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O ser humano não é o ápice da criação divina

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O ser humano, ápice da criação divina? 

Os crentes dizem que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, de uma só vez, nos primeiros 7 dias. Dizem também que o corpo humano é a maravilha da Criação e é prova de que Deus existe.

    A verdade é que o homem é o resultado de alguns bilhões de anos de evolução, a partir de bactérias unicelulares. Nosso DNA mostra isto. Ele é cumulativo e contém as características de todos os nossos antepassados, desde as primeiras bactérias. Por exemplo, temos os genes que dão olfato apurado ao rato, só que não funcionam em nós.

    Um projeto decente eliminaria tudo o que não fosse necessário. Mas a evolução é uma lenta acumulação de mutações aleatórias que foram selecionadas, não porque eram a melhor solução possível mas, porque naquele dado momento, representaram uma vantagem competitiva para os indivíduos com aquela mutação. Isto também significa que não houve preocupação com consequências a longo prazo. A evolução não planeja, apenas reage.

    Esta é uma lista de defeitos de "projeto" do corpo humano, uma boa porcaria que, se fosse realmente um projeto, teria sido rejeitado:

    1. As consequências de termos ficado de pé, ou seja, hemorróidas e problemas na coluna. As hemorróidas, devido à pressão do sangue no reto, que aumentou pela força da gravidade, enquanto que antes havia apenas a pressão do coração. A coluna, devido ao esforço extra de suportar nosso peso, que antes ficava distribuído pelas 4 patas.

    2. O joelho humano é mal projetado para a carga que tem que sustentar. E ficar muito tempo de joelhos pode provocar bursite devido ao excessivo esticamento da bursa (que cobre a rótula ou patela).

    3. O cotovelo tem nervos expostos que tornam muito dolorosa qualquer pancada. E o crânio não se reforçou o bastante para proteger o tamanho extra do cérebro humano.

    4. Parto doloroso: as fêmeas dos primatas podem fazer o próprio parto, puxando o filhote para fora com as próprias mãos. Nas mulheres, também por terem ficado de pé, o canal de saída é em curva e de tal forma que é preciso primeiro empurrar a cabeça numa direção e depois em outra até que ela saia, o que é quase impossível para a maioria das mulheres e resulta num parto demorado e doloroso e até na morte da mãe, em alguns casos. Um crente poderia alegar que isto é resultado do pecado original...

    5. Nosso sistema imunológico e a maioria dos outros é um festival de substâncias que são produzidas por nosso corpo para consertar alguma coisa ou ativar alguma função e que produzem efeitos colaterais que, por sua vez, são corrigidos por mais um grupo de substâncias que, por sua vez, etc. etc. Não parece um sistema projetado do zero e sim uma longa série de remendos em cima de remendos e que nunca fica bom. É desnecessariamente complicado e, por isto mesmo, ruim. Mas os crentes vêem nesta complexidade a prova de que houve um Criador.

    6. Nos homens, o canal urinário passa por dentro da próstata, uma glândula muito sujeita a infecções e ao inchamento resultante. Isto bloqueia a urina e é um problema comum em homens. Passar um tubo deformável através de um orgão que frequentemente se expande e bloqueia o fluxo no tubo não é um projeto inteligente. Qualquer idiota com meio cérebro (ou menos) projetaria "encanamentos" melhores para o homem.

    7. Os testículos se formam dentro da barriga e depois depois têm que passar pela parede abdominal e descer até o saco escrotal, deixando um ponto fraco (na verdade dois) na parede. Este ponto é o chamado canal inguinal e pode resultar em hérnia, deixando que os intestinos saiam e fiquem presos em baixo da pele. Os intestinos ficam prejudicados e o fluxo de sangue para os testículos se reduz ou é cortado. Além disso, às vezes um ou os dois testículos não descem. Grande design...

    8. Os testículos têm que ficar do lado de fora porque o calor do corpo reduz a fertilidade (o que não ocorre com os ovários). Além do problema acima, isto os deixa vulneráveis e deu origem à expressão "pé no saco".

    9. A maioria dos animais tem um olho de cada lado da cabeça. Os humanos também começam assim mas, durante a gestação, os olhos se movem para a frente. Em algumas pessoas, este deslocamento não é completo e elas ficam com os olhos muito separados.

    10. Nossa mandíbula reduziu-se em relação à de nossos antepassados. Os dentes do siso ficam meio que sobrando e nem chegam a nascer em algumas pessoas.

    11. O rabo que herdamos de nossos antepassados atrofiou-se e hoje nos resta apenas o cóccix mas, ainda que muito raramente, nascem crianças com rabo. Aparentemente, ocorre um problema com a programação genética para bloquear o crescimento do rabo durante a gestação.

    12. As mulheres já são capazes de engravidar aos 10 ou 11 anos mas, como o resto do corpo ainda não está preparado nesta idade, o crescimento é interrompido e ficam sequelas.

    13. A gravidez não é um processo saudável. Na verdade, consiste numa guerra imunológica entre a mãe e o "corpo estranho" em seu ventre, que pode causar a morte de bebês com fator RH diferente, e um dilúvio de hormônios e outras substâncias, dos quais a mulher emerge deformada e esgotada, às vezes até com uma forte depressão que leva algumas a rejeitar ou matar seus próprios filhos. A medicina moderna já tem meios de minimizar tudo isto mas a verdade é que, do ponto de vista da natureza, a saúde e o bem-estar da mãe não são importantes, desde que ela sobreviva por tempo suficiente para produzir a próxima geração e cuidar dela.

    14. A menstruação é um desperdício de sangue e energia. Preparar-se todos os meses para uma gravidez que quase nunca ocorre e depois jogar tudo fora está longe de ser a melhor solução. E o processo também envolve alterações hormonais que resultam na TPM, por exemplo, entre outros incômodos.

    15. O processo da fecundação não é uma coisa precisa e pode ocorrer fora do útero, como no caso da gravidez tubária.

    16. Ao contrário do homem, que está sempre produzindo novos espermatozóides, a mulher já nasce com todo o estoque de óvulos que usará durante a vida. Mas eles ficam velhos demais depois de uma certa idade, dando origem a crianças com problemas genéticos.

    17. Quando termina a idade fértil, vem a menopausa e a produção de hormônios se reduz ou cessa, deixando a mulher vulnerável a uma série de doenças.

    A única razão de a raça humana não se ter extinguido é sua inteligência, que lhe permite compensar com tecnologia suas deficiências e sua fragilidade.

    Os outros animais também apresentam claras evidências de evolução aleatória, como órgãos vestigiais, ou seja, asas que não servem para voar, dentes que existem em fetos de baleia e depois são reabsorvidos durante a gestação, guelras nos fetos de muitos animais (inclusive nos humanos) e que desaparecem, cobras com pernas atrofiadas etc. Ou então mutações em que características dos antepassados ressurgem. Tais esquisitices nem sempre atrapalham, mas comprovam que a evolução ocorreu por tentativas e as versões antigas foram se acumulando, ainda que atrofiadas, à medida em que versões mais eficientes surgiam. Ou seja, é um design porco, não um projeto em que cada versão é criada do zero, apenas com os elementos necessários. Sem remendos sobre remendos, e sim com a solução adequada.

    E para terminar:
    O inseto Xylocaris Maculipennis desenvolveu um hábito reprodutivo curioso conhecido como "estupro perfurante homossexual". Aparentemente, em algumas varidades deste inseto, o macho fecha a fêmea com um espécie de rolha após fertilizá-la para evitar que outros machos a fertilizem também. Algumas espécies se adaptaram a isto perfurando a fêmea durante a relação de modo a evitar o caminho normal e contornar a "rolha". O Xylocaris Maculipennis desenvolveu algo ainda mais drástico. O macho perfura e insemina outros machos à força de modo a que seus genes sejam carregados para as fêmeas quando o macho estuprado acasalar com elas. Deste modo, o estuprador insemina por procuração.


    Referência:
    http://www.talkorigins.org/faqs/jury-rigged.html 

O inferno existe?

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A Igreja Católica passou 2000 anos descrevendo o inferno como um lugar cheio de fogo e tortura. Jesus falou do "fogo que nunca se apaga" e do "verme que rói e nunca morre" (Marcos 09:43). Os protestantes ainda se apegam a essa idéia e é assim que ele foi mostrado aos pastores de Fátima durante uma das supostas aparições da Virgem. Agora a Igreja diz que o sofrimento é apenas a ausência de Deus, o arrependimento por se ter escolhido a opção errada. Não uma condenação, mas uma escolha individual. 

Se só ao chegar lá os pecadores vão realmente entender que estavam errados, como afirmar que a escolha foi consciente e informada? Pelo contrário, em Lucas 16:19-31 conta-se a parábola do rico no inferno que pede que seus irmãos ainda vivos sejam sejam avisados do que lhe aconteceu para que não acabem como ele, o que lhe é negado. A explicação, ridícula, é a de que, se não acreditaram em Abraão e nos profetas, também não vão acreditar se os mortos lhes aparecerem (por que não?!). Conclui-se que seus irmãos não sabiam do risco que corriam (mesmo porque, para os judeus, a noção de céu e inferno era um tanto confusa). E não é permitido ajudá-los. Deixem que se danem. 

Note-se que o condenado tinha bom coração. Ele poderia perfeitamente desejar que seus irmãos sofressem também. Outro absurdo é que Lázaro, o pobre, foi para o céu após uma vida de sofrimento enquanto que o rico foi para o inferno após uma vida de prazeres. Em outras palavras, por um instante de sofrimento, uma eternidade no céu e, por um instante de prazer, uma eternidade no inferno. Uma punição infinitamente desproporcional por uma falta cometida por quem não tinha total consciência de seus atos. E uma recompensa também desproporcional por uma vida de sofrimentos não necessariamente escolhida pelo sofredor e sim imposta a ele.

O castigo eterno é uma punição grande demais para faltas tão pequenas. Como podem leis absolutas ser aplicadas a seres finitos, limitados e nem um pouco absolutos como nós? Se Lúcifer, um ser de luz, um puro espírito, face a face com Deus, pôde errar, por que simples criaturas materiais devem ser tratadas do mesmo modo que ele? Onde está nosso livre arbítrio se nosso espírito está aprisionado nesta carcaça de carne, numa luta constante contra o apodrecimento? Se nossa visão das coisas é limitada pelos nossos sentidos limitados e nossos instintos animais? Se uma decisão inabalável pode ser destruída por uma enxaqueca ou uma diarréia?

O mundo que a Igreja descreve é como uma arena onde somos jogados para lutar contra os leões, mas com armas limitadas e contra a nossa vontade. Obrigados a participar de um jogo mortal, com regras injustas, obscuras e mutáveis e que nos foram impostas. E ainda temos que louvar o promotor do jogo. Kafka não faria melhor.

Um livre arbítrio bem entendido deveria começar pela escolha entre nascer ou não, receber este "presente" do "amor" de Deus ou escapar dele, de uma vida de sofrimentos que talvez seja seguida de uma tortura eterna que nós "escolhemos por vontade própria".

Em que medida uma criança é responsável pela educação que recebe e pelo meio social e familiar em que é criada, o que vai determinar que tipo de adulto será mais tarde? Que grau de responsabilidade tem ela por estes fatores que não estão sob seu controle? Mesmo que lhe falem de céu e inferno, será que ela está em condições de entender, qualquer que tenha sido sua educação? Será que lhe apresentam provas tão convincentes que ela não possa alegar que não viu motivos para crer?

O livre arbítrio é, na verdade, a possibilidade que Deus nos deu de irmos para o Inferno. Um pai que realmente ama seus filhos não apenas os alerta sobre o perigo mas também acaba com ele. Um pai amoroso não cria novos perigos propositalmente.

Suponhamos que o inferno exista. Uma pessoa só pode ir para lá se decidir, de livre e espontânea vontade, cometer atos que ela sabe, de plena consciência, que vão levá-la ao castigo eterno. Quem tomaria tal decisão, sabendo de todas as consequências de seus atos? Mesmo que alguém afirme: "Eu quero ir para o inferno!", não podemos acreditar em que esta pessoa saiba do que está falando. Para que sua escolha fosse válida, ela teria que ser levada ao inferno, ver e sentir o que significa ir para lá e só então decidir. Entretanto, tudo o que temos são lendas para assustar os crédulos.

A Igreja afirma que a escolha é nossa, que somos nós que decidimos e não Deus; isto é uma ofensa à nossa (ainda que limitada) inteligência. Admitir a existência do inferno significa admitir que o Deus infinitamente misericordioso é também infinitamente vingativo. Ou que nos criou já sabendo que iríamos para lá quando podia ter-nos feito diferentes.

Algumas citações:

"Qual é o propósito de um castigo eterno depois do fim do mundo? Se não serve para recuperar os pecadores ou como advertência para os demais, trata-se de simples vingança e é moralmente incorreto"(1)

"Nosso tempo de vida é limitado e nós somos limitados, o que limita a quantidade de pecados que podemos cometer. Mas o castigo do inferno é infinito, o que o torna infinitamente injusto" (2)

"Deus diz: "Faça o que você quiser mas, se escolher errado, você será torturado no inferno por toda a eternidade". Isto não é liberdade de escolha. Equivale a um homem que diz a sua namorada: "Faça o que você quiser mas, se escolher me deixar, eu vou atrás de você e estouro seus miolos". Quando um homem diz isto, nós o chamamos de psicopata e exigimos sua prisão. Quando Deus diz isto, nós dizemos que ele nos ama e construímos igrejas em seu louvor" (3)

"Acredite em Jesus sem provas e evidências ou seja torturado eternamente. Ameaças em lugar de argumentos. Os homens inteligentes são os pecadores e os crédulos, os santos. O inferno é o lugar para onde os covardes enviam os heróis" (4)

Diz a Bíblia:
Marcos 16:15-16: "Então Jesus disse-lhes: "Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade. Quem acreditar e for batizado, será salvo. Quem não acreditar, será condenado".
João 15:06: "Quem não fica unido a mim será jogado fora como um ramo, e secará. Esses ramos são ajuntados, jogados no fogo e queimados." 
Mensagem: acredite sem questionar ou queime no inferno para sempre. Isto são Boas Novas ou o decreto de um tirano?

Se Jesus manda perdoar os inimigos e oferecer a outra face, como ele poderia condenar ao castigo eterno alguém que honestamente não viu motivos para acreditar nele? O que ele responderia se isto lhe fosse perguntado pelo penitente na hora do Juízo Final? Ou ele não é obrigado a seguir seus próprios mandamentos?

Muitos crentes se dizem "salvos" porque "aceitaram Jesus como seu salvador" e acham que não precisam fazer mais nada, já que eles se agarram ao Evangelho segundo João, que diz que o importante é a fé e não as boas obras, que os ateus irão para o inferno por mais virtuosos que sejam. Boa parte dos crentes parece considerar o Juízo Final como o momento da vingança, o momento em que serão glorificados diante de todos e irão para o céu enquanto a escumalha, os descrentes, os infiéis, serão jogados no inferno. Os católicos também já foram assim, como se vê por estas duas citações:

"Para que os santos possam desfrutar de sua beatitude e da graça de Deus mais abundantemente, lhes é permitido ver o sofrimento dos condenados no inferno" (5)

"Ah, que cena magnífica! Como eu vou rir e ser feliz e exultar quando eu vir esses filósofos tão sábios, que ensinam que os deuses são indiferentes e que os homens não tem alma, assando e torrando diante de seus discípulos no inferno" (6)

Outros crentes dizem que não há desculpa para quem não quer "aceitar Jesus", já que a Bíblia está ao alcance de todos e as igrejas estão por toda a parte, de portas abertas. Dizem que têm pena dos que serão condenados, mas que é a escolha deles. E que os milhões de descrentes terão uma surpresa muito desagradável no final dos tempos. Por mais que digam o contrário, a impressão que se tem ao ouví-los é de que estão esfregando as mãos de felicidade, na expectativa do dia da vingança.

Como disse Mark Twain, "as pessoas que me dizem que eu vou para o inferno e que elas vão para o céu de certa forma me deixam feliz por não estarmos indo para o mesmo lugar". 


Fontes:
(1) Lord Byron, "Detached Thoughts", no.96 (1821- 
22) em "Byron's Letters and Journals", vol. 9,
1979.
(2) Dennis McKinsey, "Biblical Errancy - My two 
pamphlets".
(3) William C. Easttom II
(4) Lemuel K. Washburn, "Is The Bible Worth Reading
And Other Essays"
(5) Tomás de Aquino, 1225-1274, "Summa Theologica"
(6) Tertuliano, "De Spectaculis"

Onde está o texto original da Bíblia?

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A Bíblia nem sempre teve a forma que conhecemos hoje, que só passou a existir depois que os primeiros cristãos agruparam num único "codex", ou seja, um livro com páginas, os vários "livros" que até então existiam em separado, cada um em seu rolo de pergaminho, guardados em jarros. Alguns tinham uma parte, outros tinham outras.

Embora haja um consenso de que a Bíblia começou a ser registrada por escrito por volta de 800 a.C. (época de I Reis), a cópia mais antiga data de uns 120 a.C., não permitindo comparações com os hipotéticos originais.

Temos os originais ou, pelo menos, cópias contemporâneas dos mitos sumérios, babilônicos, egípcios etc.
Do "Livro dos Mortos" egípcio, do Épico de Gilgamesh, da história de Tiamat e Marduk.

Compare-se isto às lendas sem comprovação por documentos de época dos judeus que, ao contrário dos outros povos, não deixaram pirâmides, templos, palácios, cidades etc. Nada além das ruínas de um templo relativamente recente e raros fragmentos de artefatos de interpretação duvidosa.

Ao longo dos milênios, os hebreus transmitiram seus mitos oralmente. Como garantir que lendas permaneçam inalteradas durante tanto tempo enquanto passam, conservadas apenas na memória, de geração para geração, cada uma interpretando a sua maneira o que ouviu? Ainda mais porque os judeus atravessaram várias realidades diferentes: nômades, pastores, agricultores, escravos, urbanóides etc., cada uma influenciando a maneira de ver as coisas do presente e a interpretação das lendas recebidas do passado.

Sem falar em que não eram um povo único: além de viverem em lugares diferentes, como Israel e Judá, estavam divididos em várias tribos independentes e, muitas vezes, inimigas. Cada tribo, cada comunidade, gerou seus mitos de origem e conservou relatos de fatos ocorridos. Esses relatos, centenas ou milhares deles, não contavam uma história única, mas, amontoados como colcha de retalhos em um só texto, passaram a ser vistos como parte de uma única história e, neste processo, ganharam novos significados (1).

Não sabemos como isto ocorreu nem quando. Não temos nenhuma informação sobre a evolução e as modificações sofridas por essas lendas durante os milênios para poder dizer se houve continuidade, coerência ou planejamento. Tudo o que temos é a versão que os escribas decidiram registrar, baseados em seus critérios pessoais, que ignoramos, para agrupar centenas ou milhares de lendas independentes em uma narrativa que fizesse sentido para eles, naquela época. (2)

E, como não temos os originais de 800 a.C., não temos como saber se, assim como o Novo Testamento, houve múltiplas versões, de vários autores, que foram aos poucos sendo selecionadas até se ter a versão de 120 a.C., que sobreviveu, ou, o que é improvável, uma única versão logo de cara. Os crentes, portanto, não podem afirmar que "a homogeneidade do texto, apesar de escrito por tantos autores ao longo de tanto tempo, prova a inspiração divina".

Se a Igreja precisou dar sumiço em centenas de evangelhos, epístolas, apocalipses e atos dos apóstolos para deixar apenas o que lhe convinha, como supor que o mesmo não aconteceu durante os 700 anos entre os primeiros registros escritos e a versão que nos chegou?

O mais provável é que um monte de textos independentes e discordantes tenham sido analisados, ao longo dos séculos, com alguns deles selecionados e reescritos conforme a visão de cada época, até se ter algo que foi então proclamado arbitrariamente "a palavra de Deus". Este processo não eliminou totalmente os absurdos, contradições e referências ao politeísmo dos hebreus originais, talvez porque os escribas não tenham ousado modificar completamente histórias tradicionais que lhes pareciam sagradas.

David Plotz, um judeu ateu, analisou a Torah, livro por livro, e publicou suas conclusões no livro "Good Book". Eis um trecho:

"Aqueles que, a partir de 800 a.C., registraram os mitos antigos, mantiveram todos aqueles fenômenos espantosos, com Javé aparecendo em pessoa a cada momento e castigando horrivelmente as menores falhas de seus 'protegidos'.

Tudo aquilo tinha ocorrido numa idade mitológica, onde tais portentos eram possíveis.

Entretanto, quando começam a registrar os acontecimentos de sua época (I Reis em diante), quase nada de miraculoso acontece. Reis e sacerdotes são corruptos e pecadores, mas Javé não está nem aí e milagres ou punições divinas desaparecem. Eles relatam apenas o que viam diante de seus olhos: apenas pessoas comuns vivendo vidas comuns".(3)

Notas:

1. "Most scholars  —  at least those who aren’t literalists — doubt
that a book like Genesis was composed by a single writer. Rather,
it was written, edited, and redacted by various scribes over hundreds
of years. James Kugel, author of How to Read the Bible, famously
calls the Bible a work of “junk sculpture,” meaning that various
random bits have been soldered together and thus turned into a new
piece of art. The separate stories that make up the Bible had their
own individual meanings. But welded together in a “book of Genesis",
the stories take on entirely new meanings, because the juxtapositions
create significance never intended by the authors.

Professor Jacques Berlinerblau of Georgetown extends Kugel’s argument.
In a fascinating book, The Secular Bible, Berlinerblau contends that
all biblical interpretation rests on a false premise of the Bible as
a coherent whole. Rather, he says, we must recognize that the book is a
pastiche of accidental juxtapositions. Any meaning we ascribe to those
juxtapositions is artificial, and was never intended by the author —
because, in fact, there was no author, merely a series of editors separated
by centuries and often working at cross-purposes. We impose meaning on
these disjointed stories to serve our own religious, spiritual, political,
or literary purposes, says Berlinerblau, but we’re deluding ourselves
if we think that our meanings are intended by the book."

2. Outro ponto é que isto ocorreu sob a influência dos persas, com seu monoteísmo e seu conceito de céu e inferno, enquanto que os judeus, até então, eram monólatras, adorando a um só deus, mas acreditando na existência de vários. O Eclesiastes deixa claro a crença no "morreu, acabou", conservada pelos saduceus (que não participaram do exílio na Babilônia), ao contrário dos fariseus ("farisi" = persa).

Atos 23:08 - "Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa".

3. "Third—and this is the explanation I believe — we ascribe grandeur
to the far past. The present, by contrast, seems mundane. The Bible
was written down long after the events of Genesis, Exodus, etc.
supposedly occurred, but right around the time of the events in Kings.

As we know from various religious and mythical traditions, events in
the distant past — events passed down by oral tradition — become
exaggerated  and aggrandized. It’s very easy to attribute ancient dramas
to divine intervention. There was an earthquake or a plague? It must
have been God’s revenge for a rebellion. The Israelites fled Egypt?
Well then, God held back the Red Sea.

The passage of time allowed the authors of the Bible to see the hand
of God everywhere. But as biblical events get closer to the time of
writing, there are more obvious human explanations. That was surely
as true for the authors of the Bible as it is for us, and that’s probably
why they imagined that God interfered so much in the Israelites’ daily
lives in Exodus, but was only a shadowy presence during their own time."

25 ARGUMENTOS CRIACIONISTAS & 25 RESPOSTAS EVOLUCIONISTAS

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 O que se segue é uma lista de argumentos utilizados pelos criacionistas. Aborda principalmente os problemas que eles vêem na teoria evolucionista. Tais argumentos, embora mais discretamente, também defendem sua crença religiosa. Os argumentos e respostas foram simplificados por uma questão de espaço, mas mostram o essencial do debate. Eu os organizei para uso durante meu seminário sobre o assunto, com a duração de um semestre, e cabe aqui uma importante advertência: estas explicações não substituem uma leitura mais detalhada das obras disponíveis. Podem até servir para uma conversa casual, mas não para um debate formal com criacionistas bem preparados.

Explicações mais detalhadas podem ser encontrados em inúmeros livros como os citados a seguir, que eu usei para preparar este texto e que são um bom lugar para se começar:

Evolution: The History of an Idea (1989) por Peter Bowler (University of California Press); Science on Trial: The Case for Evolution (1982) por Douglas Futuyma (Pantheon); Creationism on Trial: Evolution and God at Little Rock (1985) por Langdon Gilkey (Harper & Row); Scientists Confront Creationism (1983) por Laurie Godfrey (ed.) (Norton); Hen's Teeth and Horse's Toes(1983) e Bully for Brontosaurus (1991) por Stephen Jay Gould (Norton); The Creationists (1992) por Ronald Numbers (Knopf); Darwinism Defended (1982) por Michael Ruse (Addison-Wesley).

Agradeço a Donald Prothero, Elie Shneour e Tom McIver, da equipe de editores da Skeptic, por revisar a lista.

Uma segunda advertência: céticos com frequência se envolvem em debates, alguns formais e a maioria informal, portanto seria sensato considerar as palavras de Stephen Jay Gould, que se confrontou com criacionistas em muitas ocasiões (tiradas de uma conferência na CALTECH em 1985):

Debater é uma forma de arte. Trata-se de vencer por meio de argumentos. Não se trata de descobrir a verdade. Há certas regras e procedimentos para se debater que nada têm a ver com se estabelecerem os fatos – e os criacionistas são muito bons nisto. Algumas destas regras são: nunca diga nada de bom sobre aquilo que você defende, pois dá ao oponente a chance de lhe atacar. Em vez disto, martele os pontos que lhe parecem fracos na posição de seu oponente. Eles são bons nisto e eu não creio que possa vencê-los num debate. Só consigo empatar. Nos tribunais, entretanto, eles ficam em desvantagem porque, durante um julgamento, você não pode desenvolver o assunto. Num tribunal, você tem que responder a perguntas diretas sobre as virtudes de sua crença. Nós os destruímos no Arkansas. No segundo dia de um julgamento de duas semanas, já tínhamos definido nossa vitória!

MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DA MORTE DE UM MONSTRO

"O mundo foi criado a partir dos pedaços de um monstro derrotado”

Culturas representativas: indochineses, cabilas (África), habitantes das ilhas Gilbert, coreanos, sumério-babilônicos, gregos

MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DE UMA ORDEM DIVINA

"O mundo surgiu por ordem de um deus”

Culturas representativas: Egípcios, maias, índios maidu, hebreus, sumérios, gregos

MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DE UM CASAL PRIMORDIAL

"O mundo foi criado por meio da interação de pais primordiais"

Culturas representativas: índios zufii, habitantes das ilhas Cook, gregos, índios luisciio, egípcios, taitianos

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ARGUMENTOS FILOSÓFICOS E RESPOSTAS

   1. O criacionismo científico é científico e portanto deve ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas.

O criacionismo científico só é científico no nome. É uma defesa mal disfarçada da crença religiosa na criação especial, portanto não tem cabimento apresentá-lo em cursos de ciência nas escolas públicas, e não merece mais atenção do que mereceriam coisas chamadas “ciência islâmica”, “ciência budista” ou “ciência cristã”. A afirmação a seguir vem do Instituto de Pesquisa Criacionista (Institute for Creation Research), que é o departamento de “pesquisa” do Christian Heritage College e estabelece as normas que são seguidas por todos os membros da faculdade e pesquisadores. Ela deixa claro quais são suas verdadeiras crenças. Não há nada de científico no “criacionismo científico”:

Acreditamos na absoluta integridade das Sagradas Escrituras e em que foram totalmente inspiradas pelo Espírito Santo quando seus originais foram escritos por homens preparados por Deus para este objetivo. As escrituras, tanto o Antigo como o Novo Testamento, são inerrantes sobre qualquer assunto que abordem e devem ser aceitas em seu sentido natural e planejado [...] todas as coisas no universo foram criadas e feitas por Deus nos seis dias da criação especial descrita no Gênesis. O relato criacionista é aceito como factual, histórico e claro, e assim é fundamental para o entendimento de cada fato e fenômeno no universo criado.

   2. Nem o criacionismo nem o evolucionismo são científicos porque “a ciência só se ocupa do aqui-e-agora e não pode responder a perguntas sobre a história da criação do universo e as origens da vida e do homem”.

Isto, é claro, derruba o “criacionismo científico” e o argumento #1, mas é falso, de qualquer forma, porque o fato é que a ciência lida com fenômenos do passado, como é o caso de ciências históricas como a cosmologia, geologia, paleontologia, paleoantropologia e arqueologia. Há ciências experimentais e ciências históricas, que usam metodologias diferentes, mas que se equivalem em sua capacidade de entender a causalidade, e a biologia evolucionária é uma ciência histórica válida e legítima. Se esta afirmação fosse correta, grande parte da ciência, e não apenas o evolucionismo, seria estéril.

   3. Já que a educação inclui aprender todos os pontos de vista sobre um assunto, é apropriado que tanto o criacionismo quanto o evolucionismo sejam ensinados lado a lado nas escolas públicas. Não fazer isto viola a filosofia da educação e a liberdade dos criacionistas, ou seja, nós temos o direito de ser ouvidos. Além disto, que mal há em se ouvir ambos os lados?

Apresentar múltiplos pontos de vista sobre cada assunto certamente faz parte do processo educacional e poderia ser apropriado discutir criacionismo em aulas de religião, história e até mesmo filosofia, mas certamente não de ciência, não mais do que cursos de biologia devam abordar os mitos da criação dos índios americanos. Não tratar de tais assuntos não viola os direitos de ninguém, já que em lugar nenhum na natureza ou na constituição está dito que todos têm direito a ensinar criacionismo nas escolas públicas. Os direitos não existem na natureza. Direitos são um conceito construído por humanos para proteger certas liberdades, mas degeneraram em pedidos de privilégios especiais para praticamente cada grupo e indivíduo na América que deseja algo que não tem. E, por fim, faz muito mal ensinar “criacionismo científico” como se fosse ciência porque é uma agressão a todas as ciências, não apenas à biologia evolucionária. Se o universo e a Terra tivessem apenas 10 mil anos de idade, a cosmologia, astronomia, física, química, geologia, paleontologia etc. seriam invalidadas. O criacionismo não pode nem mesmo estar parcialmente correto. No momento em que se admite uma causa sobrenatural para o surgimento de uma única espécie que seja, todas poderiam ter sido criadas assim e as leis da natureza perderiam a utilidade e o sentido.

   4. Há uma espantosa correspondência entre os “fatos” da natureza e os “atos” da Bíblia. Portanto, é apropriado referenciar os livros de “criacionismo científico” à Bíblia e considerar a Bíblia como um livro de ciência, tanto quanto o livro da natureza.

A verdadeira mentalidade dos criacionistas pode ser vista na citação de Henry Morris abaixo. Ele dirige o Institute for Creation Research e suas palavras revelam sua preferência pela fé como autoridade no caso de se encontrar qualquer evidência empírica contraditória (o que demonstra que eles não têm nenhuma metodologia científica):

A principal razão para se insistir no Dilúvio Universal como um fato histórico e como base para a interpretação geológica é que é isto que a Palavra de Deus nos ensina! Não podemos permitir que dificuldades geológicas, reais ou imaginadas, tenham precedência sobre as claras afirmações da Bíblia e as implicações que necessariamente resultam delas.

Seria ridículo imaginar os professores da CALTECH, por exemplo, defendendo uma crença cega deste tipo no livro de Darwin ou no de Newton no sentido de que nenhum fato discordante pudesse ter precedência sobre a autoridade do livro.

5. A teoria da seleção natural é tautológica, ou seja, é uma forma de raciocínio
circular. Aqueles que sobrevivem são os mais bem adaptados. Quem são os mais
bem adaptados? Aqueles que sobrevivem. Da mesma forma, rochas são usadas para
datar fósseis e fósseis são usados para datar rochas. A ciência não pode se basear
em tautologias.

Criacionistas têm uma visão muito simplista e um entendimento ingênuo de como funcionam a seleção natural e as forças geológicas. Em primeiro lugar, a seleção natural não é o único mecanismo de mudança orgânica (p.ex., Darwin escrevou um livro inteiro sobre a seleção sexual). Em segundo lugar, a genética da população mostra claramente, e com previsões matemáticas, quando a seleção natural vai provocar ou não mudanças numa população. Em terceiro lugar, é possível se fazerem previsões com base na teoria da seleção natural e então testá-las, como os geneticistas fazem no exemplo acima ou os paleontologistas fazem ao interpretar o registro fóssil. A seleção natural e a teoria da evolução são testáveis e falsificáveis. Se encontrássemos fósseis de hominídeos na mesma camada geológica que os trilobitas, por exemplo, teríamos uma evidência contra a teoria. A datação de fósseis a partir da rochas e vice-versa só pode ser feita depois que a sequência de camadas foi estabelecida. Esta sequência não é encontrada inteira em nenhum lugar porque as camadas estão interrompidas, deformadas e sempre incompletas por várias razões. Por outro lado, a ordem das camadas não é aleatória e a ordem cronológica pode ser determinada usando-se um conjunto de técnicas, sendo que os fósseis são apenas uma delas.

6. “Só há duas explicações para a origem da vida e a existência do homem, das plantas e dos animais: ou resultam do trabalho de um criador ou não”. Como as evidências não sustentam a teoria da evolução (ou seja, ela está errada), o criacionismo tem que estar certo. Qualquer evidência “que não é a favor da teoria da evolução é necessariamente a favor do criacionismo”.

Desconfie dos que dizem que “só há duas...”. Este é o clássico erro lógico conhecido como a falácia do isto-ou-aquilo, ou falácia das falsas alternativas. Se A é falso, então B tem que ser verdade. Ah é? Por que? Será que B não pode ser verdade sem depender de A? Claro que sim. Portanto, mesmo que se descubra que a teoria da evolução está totalmente errada e tudo não passou de um grande engano, isto não significa que, por mágica, o criacionismo esteja certo. Talvez haja alternativas C, D e E que ainda temos que considerar. Entretanto, há uma dicotomia verdadeira no caso de explicação natural versus explicação sobrenatural. Ou a vida foi criada e evoluiu por meios naturais ou não. Cientistas assumem que as causas foram naturais e os evolucionistas discutem as várias causas envolvidas, e não se tudo aconteceu por meios naturais ou sobrenaturais.

7. A teoria da evolução é a base do marxismo, comunismo, ateísmo e imoralidade e é a causa do declínio generalizado dos valores morais e da cultura da América, portanto é ruim para nossas crianças.

Neste argumento, começamos a ver que o criacionismo tem como base cultural um movimento social e político, e não científico. É por isto, em parte, que eles apelaram para o sistema legislativo numa tentativa de fazer com que o Estado imponha o ensino de sua “ciência” aos estudantes. Mas as leis não podem transformar um sistema de crenças em algo científico. Apenas os cientistas podem fazer isto.

A teoria da evolução, em particular, e a ciência, de modo geral, não são as responsáveis por estes “ismos” assim como as impressoras não são responsáveis pelo livro “Mein Kampf”, de Hitler. O fato de que a ciência da genética tenha sido usada para reforçar teorias raciais sobre a inferioridade inata de alguns grupos não significa que nós devamos abandonar o estudo da genética. Pode muito bem haver evolucionistas marxistas, comunistas, ateus e até imorais (seja lá qual for a definição de imoralidade), mas provavelmente há outros tantos evolucionistas capitalistas, teístas (ou agnósticos) e de moral inatacável. Quanto à teoria propriamente dita, pode ser usada para justificar o marxismo, o comunismo e o ateísmo, e foi, mas também tem sido usada (especialmente na América) para dar respeitabilidade científica ao liberalismo capitalista. Associar teorias científicas a ideologias políticas é um assunto perigoso e devemos ter cuidado ao fazer conexões sem evidências claras.

8. A teoria da evolução e seu amante, o humanismo secular, são, na verdade, uma religião, portanto não devem ser ensinadas nas escolas públicas.

Chamar a ciência da biologia evolucionária de religião é definir religião de uma maneira tão genérica que ela se torna totalmente sem sentido. Ciência é um conjunto de métodos criados para descrever e interpretar fenômenos observados ou inferidos, passados ou presentes, com o objetivo de se construir um corpo de conhecimentos aberto à rejeição ou confirmação. Religião – qualquer que seja – certamente não é “testável” nem “aberta à rejeição ou confirmação”. Da mesma forma, o “secular” de humanismo secular significa, por definição, “não religioso” e, portanto, não pode ser considerado religioso. As metodologias da ciência e da religião apontam em direções totalmente opostas.

9. Muitos dos principais evolucionistas são céticos quanto à teoria e a consideram
problemática. Por exemplo, a teoria do equilíbrio pontuado de Stephen Jay Gould e
Niles Eldredge provou que Darwin estava errado. Se os maiores evolucionistas do
mundo não conseguem entrar num acordo, a coisa toda deve ser uma bobagem.

É particularmente irônico que os criacionistas tenham que citar o principal opositor ao criacionismo – Gould – nas suas tentativas de usar a ciência em seu benefício. Os criacionistas interpretam de forma errada, ou por ingenuidade ou intencionalmente, o saudável debate científico entre evolucionistas quanto aos agentes que causam as mudanças orgânicas. Eles parecem achar que esta troca normal de idéias e a natureza auto-corretiva da ciência são uma prova de que o evolucionismo está se esfarelando. Evolucionistas debatem e discutem sobre muitos detalhes, mas todos eles concordam sobre uma coisa: a evolução ocorreu. O que eles continuam debatendo é exatamente como ela ocorreu e qual a importância dos diversos mecanismos que a provocam. A teoria do equilíbrio pontuado de Eldredge e Gould é um refinamento e um aperfeiçoamento da teoria mais geral de Darwin. Ela não prova que Darwin estava errado assim como a relatividade de Einstein não prova que Newton estava errado.

10. A história da teoria da evolução em particular, e da ciência em geral, está cheia de
teorias erradas e idéias derrotadas. O homem de Nebraska, o homem de Piltdown, o
homem de Calaveras e o Hesperopithecus são apenas algumas das besteiras que os
cientistas fizeram. Fica claro que a ciência não merece confiança e as teorias
modernas não são melhores que as antigas.

Mais uma vez, esta é uma confusão grosseira sobre a natureza da ciência, que está constantemente construindo novas idéias sobre as idéias do passado. A ciência não apenas muda, ela se baseia no passado e avança para o futuro. Comete muitos erros, mas a característica de auto-correção do método científico é uma das suas mais belas qualidades. Fraudes como a do homem de Piltdown ou do homem de Calaveras e erros honestos como o do homem de Nebraska e do Hesperopithecus são, mais cedo ou mais tarde, descobertos. A ciência tropeça às vezes, mas levanta a si mesma, sacode a própria poeira e segue em frente. Como disse Einstein, a ciência pode ser “primitiva e infantil”, mas “é a coisa mais preciosa que temos”. É particularmente paradoxal que os “cientistas” criacionistas usem a retórica da ciência de modo a parecerem pesquisadores sérios e, ao mesmo tempo, ataquem exatamente as virtudes da ciência que eles dizem ter.

11. Todas as causas têm efeitos. A causa de “X” tem que ser “do mesmo tipo que X”, ou
seja, a causa da inteligência tem que ser inteligente. Além disto, se recuarmos no
tempo em busca da causa de cada causa, é preciso concluir que vamos acabar
encontrando uma primeira causa – Deus. O mesmo acontece com o movimento
(todas as coisas em movimento devem ter tido um primeiro motor, um motor que não
precisa de outro motor para se mover – Deus). Além disto, todas as coisas no
universo têm um propósito, portanto tem que existir um projetista inteligente.

Se isto fosse verdade, então a natureza deveria ter uma causa natural, e não uma causa sobrenatural! Mas isto não é verdade: a causa de “X” não precisa ser “do mesmo tipo que X”. A “causa” da tinta verde é tinta azul misturada com amarela, e nenhuma delas é verde. Esterco animal faz as árvores frutíferas crescerem melhor. As frutas são deliciosas de se comer e, portanto, nem um pouco parecidas com esterco! Os argumentos da primeira causa e do primeiro motor, brilhantemente proferidos por São Tomás de Aquino no século 14 e ainda mais brilhantemente refutados por David Hume no século 18, são facilmente respondidos com apenas mais uma pergunta: quem ou o que causou e moveu Deus? Além disto, como Hume demonstrou, “propósito” é muitas vezes uma coisa ilusória e subjetiva. “O pássaro que madruga pega a minhoca” é uma boa idéia se você for o pássaro, mas não se você for a minhoca. Dois olhos parece ser a quantidade ideal, mas, como Richard Hardison comentou, “não seria bom ter um olho a mais na nuca e ainda um outro na ponta do dedo indicador para ajudar quando você estivesse mexendo atrás do painel de um automóvel?” Propósito é, em parte, aquilo a que estamos acostumados. A verdade é que nem tudo foi lindamente projetado e com um propósito. Mesmo sem falarmos no problema do mal, das doenças e deformidades que os criacionistas convenientemente fingem não ver, a natureza está cheia de coisas bizarras e sem propósito aparente. Os bicos dos seios masculinos e o polegar dos pandas são apenas dois exemplos do que Gould gosta de exibir como estruturas mal projetadas e sem propósito. Se Deus graciosamente projetou a vida para se encaixar perfeitamente como as peças de um quebra-cabeças, como você explica essas esquisitices?

12. Uma coisa não pode ser criada a partir do nada, dizem os cientistas. Portanto, de
onde veio o material para o Big Bang? E de onde vieram as primeiras formas de
vida que deram origem à evolução? A experiência de Stanley Miller, que criou
aminoácidos a partir de uma “sopa” orgânica e outras moléculas biogênicas não é
a criação da vida.

A ciência não tem condições de responder a perguntas “definitivas” do tipo “o que havia antes do começo do universo?”, “que horas eram antes do tempo começar?”, “de onde veio a matéria para o Big Bang?”. Estas perguntas são filosóficas ou religiosas, não científicas, e portanto não são parte da ciência. A teoria da evolução tenta entender as causas da mudança depois que o tempo e a matéria foram “criados” (seja lá o que isto signifique). Quanto às origens da vida, a bioquímica tem uma explicação bem racional e científica para a evolução de compostos inorgânicos para orgânicos, a criação de aminoácidos e a contrução de cadeias de proteínas, as primeiras e primitivas células e assim por diante (e Miller nunca afirmou ter criado vida, apenas algumas das partes que a formam). Embora estas teorias ainda tenham pontos fracos e estejam sujeitas a intensos debates científicos, já mostram que existe uma explicação razoável sobre como se avançou do Big Bang até o cérebro humano no universo que conhecemos.

ARGUMENTOS “CIENTÍFICOS” E RESPOSTAS

13. As estatísticas mostram que, à taxa atual de crescimento e considerando a
população atual, havia apenas duas pessoas vivendo há, aproximadamente, 6300
anos atrás, ou seja, 4300 a.C. Isto prova que a humanidade e a civilização são bem
recentes. Se a Terra fosse mais velha, com um milhão de anos, por exemplo, após
25000 gerações a uma taxa de crescimento de 0,5% e uma média de 2,5 crianças
por família, a população de hoje seria de 10 elevado a 2100 pessoas., o que é
impossível, já que só há 10 elevado a 130 elétrons no universo conhecido.

Como Disraeli comentou (e Mark Twain repetiu), há três tipos de mentiras: “mentiras, mentiras descaradas e estatísticas”. Mas, se você quer jogar o jogo dos números, eis mais alguns: segundo esta análise, em 2600 a.C. haveria uma população total na Terra de umas 600 pessoas. Nós sabemos com um alto grau de certeza que, em 2600 a.C., havia civilizações florescendo no Egito, Mesopotâmia, vale do rio Indo, China etc. Se, generosamente, dermos ao Egito 1/6 da população mundial, teriam sido necessários alguns milagres ou talvez a ajuda de antigos astronautas para que 60 pessoas conseguissem construir as pirâmides, sem falar em todos os outros monumentos arquitetônicos! O fato é que as populações não crescem de maneira constante. Há períodos de grande expansão e outros até com diminuição. A história da população humana antes da Revolução Industrial é uma série de momentos de crescimento e prosperidade seguidos por fome e declínio. A curva populacional está cheia de picos e vales ao longo dos milhares de anos em que a humanidade lutou para escapar da extinção, embora, em média, tenha sempre crescido, ainda que bem lentamente. Foi apenas a partir do século 19 que a taxa de crescimento se acelerou.

14. A seleção natural só causa pequenas mudanças nas espécies – microevolução. As
mutações que os evolucionistas usam para explicar a macroevolução são sempre
prejudiciais, raras e aleatórias, e não podem ser vistas como a força que
impulsiona a mudança evolucionária.

Jamais esquecerei as quatro palavras que o biólogo evolucionista Bayard Bratstram martelava em nossos cérebros quando estudávamos na Universidade Estadual da Califórnia, em Fullerton - “Mutantes não são monstros”. O que ele queria dizer é que aquilo que o público em geral entende como mutação são as vacas de duas cabeças apresentadas em feiras rurais e coisas assim, mas não é este tipo de mutação que os evolucionistas estudam. Ninguém dirá que mutações assim são benéficas, mas a maioria das mutações são apenas pequenas aberrações genéticas ou cromossômicas que causam efeitos mínimos. Alguns destes pequenos efeitos podem ser benéficos a um organismo que vive num meio ambiente sujeito a constantes variações. Além disto, a teoria moderna da “especiação alopátrica”, sugerida por Ernst Mayr e integrada à paleontologia por Eldredge e Gould, demonstra precisamente como a seleção natural, em conjunto com outras forças e circunstâncias da natureza, pode produzir – e produz – novas espécies.

Nota: especiação alopátrica ou geográfica é o surgimento de novas espécies devido ao isolamento geográfico.

15 . Não há fósseis de transição em nenhum lugar, incluindo e especialmente humanos.
O registro fóssil inteiro é uma coisa embaraçosa para os evolucionistas. Os
neandertais, por exemplo. Não passam de esqueletos doentes – artrite, deformações
por desnutrição etc., o que explica as pernas arqueadas, supercílio saliente e
esqueleto maior. E o Homo Erectus e o Autralopithecus são apenas macacos.

Os criacionistas sempre citam o famoso trecho de “A origem da espécies”, de Darwin, onde ele pergunta: "Por que então todas as formações geológicas e todos os estratos não são ricos em formas intermediárias? O certo é que a geologia não revela nenhuma cadeia orgânica com uma progressão perfeitamente gradual e talvez seja esta a mais grave objeção que possa ser anteposta à minha teoria". Uma resposta é que exemplos de fósseis transicionais foram descobertos em abundância desde a época de Darwin. Basta pesquisar em qualquer texto sobre paleontologia. Uma segunda resposta foi fornecida em 1972 por Eldredge e Gould, quando eles mostraram que lacunas no registro fóssil não indicam falta de dados sobre uma mudança lenta e gradual. Na verdade, isto é evidência de mudanças súbitas em determinadas ocasiões. Usando a “especiação alopátrica” de Mayr, onde populações “fundadoras” pequenas e instáveis ficam isoladas na periferia de populações maiores, eles mostraram que a mudança relativamente rápida nestas pequenas populações cria novas espécies, mas deixa para trás poucos fósseis, quando deixa. O processo de fossilização ocorre raramente. Ele quase não existe durante esses tempos de especiação rápida. A falta de fósseis é uma evidência de que a mudança foi rápida, e não uma falta de evidência de evolução gradual.

16. A Segunda Lei da Termodinâmica prova que a evolução não pode ter ocorrido, já
que o universo e a vida se movem do caos para a ordem e do simples para o
complexo, o oposto exato da entropia prevista pela Segunda Lei.

Em primeiro lugar, em qualquer escala de tempo que não seja a maior de todas – 600 milhões de anos de vida sobre a Terra – as espécies não evoluem do simples para o complexo e a vida não se move assim tão simplesmente do caos para a ordem. A história da vida é toda marcada por começos fracassados, experiências que falharam, pequenas extinções e extinções em massa, e recomeços caóticos. Não se parece nem um pouco com aquelas figuras coloridas das revistas que mostram a vida evoluindo da primeira célula viva até os humanos. Entretanto, mesmo numa escala maior de tempo, a Segunda Lei permite esta mudança porque a Terra está dentro de um sistema que recebe energia externa do Sol continuamente. Enquanto o Sol brilhar, a vida poderá continuar progredindo e evoluindo, da mesma forma que os automóveis podem ser protegidos da corrosão, hambúrgueres podem ser aquecidos no forno e muitas outras coisas que parecem violar a Segunda Lei e a entropia podem continuar existindo. Mas, assim que o Sol se apagar, a entropia voltará a aumentar e a vida acabará. A Segunda Lei da Termodinâmica se aplica a sistemas fechados e isolados. Como a Terra recebe um fluxo constante de energia do Sol, a entropia deve diminuir e a ordem aumentar (mesmo que o Sol esteja caminhando para o fim durante este processo). Deste modo, a Terra não é exatamente um sistema fechado e a vida pode evoluir sem violar a lei natural. Além disto, pesquisas recentes sobre a teoria do caos mostram que a ordem pode ser e é gerada espontaneamente a partir de um caos aparente, sem violar a Segunda Lei da Termodinâmica. A evolução não contraria a Segunda Lei da Termodinâmica assim como não se contraria a lei da gravidade quando se dá um pulo.

17. Até mesmo a mais simples forma de vida é complexa demais para ter surgido
aleatóriamente. Considere um organismo simples constituído de apenas 100 partes.
Matematicamente, há 10 elevado a 158 possíveis maneiras de se combinarem as partes.
Não há moléculas suficientes no universo para atingir este número ou tempo desde o início
do universo para que todas essas possíveis combinações ocorram até mesmo numa forma
de vida tão simples, quanto mais num ser humano. O próprio olho humano sozinho já é
difícil de se explicar por meio de uma evolução aleatória. Equivale a um macaco conseguir
digitar Hamlet ou mesmo apenas “to be or not to be”. Não acontecerá por acaso.

A seleção natural não é “aleatória” nem funciona com base no “acaso”. A seleção natural preserva o que dá certo e elimina os erros. O olho evoluiu de uma única célula sensível à luz até o complexo olho de hoje em dia através de centenas, talvez milhares de passos intermediários, muitos dos quais ainda existem na natureza. Para que o macaco conseguisse digitar as 13 primeiras letras do monólogo de Hamlet por sorte, seriam necessárias 26 elevado a 13 tentativas. Isto é 16 vezes o tempo que decorreu desde o início do sistema solar. Porém, se cada letra correta é preservada e cada letra incorreta é eliminada, o processo ocorre muito mais rápido. Quanto mais rápido? Richard Hardison criou um programa de computador que selecionava as letras, mantendo as certas e eliminando as erradas, e só foram necessárias 335,2 tentativas para se chegar à sequência de letras TOBEORNOTTOBE. O computador levou menos de 90 segundos para isto. A peça inteira de Shakespeare pode ser “montada” em uns 4,5 dias!

18. A separação hidrodinâmica durante o Dilúvio explica a aparente sequência de
fósseis ao longo dos estratos geológicos. Os organismos mais simples e ignorantes
morreram no mar e estão nas camadas inferiores, enquanto que os mais complexos,
inteligentes e rápidos morreram em locais mais elevados.

Será que nem um único trilobita flutuou até um estrato superior? Será que nem um único cavalo burro estava na praia e se afogou num estrato inferior? Nenhum pterodáctilo voador conseguiu chegar acima da camada do Cretáceo? Não houve nenhum ser humano idiota que não tentou fugir da chuva? Falando de argumentos absurdos, tente imaginar como um barco de 150m de comprimento por 25m de largura e 15m de altura conseguiria abrigar dois indivíduos de cada uma das espécies na Terra, algo entre 10 a 100 milhões delas. Isto é um problema até para os criacionistas, portanto eles alegam que só havia 30.000 espécies, sendo que o resto se desenvolveu a partir deste grupo inicial, o que faz dos criacionistas os maiores defensores da evolução rápida! Além disto, como você alimentaria 60.000 animais por 371 dias? Pior ainda, como você impediria que 60.000 animais devorassem uns aos outros? E o pior de tudo, quem cuidava da limpeza?

19. As técnicas de datação dos evolucionistas estão erradas, não merecem confiança e
chegam a resultados aleatórios. Elas dão a falsa impressão de que a Terra é muito antiga
quando, na verdade, ela não tem mais que 10 mil anos, o que já foi demonstrado pelo Dr.
Thomas Barnes, da Universidade do Texas, em El Paso. Ele provou que a meia-vida do
campo magnético da Terra é de 1400 anos.

Em primeiro lugar, o argumento do campo magnético de Barnes assume erradamente que o decaimento do campo magnético é linear quando, na verdade, a geofísica demonstra que ele flutua ao longo do tempo. Além disto, chega a ser engraçado ver como os criacionistas descartam sem maiores comentários todas as técnicas de datação exceto aquelas que parecem confirmar suas crenças. Acontece que as várias técnicas de datação já provaram não apenas ser bastante confiáveis como também confirmam os resultados umas das outras. Por exemplo, as datações obtidas usando-se diferentes elementos em uma mesma rocha indicam todas a mesma antiquidade.

20. A classificação dos organismos acima do nível das espécies é arbitrária e inventada por
humanos. A taxonomia não prova nada.

A ciência da classificação é, sem dúvida, uma criação do homem, assim como todas as ciências. Entretanto, o agrupamento dos organismos não tem nada de arbitrário, ainda que haja alguma subjetividade envolvida. O objetivo básico da cladística é fazer com que a taxonomia não seja subjetiva. A classificação hierárquica dividida em itens e sub-itens é uma das principais fontes de evidências de que houve uma evolução. Não há nada arbitrário, por exemplo, em se classificar humanos e chimpanzés em separado. Ninguém confunde um com o outro. Um teste interessante desta afirmação é perceber que culturas diferentes chegam às mesmas conclusões. Por exemplo, biólogos ocidentais e nativos da Nova Guiné identificam os mesmos tipos de pássaros como sendo espécies separadas. Tais agrupamentos realmente existem na natureza.

21. Se a evolução fosse gradual, não deveria haver lacunas entre as espécies, tornando a
classificação (taxonomia) impossível.

A evolução nem sempre é gradual. Com frequência, ela é esporádica. E os evolucionistas nunca disseram que não deveria haver lacunas. As lacunas não provam o criacionismo assim como períodos não documentados da história humana não provam que civilizações surgiram de repente.

22. “Fósseis vivos” como o celacanto e o caranguejo-ferradura (límulo) provam que toda a
vida foi criada de uma só vez.

Neste caso, o que dizer de todas as espécies extintas? Foram erros de Deus? Fósseis vivos (organismos que não mudaram por milhões de anos) apenas indicam que eles se adaptaram de uma tal forma ao seu meio ambiente estático e sem mudanças que não precisaram mudar mais. E há várias espécies de celacantos.

23. O problema das estruturas incompletas refuta completamente a seleção natural: uma nova estrutura que se desenvolve lentamente ao longo do tempo não representaria uma
vantagem para o organismo no início ou nos estágios intermediários, e sim apenas quando
já estivesse totalmente desenvolvida, o que só acontece por meio de criação divina. Por
exemplo: de que servem 5% de uma asa ou 55%? Para ser útil, tem que ser tudo ou nada.

Uma asa incompleta pode ser alguma outra coisa completa, como um regulador térmico para répteis ectotérmicos (que dependem de fontes externas de calor). E não é verdade que uma coisa em seus estágios iniciais seja completamente inútil. É melhor ter visão parcial que cegueira completa. É uma vantagem ser capaz de planar, mesmo que você não consiga um vôo totalmente controlado.

24. Estruturas homólogas (a asa do morcego, a nadadeira da baleia, o braço humano) são
uma prova do design inteligente.

É claro que, se apelarem para milagres e intervenções divinas, os criacionistas podem selecionar e escolher qualquer coisa na natureza como prova da ação de Deus e então ignorar o resto. Por outro lado, as estruturas homólogas não fazem nenhum sentido se partirmos do princípio de que Deus criou tudo do jeito que é hoje. Por que uma baleia deveria ter os mesmos ossos em sua nadadeira que um homem tem em seu braço ou um morcego em sua asa? Não há nenhum motivo. Um designer inteligente poderia fazer bem melhor que isto. Pelo contrário, estas estruturas similares indicam uma ancestralidade comum seguida de modificações, e não uma criação divina.

25. “A Bíblia é o registro da Palavra de Deus … tudo o que ela afirma é histórica e cientificamente verdadeiro. O Dilúvio universal descrito no Gênesis foi um evento histórico, e com efeito e extensão mundiais. Nós somos uma organização de homens de ciência cristãos que aceitam Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. A narrativa da criação divina de Adão e Eva como um homem e uma mulher e sua posterior queda em pecado são a base para nossa crença na necessidade de um Salvador para toda a humanidade”.

Uma tal declaração de fé é claramente religiosa, e não científica. Isto não a torna necessariamente errada, só que o criacionismo científico é, na verdade, criacionismo religioso e, desta forma, ultrapassa a barreira que separa religião e Estado. Em escolas particulares fundadas e/ou controladas por criacionistas, é direito deles ensinar a suas crianças o que quer que seja que eles queiram. Entretanto, querer que o Estado force os professores a ensinar uma doutrina religiosa como se fosse científica é irracional e oneroso.

http://rock.geosociety.org/docs=1em/criticalissues=1em/ev_shermer.htm
Por Michael Shermer – Editor executivo da Skeptic Magazine e professor auxiliar adjunto de História da Ciência do Occidental College. - mshermer@skeptic.com

Jesus - o incômodo silêncio da história

1 Comment

Quem é que nunca ouviu falar de Jesus de Nazaré? É claro que todo mundo ouviu falar de Jesus. A Bíblia nos diz que sua fama se espalhou por toda a Palestina e Síria. Ele é o homem-deus/salvador do mundo que realizou milagres que só um deus poderia realizar. Transformou água em vinho, alimentou milhares de pessoas com apenas alguns pedaços de pão e peixe, andou sobre as águas, acalmou tempestades, curou cegos, surdos e enfermos, recuperou mãos atrofiadas, expulsou demônios e ressuscitou os mortos. Seus ensinamentos morais são considerados superiores a tudo o que já foi ensinado.

Ele foi rejeitado por seu próprio povo, os judeus, e brutalmente crucificado pelos romanos. Mas isto não deteve Jesus. A Bíblia nos diz que, ao ser crucificado, céus e terra confirmaram sua divindade, causando um eclipse do sol de 3 horas em toda a terra, um terremoto que fez com que a cortina do templo em Jerusalém se rasgasse ao meio e que túmulos se abrissem e homens santos ressuscitassem e aparecessem às pessoas em Jerusalém. Três dias depois, o Filho de Deus derrotou o Diabo, o príncipe das trevas, ressuscitou dos mortos, apareceu a seus discípulos e então subiu aos céus. Como é possível alguém não gostar desta história nem desejar acreditar nela?


O problema que pesquisadores sinceros e com mentes objetivas têm com esta história espantosa é: por que os registros históricos de escritores gregos, romanos e judeus não cristãos praticamente não dizem nada sobre Jesus de Nazaré? Certamente que notícias sobre acontecimentos como esses, se fossem verdadeiras, teriam se espalhado por todo o mundo mediterrâneo. E, no entanto, os escritos que sobreviveram, de uns 35 a 40 observadores independentes durante os primeiros 100 anos que se seguiram à suposta crucificação e ressurreição de Jesus, praticamente não confirmam nada. Estes autores eram respeitados, viajados, sabiam se expressar, observavam e analisavam os fatos, eram os filósofos, poetas, moralistas e historiadores daquela época. Entre as mais destacadas personalidades que não mencionam Jesus, temos:


Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) — Um dos mais famosos autores romanos sobre ética, filosofia e moral e um cientista que registrou eclipses e terremotos. As cartas que teria trocado com Paulo se revelaram uma fraude, mais tarde.
Plínio, o velho (23 d.C. – 79 d.C.) — História natural. Escreveu 37 livros sobre eventos como terremotos, eclipses e tratamentos médicos.
Quintiliano (39 d.C. – 96 d.C.) — Escreveu “Instituio Oratio”, 12 livros sobre moral e virtude.
Epitectus (55 d.C. – 135 d.C.) — Ex-escravo que se tornou renomado moralista e filósofo e escreveu sobre a “irmandade dos homens” e a importância de se ajudarem os pobres e oprimidos.
Marcial (38 d.C. – 103 d.C.) — Escreveu poemas épicos sobre as loucuras humanas e as várias personalidades do império romano.
Juvenal (55 d.C. – 127 d.C.) — Um dos maiores poetas satíricos de Roma. Escreveu sobre injustiça e tragédia no governo romano.
Plutarco (46 d.C. – 119 d.C.) — Escritor grego que viajou de Roma a Alexandria. Escreveu “Moralia”, sobre moral e ética.


Três romanos cujos escritos contêm referências mínimas a Cristo, Cresto ou cristãos:


Plínio, o jovem (61 d.C. – 113 d.C.) — Foi proconsul da Bitínia (atual Turquia). Numa carta ao imperador Trajano, em 112 d.C., pergunta o que fazer quanto aos cristãos que “se reúnem regularmente antes da aurora, em dias determinados, para cantar louvores a Cristo como se ele fosse um deus”. Uns oitenta anos depois da morte de Jesus, alguém estava adorando a um Cristo (messias, em hebraico)! Entretanto, nada se diz sobre se este Cristo era Jesus, o mestre milagreiro que foi crucificado e ressuscitou na Judéia ou se um Cristo mitológico das religiões pagãs de mistério. O próprio Jesus teria dito que haveria muitos falsos Cristos, portanto a afirmação de Plínio não contribui em muito para demonstrar que o Jesus de Nazaré existiu.
Suetônio (69 d.C. – 122 d.C.) — Em “A vida dos imperadores”, com a história de 11 imperadores, ele conta, em 120 d.C., sobre o imperador Cláudio (41 d.C. – 54 d.C.), que ele“expulsou de Roma os judeus que, sob a influência de Cresto, viviam causando tumultos”. Quem é Cresto? Não há menção a Jesus. Seria este Cresto um agitador judeu, um dos muitos falsos messias, ou um Cristo mítico? Este trecho não prova nada sobre a historicidade de um Jesus de Nazaré.
Tácito (56 d.C. – 120 d.C.) — Famoso historiador romano. Seu “Annuals”, referente ao período 14-68 d.C., Livro 15, capítulo 44, escrito por volta de 115 d.C., contém a primeira referência a Cristo como um homem executado na Judéia por Pôncio Pilatos. Tácito declara que “Cristo, o fundador, sofreu a pena de morte no reino de Tibério, por ordem do procurador Pôncio Pilatos”. Os estudiosos apontam várias razões para se suspeitar de que este trecho não seja de Tácito nem de registros romanos, e sim uma inserção posterior na obra de Tácito:

 

  1. A referência a Pilatos como procurador seria apropriada na época de Tácito, mas, na época de Pilatos, o título correto era “prefeito”.
  2. Se Tácito escreveu este trecho no início do segundo século, por que os Pais da Igreja, como Tertuliano, Clemente, Orígenes e até Eusébio, que tanto procuraram por provas da historicidade de Jesus, não o citam?
  3. Tácito só passa a ser citado por escritores cristãos a partir do século 15.

 

O que é claro e indiscutível é que um período de 80 a 100 anos sem nenhum registro histórico confiável, depois de fatos de tal magnitude, é longo o bastante para levantar suspeitas. Além do mais, é insuficiente citar três relatos tão curtos e tão pouco informativos para provar que existiu um messias judeu milagreiro chamado Jesus que seria Deus em forma humana, foi crucificado e ressuscitou.


Há três autores judeus importantes do primeiro século:
Philo-Judaeus (15 a.C. – 50 d.C.) — de Alexandria, era um teólogo-filósofo judeu que falava grego. Ele conhecia bem Jerusalém porque sua família morava lá. Escreveu muita coisa sobre história e religião judaica do ponto de vista grego e ensinou alguns conceitos que também aparecem no evangelho de João e nas epístolas de Paulo. Por exemplo: Deus e sua Palavra são um só; a Palavra é o filho primogênito de Deus; Deus criou o mundo através de sua palavra; Deus unifica todas as coisas através de sua Palavra; a Palavra é fonte de vida eterna; a Palavra habita em nós e entre nós; todo julgamento cabe à Palavra; a Palavra é imutável.
Philo também ensinou sobre Deus ser um espírito, sobre a Trindade, sobre virgens que dão à luz, judeus que pecam e irão para o inferno, pagãos que aceitam a Deus e irão para o céu e um Deus que é amor e perdoa. Entretanto, Philo, um judeu que viveu na vizinha Alexandria e que teria sido contemporâneo a Jesus, nunca menciona alguém com este nome nem nenhum milagreiro que teria sido crucificado e depois ressuscitou em Jerusalém, sem falar em eclipses, terremotos e santos judeus saindo dos túmulos e andando pela cidade. Por que? O completo silêncio de Philo é ensurdecedor!


Flavius Josephus (37 d.C. – 103 d.C.) — era um fariseu que nasceu em Jerusalém, vivia em Roma e escreveu “História dos judeus” (79 d.C.) e “Antiguidades dos judeus” (93 d.C.). Apologistas cristãos (defensores da fé) consideram o testemunho de Josephus sobre Jesus a única evidência garantida da historicidade de Jesus. O testemunho citado se encontra em“Antiguidades dos judeus”. Ao contrário dos apologistas, entretanto, muitos estudiosos, inclusive os autores da Encyclopedia Britannica, consideram o trecho “uma inserção posterior feita por copistas cristãos”. Ele diz que:

“Naquele tempo, nasceu Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos, Era o Cristo. Sendo acusado por nossos chefes, do nosso país ante Pilatos, este o fez sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram nem mesmo após sua morte. Vivo e ressuscitado, reapareceu ao terceiro dia após sua morte, como o haviam predito os santos profetas, quando realiza outras mil coisas milagrosas. A sociedade cristã que ainda hoje subsiste, tomou dele o nome que usa.”

Por que este trecho é considerado uma inserção posterior?

  1. Josephus era um fariseu. Só um cristão diria que Jesus era o Cristo. Josephus teria tido que renunciar às suas crenças para dizer isto, e Josephus morreu ainda um fariseu.
  2. Josephus costumava escrever capítulos e mais capítulos sobre gente insignificante e eventos obscuros. Como é possível que ele tenha despachado Jesus, uma pessoa tão importante, com apenas algumas frases?
  3. Os parágrafos antes e depois deste trecho descrevem como os romanos reprimiram violentamente as sucessivas rebeliões judaicas. O parágrafo anterior começa com “por aquela época, mais uma triste calamidade desorientou os judeus”. Será que “triste calamidade” se refere à vinda do “realizador de mil coisas milagrosas” ou aos romanos matando judeus? Esta suposta referência a Jesus não tem nada a ver com o parágrafo anterior. Parece mais uma inclusão posterior, fora de contexto.
  4. Finalmente, e o que é ainda mais convincente, se Josephus realmente tivesse feito esta referência a Jesus, os Pais da Igreja pelos 200 anos seguintes certamente o teriam usado para se defender das acusações de que Jesus seria apenas mais um mito. Contudo, Justino, Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes nunca citam este trecho. Sabemos que Orígenes leu Josephus porque ele deixou textos criticando Josephus por este atribuir a destruição de Jerusalém à morte de Tiago. Aliás, Orígenes declara expressamente que Josephus, que falava de João Batista, nunca reconheceu Jesus como o Messias (”Contra Celsum”, I, 47).

Não somente a referência de Josephus a Jesus parece fraudulenta como outras menções a fatos históricos em seus livros contradizem e omitem histórias do Novo Testamento:

  1. A Bíblia diz que João Batista foi morto por volta de 30 d.C., no início da vida pública de Jesus. Josephus, contudo, diz que Herodes matou João durante sua guerra contra o rei Aertus da Arábia, em 34 – 37 d.C.
  2. Josephus não menciona a celebração de Pentecostes em Jerusalém, quando, supostamente: judeus devotos de todas as nações se reuniram e receberam o Espírito Santo, sendo capazes de entender os apóstolos cada qual em sua própria língua; Pedro, um pescador judeu, se torna o líder da nova igreja; um colega fariseu de Josephus, Saulo de Tarso, se torna o apóstolo Paulo; a nova igreja passa por um crescimento explosivo na Palestina, Alexandria, Grécia e Roma, onde morava Josephus. O suposto martírio de Pedro e Paulo em Roma, por volta de 60 d.C., não é mencionado por Josephus. Os apologistas cristãos, que depositam tanta confiança na veracidade do testemunho de Josephus sobre Jesus, parecem não se importar com suas omissões posteriores.

A Encyclopedia Britannica afirma que os cristãos distorceram os fatos ao enxertar o trecho sobre Jesus. Isto é verdade? Eusébio (265-339 d.C.), reconhecido como o “Pai da história da Igreja” e nomeado supervisor da doutrina pelo imperador Constantino, escreve em seu “Preparação do evangelho”, ainda hoje publicado por editoras cristãs como a Baker House, que “às vezes é necessário mentir para beneficiar àqueles que requerem tal tratamento”. Eusébio, um dos cristãos que mais influenciou a história da Igreja, aprovou a fraude como meio de promover o cristianismo! A probabilidade de o cristianismo de Constantino ser uma fraude está diretamente relacionada à desesperada necessidade de encontrar evidências a favor da historicidade de Jesus. Sem o suposto testemunho de Josephus, não resta nehuma evidência confiável de origem não cristã.


Justus de Tiberíades é o terceiro escritor judeu do primeiro século. Seus escritos foram perdidos, mas Photius, patriarca de Constantinopla (878-886 d.C.), escreveu “Bibleotheca”, onde ele comenta a obra de Justus. Photius diz que “do advento de Cristo, das coisas que lhe aconteceram ou dos milagres que ele realizou, não há absolutamente nenhuma menção (em Justus)”. Justus vivia em Tiberíades, na Galiléia (João 6:23). Seus escritos são anteriores às“Antiguidades” de Josephus, de 93 d.C., portanto é provável que ele tenha vivido durante ou imediatamente após a suposta época de Jesus, mas é notável que nada tenha mencionado sobre ele.


A literatura rabínica seria logicamente o outro lugar para se pesquisar a historicidade de Jesus de Nazaré. O Novo Testamento alega que Jesus é o cumprimento da profecia judaica sobre o messias, crucificado no dia da Páscoa. Naquele dia, supostamente houve um terremoto em Jerusalém, a cortina de seu templo se rasgou de alto a baixo, houve um eclipse do sol, santos judeus ressuscitaram e andaram pela cidade. Três dias depois, Jesus ressuscitou e depois subiu aos céus diante de todos. Algum tempo depois, no dia de Pentecostes, os judeus de várias nações se reuniram e viram o Espírito Santo descer na forma de línguas de fogo; a igreja cristã se expandiu de forma explosiva entre judeus e pagãos, com sinais e milagres acontecendo por toda a parte. Em 70 d.C., Jerusalém foi cercada pelos romanos, que destruíram Israel como nação e dispersaram os judeus.
Ainda que os rabinos não aceitassem Jesus como o Messias, o impacto dos acontecimentos à volta de Jesus logicamente teria sido registrado nos comentários ao Talmud (os midrash). A história e a tradição oral dos judeus registradas nos midrash foram atualizadas e receberam sua forma final pelo rabino Jehudah ha-Qadosh por volta de 220 d.C. Em seu livro “O Jesus que os judeus nunca conheceram”, Frank Zindler diz que não há uma única fonte rabínica da época que fale da vida de um falso messias do primeiro século, dos acontecimentos envolvendo a crucificação e ressurreição de Jesus ou de qualquer pessoa que lembre o Jesus do cristianismo.


Não há locais históricos na Terra Santa que confirmem a historicidade de Jesus de Nazaré. Monges, padres e guias turísticos que levam peregrinos cristãos (aceitam-se doações) aos locais dos acontecimentos descritos na Bíblia dificilmente podem ser considerados pessoas isentas. Ainda citando Zindler, “Não há confirmação não tendenciosa desses locais.” Nazaré não é mencionada nem uma vez no Antigo Testamento. O Talmud cita 63 cidades da Galiléia, mas não Nazaré. Josephus menciona 45 cidades ou vilarejos da Galiléia, mas nem uma vez cita Nazaré. Josephus menciona Japha, que é um subúrbio da Nazaré de hoje. Lucas 4:28-30 diz que Nazaré tinha uma sinagoga e que a borda da colina sobre a qual ela tinha sido construída era alta o suficiente para que Jesus morresse se o tivessem realmente jogado lá de cima. Contudo, a Nazeré de nossos dias ocupa o fundo de um vale e a parte de baixo de uma colina. Não há “topo de colina”. Além disso, não há nenhum vestígio de sinagogas do primeiro século. Orígenes (182-254 d.C.), que viveu em Cesaréia, a umas 30 milhas da atual Nazaré, também não fala em Nazaré. A primeira referência à cidade surge em Eusébio, no século 4. O melhor que podemos imaginar é que Nazaré só surgiu depois do século 2. Esta falta de evidência histórica parece ser a explicação para o fato de não haver nenhuma menção a Nazaré em nenhum registro, de nenhuma origem não cristã. Ou seja, Nazaré não existia no primeiro século.
Não há tempo nem espaço para se falar de outras cidades significativas citadas no Novo Testamento, mas as evidências históricas e arqueológicas quanto a Cafarnaum (mencionada 16 vezes no N.T.) e Betânia, ou o Calvário, são, assim como no caso de Nazaré, igualmente fracas e até mesmo desmentem as Escrituras.
Mentes críticas e objetivas se destacam por procurar confirmação imparcial dos supostos fatos. Quando a única evidência disponível de um acontecimento ou de seus resultados é, não apenas questionável e suspeita, mas também aquilo que os divulgadores do acontecimento ou resultado querem que você acredite, convém desconfiar. O fato é que os escritores judeus não-cristãos, gregos e romanos das décadas que se seguiram à suposta crucificação e ressurreição de Jesus nada dizem sobre ninguém chamado Jesus de Nazaré. Uma pessoa justa sempre estará disposta a analisar novas evidências, mas, 2 mil anos depois, o cristianismo continua tendo tantas evidências imparciais sobre Jesus quanto sobre o Mágico de Oz, Zeus ou qualquer um dos muitos deuses-redentores daquela época.

Referências

  • “The Jesus the Jews Never Knew” por Frank R. Zindler
  • Encyclopedia Britannica
  • “Deconstructing Jesus” por Robert Price, Ph.D.
  • Obras completas de Josephus, tradução de William Whiston, Ph.D.
  • “The Jesus Puzzle” por Earl Doherty
  • “The Jesus Mysteries” por Timothy Freke e Peter Gandy

Autor: Lee Salisbury
Tradução: Fernando Silva 
Fonte em inglês: http://dissidentvoice.org/Oct04/Salisbury1012.htm

Fonte em português: http://fernandosilvamultiply.blogspot.com.br/2007/08/jesus-o-incomodo-silencio-da-historia.html