas desmuniciadas e desmontadas em casa, e porte pra andar na rua nem pensar exceto nas situações listadas no parágrafo anterior.

    Como a criminalidade é baixíssima, não se desenvolveu na Suíça uma cultura de armas como defesa pessoal. Nas palavras de Mathias, um jovem soldado que mantém em casa sua pistola militar:
    “Esta arma não me foi dada para me proteger ou à minha família. Eu recebi essa arma do meu país para servir meu país, e para mim é uma honra cuidar dela. Eu acho que é uma boa coisa que o Estado dê essa responsabilidade ao povo.”
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • PercivalPercival Member
    Então o Pessoal Pró-Desarmamento está errado?

    A Suíça é prova viva da lógica de American Dad:


    “Armas não matam. Pessoas matam pessoas. Armas defendem pessoas de pessoas com armas menores.”

    OK, a última parte talvez seja um tanto cínica, mas basta comparar as taxas de mortes por armas de fogo em vários países. Com todo o lobby da NRA nos EUA, são mortas por armas de fogo anualmente 10.5 pessoas para cada 100 mil habitantes. No Brasil esse número é o dobro, 21.2 e na Venezuela, campeã mundial são absurdas 59.13 mortes a cada 100 mil habitantes. Só que isso é só metade da história.

    Vejamos um gráfico de mortes por armas de fogo em alguns países (fonte):

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    O número de mortes por armas de fogo é um dado incompleto e enganador. Ele contabiliza indiscriminadamente homicídios e suicídios, e esse fato altera significativamente a percepção:

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    Mesmo nos Estados Unidos as mortes por armas de fogo são em sua maioria suicídios, mas a proporção demonstra que a sociedade americana anda bem violenta. Não tanto quanto a guerra civil que é o Brasil e outros shitholes, mas bem feia, e curiosamente os tais “rifles de assalto” que a mídia tem tanto horror têm muito pouco a ver com isso. Mata-se mais nos EUA com as próprias mãos do que com fuzis e outros tipos de armamento pesado (fonte: FBI)

    O problema não são as armas, são as pessoas, liberar porte de arma no Brasil só faria sentido se a gente tivesse o treinamento e a mentalidade da Suíça, e não do Zimbabwe Ou melhor, do Zimbabwe não, eles têm o.3 mortes por arma de fogo a cada 100 mil habitantes (fonte).

    Conclusão
    Não foi o fato de todo mundo ter uma arma em casa que deteve Hitler. Foi o fato de todo mundo ter uma arma em casa e ser um reservista devidamente treinado e motivado e responsável e preparado. A arma em si é o fator menos relevante, é o mesmo de ter um aneurisma no sofá e se sentir mais seguro pois seu filho de 14 anos sabe em que gaveta você guarda os bisturis que comprou na farmácia.

    O melhor conceito para explicar a sobrevivência da Suíça é a soma disso tudo, é o espírito de defesa nacional, ou como eles dizem em bom alemão, Geistige Landesverteidigung.
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • Tá faltando coisa nessa história. Hitler não invadiu a Suíça, pois como o próprio Gerenal Jold lhe disse, isso seria matar sua galinha dos ovos de ouro. O marco alemão não era aceito em país nenhum, exceto pelos que estavam sob a bota nazista. Mas a Suíça fabricava e vendia armas aos alemães e como se fazia o pagamento? Simples: os banqueiros suíços sabiam que os judeus tinham por destino e extermínio e aí os valores em joias, ouro ou qualquer outra moeda de valor que estivem depositados em contas de judeus eram confiscados como forma de pagamento. Com isso os banqueiros suíços ficaram bonitos da grana... Judeus que se refugiaram na Suíça foram expulsos de lá, tendo até de pagar o transporte para a fronteira...

    Quando já foi ficando claro que a Alemanha não ia ganhar mais essa guerra, aí resolveram os suíços comprar um pouco de simpatia, dizendo que aceitavam receber refugiados judeus e  dar-lhes sustento, etc e tal. Bacana, mas como dizem os banqueiros suíços: a boa notícia é quando não há notícias. Terminada a guerra, judeus que tinham depositado valores nos bancos suíços chegaram lá para resgatá-los e recebiam como resposta que:
    _ Não há valores depositados nessas contas.
    E simplesmente viravam as costas, sem dar qualquer explicação de como o valores sumiram.

    É, meu caro. Hitler não invadiu a Suíça por mais de uma e boa razão.
  • Ah! Mais um detalhe. Na Suíça falam-se quatro idiomas: francês, italiano, alemão e romanche. Diz a lenda que o suíço que fala alemão esnoba o suíço que fala francês e o que fala italiano. O suíço que fala francês aceita ser esnobado pelo suíço que fala alemão, pois reconhece sua superioridade, mas em compensação, pode esnobar o suíço que fala italiano. Já o suíço que fala italiano reconhece sua inferioridade perante os outros dois suíços e aceita ser esnobado e não reclama. Não sei onde se encaixa o suíço que fala romanche nesssa história...
  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    editado March 13
    Botânico disse:  Não sei onde se encaixa o suíço que fala romanche nesssa história...
    São tão poucos que ninguém sacaneia, coitados. Há mais imigrantes falando português que nativos falando romanche. Além do quê, a língua se divide em vários dialetos, às vezes de difícil intercompreensão.
     
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