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Sobre a cura divina

AcauanAcauan Administrator, Moderator
editado July 8 em Religião é veneno
Publicado originalmente em 6/1/2005 14:22:55
por Acauan Guajajara 

O tema cura divina e o modo como é explorada por diversas instituições religiosas exige uma abordagem cuidadosa. 

Num extremo da questão temos doentes terminais, suas famílias e amigos, para quem a última esperança reside num milagre. Gente a quem não faremos bem algum se tirarmos deles o que lhes restou para se apegarem, esgotadas as possibilidades da medicina.

No outro extremo, vigaristas contumazes se aproveitam da fragilidade destas pessoas para obter proveito pessoal. 

Entre os dois extremos há uma zona cinzenta onde se misturam boas intenções e crenças sinceras de um lado e resultados que podem ir do inócuo ao desastroso do outro, ou ainda, combinações em diferentes graus de Fé verdadeira, desinformação e oportunismo, tudo isto fundido num cadinho perigoso onde a saúde do crente é, muitas vezes, reduzida a um instrumento de marketing para uso do proselitismo religioso.

Um exemplo elucidativo são as inúmeras alegações de cura da AIDS, vindas tanto de católicos carismáticos quanto de evangélicos de diversas vertentes. Não vou tratar aqui de curas reivindicadas por curandeiros avulsos, místicos ou esotéricos vários, já que meu objetivo é observar como instituições oficialmente estabelecidas lidam com este problema.

Nunca houve no mundo todo, um único caso de cura da AIDS comprovado, documentado e divulgado. 

Se houvesse, publicações especializadas como The New England Journal of Medicine, publicado pelo Massachusetts Medical Society, uma das mais respeitadas publicações médicas do mundo, dedicariam infindáveis páginas a esta ocorrência, despertando a atenção de toda a comunidade médica para a divulgada cura, o que tornaria o paciente protagonista desta recuperação o centro das atenções da medicina mundial.

Alguém comprovadamente curado de AIDS seria certamente virado do avesso pelas equipes de pesquisa médica, que levantariam nos mínimos detalhes todos os fatores que poderiam ter sido as causas de tal cura como, medicação, D.N.A., alimentação, modo de vida, fatos incidentais correlacionáveis etc, até que estas causas fossem identificadas e seus mecanismos compreendidos.

Que fique claro que a definição médica para cura da AIDS é a total e completa eliminação do vírus HIV do organismo até então infectado. Como Síndrome de Imuno-Deficiência Adquirida, a AIDS se manifesta na forma de infecções oportunistas, sendo que a cura destas infecções ou mesmo variações nos quadros sintomáticos não significam a cura da doença. 

Não obstante as questões colocadas acima, relatos de cura divina da AIDS obtidas por igrejas são mais comuns que pipoca em cinema, sendo que estes abundantes casos parecem passar completamente despercebidos da comunidade médica internacional, que por desinformação asinina, conspiração ateísta ou ação do diabo, continua acreditando que até hoje ninguém foi curado. 

As alegadas curas de AIDS são um exemplo notório da discrepância gritante entre as alegações de curas e os fatos médicos registrados. 

Mas existem outras muitas situações menos dramáticas, mas igualmente esclarecedoras, como a profusão de aleluias por conta das inúmeras “curas milagrosas” de cistos de ovários, que teriam desaparecido sem deixar vestígios, mostrando o poder de um Deus tremendo para embasbacados médicos ímpios. 

Não consigo imaginar um médico de verdade, ímpio ou crente, ficando embasbacado com o desaparecimento de um cisto, já que, na maioria dos casos, é natural e esperado que eles desapareçam por regressão espontânea, seja a paciente uma serva de Deus, de outro ou de ninguém. 

E temos também as curas de câncer. Quase sempre citadas pelo seu nome genérico, muitas vezes sem entrar em detalhes como se o câncer curado era um melanoma inicial, curável, com tratamento correto, em quase 100% dos casos ou uma metástase cerebral. 

Quanto a este último caso, gostaria muito que alguma igreja comprovasse uma única ocorrência de cura. Sinceramente ficaria feliz se alguém provasse que é possível fazer desaparecer cinco tumores do tamanho de uma laranja do cérebro de alguém (e o paciente continuar vivo, óbvio). 

O resumo da ópera é que há evidências mais que suficientes para se concluir que as alegações de cura divina por igrejas são, no mínimo, exageradas. 

Mesmo assim, várias delas exibem um caudaloso aparato de provas dos milagres e graças obtidos por suas orações, das quais sempre constam atestados médicos, cadeiras de rodas abandonadas ou radiografias de antes e depois. O engraçado é que a opinião circulante nestes meios, trombeteada ou à boca miúda, é que só os “nossos” atestados médicos, cadeiras de rodas ou radiografias são provas incontestes da ação divina. Os atestados médicos, cadeiras de rodas e radiografias da igreja concorrente são sempre falsificações grosseiras destinadas a enganar os ignorantes. 

É isto ou existe algum evangélico que acredita que Nossa Senhora Aparecida curou alguém? Se relíquias dos supostos curados valem, aquela basílica enorme perto da Via Dutra está abarrotada delas. 

E os atestados médicos? Alguém aqui sabe o que é Xantogranuloma juvenil? 

Pois é, também não sei, mas sei que esta doença, seja lá o que for, “freqüentemente regride espontaneamente”, segundo quem entende. Sem conhecimento especialista para avaliar atestados médicos que digam que alguém se curou de Xantogranuloma ou de qualquer outra coisa, eles nada provam. E é óbvio que qualquer médico que se dispor a levantar a veracidade destes milagres será imediatamente taxado de escarnecedor ateu ou algo que o valha antes de ter chance de fazer a primeira pergunta. Por que algum médico sério pagaria este mico? 

É nesta hora (talvez antes) que alguém diz – E o que você tem com isto? Se não acredita que estas pessoas são curadas o problema é seu, deixe-as em paz. 

Não acredito e nem deixo de acreditar. Mesmo porque não é o que se acredita que está em jogo aqui, mas a saúde de pessoas que podem deixar de procurar tratamento médico adequado por crerem que foram ou serão curadas por Deus com a ajuda de seus representantes, ou servos, ou seja lá como chamam a si mesmos. 

Igrejas tradicionais e clérigos esclarecidos costumam orientar seus fiéis a não trocar o tratamento médico pela espera de um milagre. Mas igrejas tradicionais são minoria. Clérigos esclarecidos, verifiquem. Quem duvidar que conte o número de esquinas em que se acha uma porta de igreja anunciando curas milagrosas no varejo, inclusive com dias e horários especiais para isto. São estas promessas de curas que atraem e mantém parte do rebanho destas igrejas e embora não seja possível precisar quantos, sempre haverá um responsáveis por elas que verão no hospital e no médico concorrentes a serem afastados. 

Quem, como eu, já ouviu a frase “doença é uma vergonha no povo de Deus, eu não vou em médico” (sic), sabe do que estou falando.

Comentários

  • BotânicoBotânico Member
    Se houve alguma cura divina, então a doença era psicossomática...
  • SpiderSpider Member
    - Quando a cura ocorre na concorrência costumam atribuir ao Capeta também.

    Abraços,
  • SpiderSpider Member
    editado July 9
    - Para ilustrar o que afirmei acima convém contar uma estória de quando eu ainda era mórmon.

    - Certa vez, na escola dominical, um líder disse que um missionário americano em missão no Brasil quebrou a perna, o que o forçaria a encerrar a missão prematuramente, alguém o aconselhou a ir num centro de macumba para curar a perna e se manter no Brasil, aqui abro um parêntese, essa parte já era difícil de engolir, esses missionários americanos geralmente vem de famílias com gerações e gerações dentro da religião, imaginar um deles passando a menos de 2 Km de um centro de macumba é insano.

    - Mas engoli essa e continuei a escutar o testemunho, então o líder disse que o missionário foi curado pelo pai-de-santo e se manteve na missão até o final, o que deixa a estória mais estranha ainda, além de ter que engolir a cura da perna quebrada, fica esquisito um missionário passar por uma experiência dessas e se manter na fé dele, começei a pensar que nosso líder errou de sala e achava que estava conversando com os garotinhos do berçario.

    - Eu já estava quase gritando que era mentira quando ele finalizou a estória dizendo que, um ano depois, quando o missionário voltou aos EUA, ele CONTOU TUDO AO CHEFE DA MISSÃO, como assim?!?!?! - Contar ao chefe da missão que foi num centro de macumba?!?!? - E como se já não tivesse abusado o suficiente de minha suspensão de crença, ele disse ainda que o chefe da missão respondeu que era coisa do diabo, que a perna ainda estava quebrada, então o missionário caiu na hora e o levaram para o hospital para engessar.

    - PutaQuePariu!!! - Que gente mentirosa do caralho!!!!

    Abraços,
  • PercivalPercival Member
    Isso me lembrou um caso que acontece com alguns evangelicos do meu trabalho. Tem um extremista que acredita em qualquer testemunho que ele escuta no youtube. Lembro de um que o cara dizia que foi salvo por Deus de um acidente, mas menciona que o que o protegeu foi uma placa metalica que ele tinha na cabeca. Como estou tendo cuidado pra questionar esses causos falei que ali era improvavel um milagre em si, pois houve interferencia humana em seu corpo no caso a placa de metal.

    O problema dos neopentecostais e que eles pegam qualquer causo pra transformar em milagre e se autopromover com isso. Tudo e forjado e somente de boca, alias foi um dos argumentos que comemtei pra eles. Mas e muito dificil a racionalizacao dessa gente.
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    Alguém já fez um cálculo de quantas igrejas evangélicas existem e concluiu que, com a quantidade industrial de cadeirantes curados nos cultos, já não deveria haver mais nenhum cadeirante no Brasil.
  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    editado July 9
    Curas espirituais 

    De todas as crueldades da religião, e elas são muitas, talvez a mais cruel, tirando matar pessoas intencionalmente, seja a tal de "cura pela fé". À primeira vista, parece uma coisa inocente - o que você tem a perder? - mas, pensando bem, você perceberá como ela é horrível.

    Através dos tempos, seres humanos vêm sofrendo de tudo o que é doença, de resfriado a câncer. Durante a maior parte da história humana, nós não tivemos a menor idéia do que causava nossos problemas de saúde. Nem uma pista. Como consequência, tentávamos adivinhar. Partindo de um objetivo lógico, ou seja, descobrir o que causava as doenças para podermos curá-las ou nos precavermos contra elas, acabamos chegando a algumas conclusões bastante ilógicas e completamente erradas.

    É provável que tudo o que existe no universo conhecido já tenha sido acusado, pelo menos uma vez, de causar alguma enfermidade. A passagem de um cometa, a posição dos planetas, eclipses, estrelas cadentes, avistar um animal raro - tudo isto e outras coisas mais foram erradamente acusados de provocar doenças. E, naturalmente, surgiram superstições persistentes quanto a feitiços, encantos ou maldições jogados sobre nós por outras pessoas, as bruxas e feiticeiros.

    A crença em bruxaria foi muito popular em quase todas as épocas. Doenças misteriosas pareciam ter causas misteriosas e, como sempre houve rivalidades entre grupos, eles sempre acabavam se acusando uns aos outros. Estas crenças poderiam até nos parecer engraçadas hoje em dia se não fosse pelo fato de que muitos inocentes, a maior parte mulheres, foram torturados e mortos numa tentativa de quebrar o "encanto" que tinha feito, por exemplo, as vacas pararem de dar leite ou as crianças terem febre. É claro, também, que toda essa barbaridade era cometida, muito piedosamente, em nome da religião.

    A religião se misturou à medicina desde as origens. Os antigos egípcios, os antigos gregos e os antigos judeus apelavam todos a seus deuses em busca de alívio e cura. Achavam eles que eram deuses zangados que provocavam seus males e que a cura poderia ser obtida apaziguando esses deuses. O cristianismo manteve a tradição, ao ensinar que Jesus veio, entre outras coisas, para nos curar. Mais tarde, o poder de cura também foi atribuído a um sem número de santos, e até mesmo a suas relíquias, até que quase todos os lugares e objetos relacionados a eles passou a ser considerado como tendo poderes curativos.

    No catolicismo de hoje, as relíquias já não têm o mesmo valor, mas atribuem-se aos santos e, principalmente, à Virgem Maria, poderes de cura, e é comum orar-se a eles. Da mesma forma, alguns lugares, dos quais o mais famoso é Lourdes, na França, atraem milhões de pessoas todos os anos em busca de curas fora do alcance da medicina. O santuário de Lourdes foi construído por causa da suposta aparição da Virgem Maria a uma menina de 14 anos da aldeia próxima, Bernadette Soubirous, em 1858 (por que a Virgem nunca aparece a adultos instruídos? Por que apenas a pastores analfabetos ou coisa assim?). De qualquer modo, a novidade se espalhou e cada vez mais gente acreditou, até se tornar hoje em dia o local que mais suplicantes atrai em todo o mundo.

    A idéia de curar pela fé foi abraçada sem restrições por Mary Baker Eddy (1821-1910), que fundou o movimento da Ciência Cristã. De acordo com Eddy, não existem doenças, há apenas Erro. Se as pessoas pudessem encontrar a Verdade através de Deus, não haveria mais nenhuma doença. Seu movimento ainda é muito popular hoje em dia. Não me pergunte por quê.

    Curandeiros pela fé proclamam ter curado milhões e milhões de pessoas confirmam suas alegações. A pergunta é "Por que?" Suas doenças foram curadas pela fé e pela oração apenas? Para responder a isto, temos que antes examinar as doenças. Eram graves? Há quanto tempo existiam? Tinham sido diagnosticadas por médicos diplomados? Os doentes receberam algum outro tratamento além da oração?

    Para responder a estas perguntas, temos que examinar a natureza da doença propriamente dita. A maioria das doenças regride por si só, ou seja, se você não fizer nada, depois de algum tempo o problema desaparece. Em casos mais sérios, como artrite e câncer, a coisa costuma ser diferente. Entretanto, mesmo no caso de doenças graves, pode ocorrrer o que é conhecido como "remissão espontânea". Ninguém sabe ao certo como estas curas aparentemente inexplicáveis ocorrem (algumas vezes em definitivo), mas, à medida em que o sistema imunológico vai sendo mais bem conhecido pela ciência, mais vamos chegando à conclusão de que o corpo sempre tenta se auto-consertar.

    Apesar disto, curandeiros pela fé ainda são muito populares (talvez devido à incapacidade de nosso sistema de ensino em transmitir conhecimentos científicos aos alunos). Alguns dos curandeiros mais conhecidos são Kathryn Kuhlman, Peter Popoff, Oral Roberts, Pat Robertson e Benny Hinn. Embora seus métodos variem um poucos, o princípio é o mesmo: se a sua fé é forte o bastante e se você reza com todo o seu coração, você pode ser curado. Eles afirmam serem capazes de curar tudo, inclusive câncer, artrite, paralisia e qualquer outra coisa que possa dar errado com a saúde humana.

    Com uma ENORME exceção: ninguém, em tempo algum, jamais "curou" ou mesmo alegou ter curado membros ou olhos faltantes. Por quê? Pense um pouco. Um milagre é um milagre, não é? Se você pretende ser um canal para os poderes curativos de Deus, por que tem que se limitar a curas invisíveis? Será que Deus não é capaz de curar qualquer coisa que ele queira? Não me parece que a cura instantânea do câncer seja mais milagrosa que repor instantaneamente um olho. Então por que nunca acontece?

    O santuário de Lourdes está cheio de tudo o que é tipo de muletas e cadeiras de roda, algumas das quais podem ser alugadas nas vizinhanças, mas nunca se viram próteses de pernas e braços ou olhos de vidro ou outras partes do corpo. Faz pensar, não? Por que Deus é tão seletivo quanto ao que ele cura?

    Ainda há outro ponto em que ninguém repara, um ponto bem fraco nas afirmações dos curandeiros. Se você assistir a uma sessão de cura, verá que as pessoas ficam em pé diante do Poderoso Curandeiro e, quando o "poder de Deus" as toca, elas desmaiam, caindo para trás - sempre nos braços de um obreiro já a postos. Ufa! Quase, hein? Ainda bem que elas não caíram de costas no chão duro. Seria horrível se curar de câncer e morrer de concussão cerebral! Só que há um pequeno problema: ninguém desmaia para trás. Os joelhos cedem e a pessoa cai para a frente e para baixo. Pergunte a qualquer médico ou enfermeira. Estes falsos desmaios mostram que tudo não passa de um grande show de circo.

    Um caso mais gritante de farsa foi o do tristemente famoso Peter Popoff, que já foi um curandeiro muito conhecido. Na década de 80, ele atraía os otários e os depenava, ganhando milhões. Ele vendia artigos maravilhosos: capas de chuva abençoadas, luvas abençoadas, sementes de mostarda abençoadas e assim por diante. Você também podia adquirir um lenço com o LEGÍTIMO SUOR DE POPOFF!!! Ligue djá! Eita! Suor abençoado! Eu me pergunto se ele não vendia bosta abençoada também.

    Além disto, Popoff apelava para truques sujos. Seus ajudantes distribuíam cartões postais aos otários no auditório antes que o show começasse e lhes pediam que escrevessem seus dados pessoais, incluindo suas doenças, para que Popoff pudesse "orar" por eles. Os cartões eram então levados para os bastidores onde sua mulher, Liz Popoff, selecionava os casos mais interessantes. Durante o show, através de um rádio, ela os transmitia a um receptor na orelha do marido e ... milagre! Ele surpreendia a platéia ao receber, "diretamente de Deus", informações sobre as pessoas presentes. Em seguida, ele rezava e implorava e, finalmente, declarava essas pessoas curadas. Muito esperto!

    Infelizmente para Popoff, James Randi, o famoso mágico e desmascarador de charlatões, começou a investigá-lo. Randi estacionava uma van próximo aos locais onde Popoff estava atuando e conseguiu interceptar e gravar Liz falando com o marido. Ele os denunciou ao governo americano mas ninguém estava interessado em investigar assuntos "religiosos". Novidade... Então, em 1986 e 1987, Randi foi ao Johnny Carson's Tonight Show e revelou, publicamente, o charlatão fraudulento que Popoff era.

    Quando a merda atingiu o ventilador, a quadrilha de Popoff tentou consertar as coisas às pressas, distribuindo folhetos em que afirmavam que Randi era um enviado do Diabo e assim por diante. Mas ele nunca mais recuperou seu prestígio. Que pena, não? Você pode ler a história completa no livro de Randi, "Faith Healers". Foi um avanço, mas um avanço pequeno. As pessoas, em massa, continuam acreditando, basicamente porque estão desesperadas. Mas o que é terrível é que este tipo de farsa causa sérios problemas a muita gente. Se uma pessoa está com uma doença séria, a fraude não apenas não vai curá-la mas ela deixará de receber o tratamento apropriado e que poderia dar resultado. Pior ainda, se ela não melhorar, vão lhe dizer que sua fé não foi suficiente. Ou seja, ela leva a culpa por sua própria desgraça. Horrível. Inaceitável. Seus familiares também serão encorajados a ter esperança, só para vê-la destruída depois, além de serem igualmente acusados de não ter fé bastante. Desprezível. O charlatão nunca perde, só as vítimas. Se você fica bom, ele leva a fama. Se não fica, a culpa é sua.

    Um dos exemplos mais horríveis que eu já li ("Looking for a miracle", por Joe Nickell) foi o de uma mulher com câncer na espinha que foi a um "Culto do Milagre", com a curandeira Kathryn Kuhlman. Quando Kuhlman anunciou que "alguém aqui ficou curado de câncer", a mulher correu para o palco toda feliz, foi abraçada pela curandeira e jogou fora o colete que há meses sustentava sua frágil espinha. Ela sabia que estava curada (adrenalina e confiança são uma mistura poderosa). Na manhã seguinte, ela acordou cheia de dores, com medo de se mexer. Em 2 meses estava morta. As vértebras, enfraquecidas pelo câncer, não tinham resistido ao esforço da "cura". Deus seja louvado!

    Explorar as aflições humanas e propositalmente roubar das pessoas suas esperanças, sua saúde e seu dinheiro, simultaneamente, é uma das maiores maldades em que se pode pensar. Para a maior parte de nós, é difícil imaginar tanta ganância e dureza de coração. Eu quase desejo que houvesse um inferno só para esses curandeiros sem escrúpulos. Mas não há. E eu fico com pena das crianças.
    Texto de Judith Hayes
    https://fernandosilvamultiply.blogspot.com/2005/03/curas-espirituais.html
  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    Por que o Crivella, que finge ser o prefeito do Rio, precisa pagar cirurgias banais para os crentes de sua igreja?

    Não era mais fácil curar essa gente com orações e poupar o dinheiro do contribuinte?
  • ENCOSTOENCOSTO Member
    É que oração so funciona com fe. Crivella quer ajudar os sem fe.
  • E tem aquela do pastor da Universal que chutou a imagem da Nossa Senhora de Aparecida. Tempos depois foi aos EUA e começou a sentir fortes dores na perna usada para chutar a dita santa. No hospital os médicos aplicaram tratamentos, mas nada dava certo. Então uma enfermeira negra ficou aplicando compresses com um emplasto que aprendara com sua avó e, milagre!, a perna do pastor ficou curada. Antes de deixar o hospital, quis agradecer àquela enfermeira. Só então, surpreso, foi informado que nenhuma enfermeira negra trabalhava ali.
    Caiu a ficha: a tal enfermeira era a própria Nossa Senhora de Aparecida em pessoa!
    Deixou a Universal e batizou-se católico.

    Contei isso a uma moça católica com quem às vezes troco mensagens e perguntei o que achava. E ela me disse que sabia que isso era balela. E eu insisti:
    _ Mas como! Você, tão católica, não acredita nessa história tão linda?
    E a resposta:
    _ Sou católica, mas não sou burra.

    E além de curas, também tem as pragas: um protestante tentou matar o Frei Damião e foi transformado em urubu. E o mesmo frei chiou com uma moça por causa do comprimento de sua saia e ela mostrou o "dedus impudicus" para ele. Como castigo, foi transformada numa cadela...
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