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Emissão de carteira de motorista no Brasil caminha para 4º ano seguido de recuo em 2018

ENCOSTOENCOSTO Member
editado November 20 em Religião é veneno

Reuters

 

A emissão de carteiras de motorista no Brasil deve cair pelo quarto ano seguido em 2018, em um movimento que começa a causar preocupação na indústria de veículos e que é fomentado não só pelo custo elevado de obtenção do documento, como também por uma grande mudança nos hábitos de locomoção das novas gerações, principalmente em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro.

 

De 2014 a 2018, a média mensal de emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) caiu 32%, para cerca de 170 mil documentos. Em 2014, essa média era de 250 mil emissões por mês, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) compilados pela Reuters.

 

“O brasileiro está começando a mudar o hábito de ver o carro como um bem durável e os aplicativos de mobilidade ajudaram muito. No geral, principalmente para o público mais jovem, o carro está começando a ser visto pelo serviço que ele oferece, não pelo que ele representa em status social e isso, com certeza, impacta no número de emissões de CNHs”, afirmou a especialista em indústria automotiva e professora da Unicamp Flávia Consoni.

 

De olho na queda de emissão de novas carteiras de motorista, a associação nacional de fabricantes de veículos, Anfavea, decidiu pela primeira vez contratar uma pesquisa para saber o nível de interesse dos jovens em comprar seu primeiro carro. A pesquisa, realizada pela startup Spry e publicada no início do mês, mostrou que os jovens de até 25 anos de idade, que formam a chamada “geração Z”, estão utilizando outros meios de locomoção, como metrô, bicicleta e aplicativos de transporte, de forma mais intensa que as gerações anteriores e, consequentemente, usando menos carros particulares.

 

O levantamento da Spry apontou que 25% dos entrevistados da geração Z utilizam aplicativos de transporte como Uber, 99 ou Cabify, uma ou duas vezes na semana e 13% afirmam utilizar sempre.

 

Em linha com a pesquisa, as emissões de CNHs entre esse público caíram 24,8% este ano, depois de já terem recuado 7% em 2017. “Não acho que as pessoas estão desistindo, mas postergando o ato de tirar carta e isso se deve tanto pela questão da demora que o processo de emitir o documento possui, quanto pelo custo”, disse a pesquisadora da Unicamp.

 

O investimento médio para tirar a primeira habilitação no Estado de São Paulo varia entre 1,5 mil e 2 mil reais, podendo divergir entre a capital e as cidades do interior, segundo o sindicato paulista de auto escolas e centros de formação de condutores (Sindautoescola). O custo se compara ao rendimento médio dos trabalhadores do Estado, de cerca de 2,8 mil reais mensais, segundo dados do terceiro trimestre da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnad).

 

Aos 21 anos, Giovana Silva, estudante de psicologia, é um exemplo do perfil indicado pela pesquisa da Spry. A jovem afirma não ter interesse em tirar carteira de motorista por causa do custo e diz usar o transporte público e aplicativos de transporte para se locomover pela cidade de São Pulo.

 

“Não é só o custo da carta que é envolvido. É o valor da compra de um carro, gasolina, seguro, aluguel de vaga na garagem do prédio, é muita coisa. Por enquanto, ter um carro não é necessário para mim”, disse Giovana. “Se eu tenho outras formas de me locomover que são mais baratas, por que eu faria um investimento tão alto agora?”

 

O presidente do Sindautoescola, Magnelson Carlos de Souza, concorda. “Se o jovem tiver acesso a um transporte público de qualidade e outros modais, a pessoa não vai considerar ter um gasto maior com o documento”.

 

Novo conceito

 

A queda do número de novas CNHs vista a partir de 2014 pode ser associada à crise econômica do país, afirmou Flávia, da Unicamp. “Hoje é muito mais caro tirar carta do que era há 18 anos… Acho que o que está acontecendo é uma falta de interesse de quem compõe esse número e quem realmente precisa ficar atenta a isso é a indústria de veículos”.

 

Para Pedro Facchini, diretor da Spry, as gerações mais novas continuam tendo desejo por ter carro, o conceito de propriedade se transformou ao longo dos últimos anos. “O sentimento de posse mudou muito. Os mais novos entendem hoje que têm um carro quando apenas têm acesso a um veículo de alguma forma”, disse ele, referindo-se a situações em que o carro da família é considerado como de propriedade pelo jovem. “Hoje, ter carro não é mais sinal de status ao longo das gerações”, acrescentou.

 

As vendas de veículos novos no Brasil neste ano devem subir cerca de 14%, para 2,5 milhões de unidades, com boa parte desses emplacamentos sendo registrada por empresas frotistas, como locadoras de veículos. Apesar do crescimento, a indústria ainda está longe do pico atingido em 2012, ano em que foram vendidos no país 3,6 milhões de carros, picapes, utilitários e veículos comerciais leves e em que os aplicativos de transporte ainda não estavam estabelecidos no país.

 

Já as vendas de usados, que costumam marcar o primeiro veículo de um consumidor, acumulam desde o início do ano até o final do mês passado alta de apenas 0,55%, para 972 mil unidades, segundo números da associação de concessionários de veículos, Fenabrave.

 

Falta de acesso

 

Em alguns Estados menos urbanizados, no entanto, a média do número de emissões de CNHs aumentou neste ano em comparação a 2017 -como o Acre, que apresentou aumento de quase 10%, fato que, segundo a especialista em mobilidade urbana e professora da Universidade de São Paulo (USP) Andreina Nigriello, pode ser associado à falta de investimento em transporte público.

 

“É fácil abrir mão de um carro quando você tem alternativas que conseguem suprir a necessidade de transporte, mas e quem não tem? O mesmo acontece em São Paulo, por exemplo, onde o transporte público funciona nas principais regiões da cidade, mas quem mora nas periferias sofre com a falta de investimento”, disse a professora.

 

A falta de variedade de modais de transporte em determinados Estados também foi considerada pela pesquisa realizada pela Spry. “A população urbana é quem acaba ditando as tendências, mas as pessoas que moram em regiões muito afastadas não possuem muitas alternativas, como metrô e aplicativos de transporte, então não temos como encarar que esses números (da pesquisa) são iguais para todas as regiões do país”, disse Facchini, da Spry.

 

“Esse público (moradores da periferia) não tem condições de se transportar entre seu local de trabalho e sua casa todos os dias com transporte público, então eles continuam comprando seus próprios veículos”, completou Andreina, afirmando que, enquanto não houver investimento e melhoria no transporte público de maneira uniforme, o número de CNHs deve continuar a subir nessas regiões.

 

Voltando aos grandes centros, para Souza, do Sindautoescola, a adaptação às mudanças pelas quais a sociedade e a indústria de veículos estão passando é questão de sobrevivência.

 

“Daqui a 10 anos o assunto vai ser carros autônomos e onde as autoescolas entram nisso? Quando algum carro autônomo dá problema, quem assume é o ser humano e ele precisa saber digirir”, disse Souza, que também é vice-presidente da Confederação Ibero-Americana de Centros de Formação de Condutores e Formação em Segurança Viária.

 

“Eu acredito que nosso setor vai sentir um grande impacto com as inovações tecnológicas que vão surgir e, se não assumirmos nosso papel como educadores, no futuro, nós podemos desaparecer”, acrescentou. (Reuters)

Comentários

  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    Para quem mora em bairros residenciais sem transporte público e até sem táxi, o carro faz falta, mesmo com a opção de Uber. Não existe a padaria da esquina ou o supermercado da esquina. Tudo é longe.

    Já eu, que moro cercado de todo o tipo de comércio e perto do metrô, o carro se tornou apenas mais uma despesa desnecessária e o vendi.
  • JudasJudas Moderator
    É um absurdo que se tenha chegado a este ponto.

    O carro gasta tanto em manutenção mecânica (porque  roubam no preço das peças) e tanto em impostos que não vale a pena pra mim também ter um.

    Praticamente, pra eu ter o direito de ter um carro pra usar pra viajar de vez em quando me custa mais do que alugar um carro em uma ocasião dessas.

    Reconheço o lado bom, acho que este até supera o lado ruim no meu caso que uso muito o Uber.
    Mas não deixa de ser um absurdo que se pegue alguém que precisa do carro e o OBRIGUE a pagar esses preços e estes impostos. Ele não pode comprar um carro usado de U$1000,00 trazer pra cá pagar os impostos e usar,

    Seguindo a regra de impostos um carro desse valor pagaria cerca de  2000 reais de imposto de importação, o frete seria bem mais caro, só que se você sobre o valor do carro diminui o peso do valor do frete no seu preço final aqui. É o que faço com guitarras, compro as mais caras porque custam o mesmo pra transportar do que as baratas.

    Eu fico puto porque do mesmo jeito que uma Gibson custa 17 mil reais em loja física e eu vendo para meus clientes uma  igual por 11 mil, um carro popular que custaria uns 15 mil custa 40.

    Se eu entrasse em uma loja pra comprar um carro lixo por 40mil eu me sentiria do mesmo jeito que entrando na Serenata aqui em BH  pagando 17 mil pela guitarra.

    Eu simplesmente não consigo fazer isso, não suportaria essa sensação de ser roubado.

    Ciro Gomes disse que é da cultura do brasileiro pagar caro pelas coisas e que deveria ser assim mesmo.

    Ciro Gomes é um filho da puta.


    O exemplo que usei da importação de caros talvez tenha furos e seja complicado porque é uma regra que muitos países aplicam, inclusive os EUA.

    Mas tem um mundo de coisas pelas quais pagamos mais caro pela porcaria produzida aqui para "proteger a indústria nacional" mas que na prática esse lixo produzido aqui é tão ruim que sequer pode ser comparado ou tido como um similar nacional para a contra parte importada.
    Ex:  Instrumentos musicais,  vários deles, o melhor exemplo são os teclados. Eu nem sei se existe teclado nacional que funcione, que dirá se se compara com um Yamaha...
  • Conheço amigos que estão preferindo motos.
      “Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes.    Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga.    Não estimularás a fraternidade, se alimentares o ódio.” [Abraham Lincoln]
  • JudasJudas Moderator
    editado November 20
    Percival disse: Conheço amigos que estão preferindo motos.

    Meu irmão está aqui em casa com dois dentes a menos, mais de um mês encostado pelo INSS e uma moto R3 arruinada porque um cara ao sair do estacionamento não olhou pra ver se vinha alguém.

     Ele tem um Punto bem conservado e comprou a moto pra economizar tempo e dinheiro ao ir pro trabalho.
    Não achei que isso tenha sido uma economia na vida dele.

    Agora é ver o que o seguro cobre ou não e resolver a encheção de saco sobre o acidente em sí, quem paga quem e o que.
  • Fernando_SilvaFernando_Silva Administrator, Moderator
    Judas disse:
    Percival disse: Conheço amigos que estão preferindo motos.
    Meu irmão está aqui em casa com dois dentes a menos, mais de um mês encostado pelo INSS e uma moto R3 arruinada porque um cara ao sair do estacionamento não olhou pra ver se vinha alguém.
    Se você acompanhar o noticiário sobre trânsito, vai escutar várias vezes por dia algo como "trânsito lento em tal lugar devido a um acidente com moto".
     
  • De fato, se voce usar aplicativos de carona, irá gastar menos dinheiro em um ano. 
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