Biografias Interessantes

Melhorando sempre o acervo do nosso RéV, poderíamos trazer curiosidades e biografias de pessoas não tão conhecidas e com alguma importância em nossa História.
Este, foi citado na Carta de Pero Vaz de Caminha.

Afonso Ribeiro foi o primeiro degredado para o Brasil nominalmente conhecido e citado na carta de Pero Vaz de Caminha, em 1500.
Consta na carta de Caminha que, ao retomar a viagem para as Índias (após tocar as terras brasileiras), Pedro Alvares Cabral deixou em terra dois degredados, um deles Afonso Ribeiro (o outro teria sido João de Thomar, sobre o qual nada se sabe), para "andarem com os índios e saber de seu viver e das suas maneiras".
Afonso foi condenado ao degredo por "culpas de morte", ou seja, acusado de ter cometido assassinato. Era criado de um certo João de Telo e estava para casar com Elena Gonçalves que, desiludida com o destino do noivo, fez votos de religiosa.
Segundo um registro de Valentim Fernandes, tabelião real, os dois degredados permaneceram 20 meses na terra e, ao regressarem, contaram tudo o que haviam aprendido no convívio com os índios. É provável, portanto, que eles tenham sido resgatados na expedição de Gonçalo Coelho, em 1501-1502.
Consta também que logo após a partida de Cabral, de volta, Afonso Ribeiro no auge de seu desespero apossou-se de uma piroga e se aventurou mar adentro na tentativa de alcançar a frota com os homens que o deixaram, mas após remar por algum tempo viu, exausto, apenas as velas das embarcações já em alto mar. Ele teria se conformado, certo de que não alcançaria as naus, e pediu, em oração, para morrer sem voltar à praia. Mas a pretexto do mar agitado, a piroga foi conduzida de volta à areia, onde os índios o teriam conformado. Dizem alguns historiadores, que Afonso Ribeiro era um condenado inocente.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Ribeiro

Comentários

  • editado July 18
    A ex-noiva falece de tristeza (langor) no dia depois do Natal de 1512 — 8 janeiro 1512 então, suponho....
    [Pg. 65 - nota de rodapé]
    Teria ficado sabendo que ele voltou?
    Teriam trocado alguma comunicação?
    🤔
  • Pelos relatos ele teria ficado por lá durante vinte meses, enquanto ela falece aproximadamente nove anos depois que ele já se encontrava em Portugal.
    Vou adivinhar: Parece que ele não se empenhou em procurá-la, aliviado do compromisso; quando ela soube houvera sido desprezada, isso nove anos depois, não resistiu.

    Você, o que acha tenha acontecido?
  • editado July 19
    ACHO que até podem ter se comunicado por recados, bilhetes... chi lo saprà❓
    Mas feito o voto seria MUITO difícil e com graves riscos potenciais pra ambos, tentar desfazê-lo naquelas epocas.
    D. Leonor o doa (o mosteiro) – com autorização ou por via do Papa, evidentemente – às religiosas Franciscanas Descalças do Convento de Jesus de Setúbal [vide Arquivo Nacional da Torre do Tombo ].
    Ordem das Clarissas, observantes da Reforma Coletina organizada pela sainte Colette (Nicolette) de Corbie.
    Bem rigorosa, certo❓
  • O estranho nisso é que se passaram muitos anos antes que Dona Elena Gonçalves se entregasse ao langor (depressão?) e morresse em três dias.
  • João de Barros, chamado o Grande ou o Tito Lívio Português,
    Nasceu em Viseu, c. 1496 — Faleceu em Pombal, Ribeira de Alitém, 20 de Outubro de 1570)
    É geralmente considerado o primeiro grande historiador português e pioneiro da gramática da língua portuguesa, tendo escrito a segunda obra a normatizar a língua, tal como falada em seu tempo.

    Juventude e cargos na Casa da Índia
    Filho bastardo de um nobre, Lopo de Barros, Corregedor de Entre Tejo e Guadiana, foi educado na corte de Dom Manuel I no período de maior apogeu dos descobrimentos portugueses, tendo ainda na sua juventude concebido a ideia de escrever uma história dos portugueses no oriente. Sua prolífica carreira literária iniciou-se com pouco mais de vinte anos, ao escrever um romance de cavalaria, a Crónica do Emperador Clarimundo, donde os Reys de Portugal descendem, dedicado ao soberano e ao príncipe herdeiro Dom João enquanto servia no cargo de seu moço de guarda-roupa. Este último, ao subir ao trono como Dom João III em 1521, concedeu a João de Barros o cargo de capitão da fortaleza de São Jorge da Mina, para onde partiu no ano seguinte. Em 1525 foi nomeado tesoureiro da Casa da Índia, missão que desempenhou até 1528.
    A peste negra de 1530 o levou a refugiar-se na sua quinta da Ribeira de Alitém, próximo de Pombal, cidade onde concluiu o seu diálogo moral, Rhopicapneuma (Mercadoria Espiritual ), alegoria que mereceu louvores do valenciano Juan Luis Vives.
    Regressado a Lisboa em 1532, o rei designou-o como feitor das casas da Índia e da Mina - uma posição de grande destaque e responsabilidade, numa Lisboa que era então um empório, a nível europeu, para todo o comércio estabelecido com o oriente.
    João de Barros provou ser um administrador bom e desinteressado, algo raro para a época, como demonstra o surpreendente facto de ter amealhado pouco dinheiro com este cargo (quando os seus antecessores haviam adquirido grandes fortunas).

    Expedição ao BrasiL
    Em 1534 Dom João III, procurando atrair colonos para se estabelecerem no Brasil, evitando assim as tentativas de invasão francesa, dividiu a colónia em capitanias hereditárias, seguindo um sistema que já havia sido utilizado nas ilhas atlânticas dos Açores, Madeira e Cabo Verde, com resultados comprovados. No ano seguinte João de Barros foi agraciado com a posse de duas capitanias, em parceria com Aires da Cunha, a Capitania do Rio Grande e a Capitania do Maranhão.
    Em novembro de 1535 partiu, do Tejo com destino ao Brasil, uma armada de dez navios, com 900 homens e mais de cem cavalos, comandada por Aires da Cunha, guerreiro experimentado nas conquistas do Oriente. João de Barros, sócio de Aires na expedição, enviou dois de seus filhos (Jerónimo e João ) como seus representantes.
    A grande armada dirigiu-se primeiro a Pernambuco, onde Duarte Coelho acolheu os expedicionários. Duarte Coelho forneceu informações e intérpretes aos expedicionários, assim como uma embarcação a remos, para preceder a armada e sondar a costa, de maneira a evitar que as naus dessem em baixíos ou demandassem portos sem fundo para ancoradouro. Desde suaa partida de Pernambuco, a esquadra foi explorando a costa, sem fragmentar seus recursos em expedições secundárias ou ocupações, aparentemente com o único objetivo de alcançar a foz do rio Maranhão, em busca de ouro que haviam ouvido falar que haveria por aquelas bandas em grande quantidade. A viagem, ao longo de um litoral pouco explorado até então, foi morosa com a necessidade de sondagens frequentes. A embarcação a remos, cedida por Duarte Coelho, perdeu-se da expedição logo após cruzarem o Cabo de São Roque (O Cabo de S. Roque é o ponto da costa brasileira mais próximo da Africa). No percurso entre o Cabo de São Roque e o rio Maranhão a náu capitania naufragou e Aires da Cunha pereceu, porém as naus restantes atingiram o estuário e desembarcam na Ilha de Trindade. Lá construíram um castelo e estabelecem uma colônia que batizaram de Nazareth. Durante cerca de três anos, exploraram as terras circunvizinhas em busca de ouro, navegando cerca de duzentas e cinquenta léguas rios acima, criando ainda mais dois povoamentos.

    A luxuosa expedição de João de Barros, que se destinava ao Maranhão, mas que saíra de Lisboa com instruções secretas para conquistar o ouro dos incas no Peru, dispersou-se no mar, sofrendo os seus componentes infinitos martírios e resgatando com elevados tributos de sofrimento as suas criminosas intenções, na condenável aventura.

    O Declínio de Portugal
    Os tesouros das índias levaram o povo português à decadência e à miséria, pela disseminação dos artifícios do luxo e pelas campanhas abomináveis da
    conquista, cheias de crueldade e de sangue. A sede de ouro acarretava o abandono de todos os campos.
  • Ah! Eu desde logo achei que o Sr. tava lendo👍
  • editado July 23
    patolino escreveu: »
    O Declínio de Portugal
    Os tesouros das índias levaram o povo português à decadência e à miséria, pela disseminação dos artifícios do luxo e pelas campanhas abomináveis da conquista, cheias de crueldade e de sangue. A sede de ouro acarretava o abandono de todos os campos.
    O mesmo aconteceu com a Espanha. Todo o ouro e prata vindo das Américas era gasto com a frota de guerra e os exércitos, com a construção de palácios e monumentos, com mordomias para a corte.
    A comida era quase toda importada e a produção local praticamente desapareceu.
    Quando a fonte secou, o país foi aos poucos se tornando um dos mais pobres e atrasados da Europa, além de perder o vasto território que dominava na Europa, Oriente Médio, África e Américas.
  • editado July 23
    Daí você vê a diferença gritante entre esses *povim* em relação aos franceses, holandeses, e principalmente aos ingleses...



    *como diz o outro, com o c* cheio de bos*a
  • Fernando_Silva escreveu: »
    patolino escreveu: »
    O Declínio de Portugal
    Os tesouros das índias levaram o povo português à decadência e à miséria, pela disseminação dos artifícios do luxo e pelas campanhas abomináveis da conquista, cheias de crueldade e de sangue. A sede de ouro acarretava o abandono de todos os campos.
    O mesmo aconteceu com a Espanha. Todo o ouro e prata vindo das Américas era gasto com a frota de guerra e os exércitos, com a construção de palácios e monumentos, com mordomias para a corte.
    A comida era quase toda importada e a produção local praticamente desapareceu.
    Quando a fonte secou, o país foi aos poucos se tornando um dos mais pobres e atrasados da Europa, além de perder o vasto território que dominava na Europa, Oriente Médio, África e Américas.

    E tem gente que baba ovo do país.
  • Gorducho escreveu: »
    Ah! Eu desde logo achei que o Sr. tava lendo👍

    Desculpe o mal-entendido; de fato como aquela obra tem apontamentos históricos interessantes, estava lendo sim.
  • editado July 26
    AS AVENTURAS E DESVENTURAS DE JOÃO DE BOLÉS: UM “CALVINISTA” RENASCENTISTA NOS TRÓPICOS, SÉCULO XVI

    A França Antártica e os Huguenotes
    Em fins de 1555, navios franceses sob o comando de Nicolas Durand de Villegagnon, nobre cavaleiro da Ordem de Malta, chegaram à Baía de Guanabara e criaram uma colônia que entrou para os anais da história como França Antártica. Um dos objetivos da ocupação era garantir à França uma parcela do mercado de especiarias, até então monopolizado pelos portugueses.
    A criação da França Antártica constituiu-se na primeira tentativa real de estabelecimento de uma colonização mais duradoura pelos franceses. A empreitada de Villegagnon tinha o apoio de Gaspar de Coligny e, através deste, da própria coroa francesa.

    Quem era Gaspar de Coligny:
    Gaspard de Châtillon, conde de Coligny (16 de fevereiro de 1519 — Paris, 24 de agosto de 1572)
    foi um almirante francês e líder huguenote assassinado em Paris em 1572, durante o massacre da noite de São Bartolomeu, tendo sofrido um atentado praticado por Maurevert do qual saiu ferido, depois de uma visita ao Rei Carlos IX.
    Apesar de gozar de grande estima do rei, foi traído e assassinado por comando do Duque de Guise. Seu corpo foi defenestrado e depois decapitado. Era um influente estadista e líder dos calvinistas franceses, os huguenotes.

    Villegagnon empenhou-se pessoalmente na consecução do plano, acreditando, entre outras coisas, que a criação de uma colônia francesa nos trópicos pudesse ser um espaço onde os calvinistas (denominados na França de huguenotes) tivessem a liberdade de praticar tranquilamente o seu culto. No entanto, é importante destacar que o estabelecimento da França Antártica não representou uma iniciativa exclusivamente de calvinistas, mas “a par desses viriam então, e mais tarde, muitos católicos, leigos e eclesiásticos.
    R. Southey deixa claro que os franceses souberam aproveitar em seu favor a rivalidade entre algumas tribos (especialmente tamoios) com os portugueses. Com o estabelecimento da colônia, rapidamente as dificuldades surgiram. O trabalho árduo dos homens para levantar uma fortaleza esgotou quase todos. Faltava fundamentalmente mão-de-obra para o trabalho de manutenção e ampliação da colônia.
    Villegagnon, diante disso, solicita ajuda na França.
    A Segunda expedição fora então organizada sob o comando de Bois-le-Comte, sobrinho de Villegagnon, em França, tendo chegado à Baía da Guanabara em março de 1557. O perfil dos colonos dessa segunda expedição era um tanto diferente da primeira, pois os colonos “eram protestantes seguidores de Calvino e de Lutero, e fugiam da perseguição católica em seu país de origem, ansiando por estabelecer no Novo Mundo uma comunidade na qual pudessem viver em paz, e de acordo com sua crença.
    Dentre eles achavam-se Jean de Léry, que escreveria mais tarde Viagem à Terra do Brasil, e Jean Cointá, senhor de Bolés. Esse Jean Cointá é o nosso personagem.

    Jean de Bolês era um erudito e se orgulhava dessa virtude. Capistrano de Abreu transcreve um excerto de uma carta enviada por Bolês ao bispo da Bahia onde, mais claramente, ficam evidentes as qualidades desse aventureiro renascentista nos trópicos:

    “Dizem que V. S. põe gran diligencia em perscrutrar se eu sei lettras, e se as que sei são sacras ou profanas. Para tirar V. S., deste trabalho, saiba que eu me prezei sempre de cavalheiro, e tenho por grande pulha chamar-me lettrado, pois ainda que minha meninice e mocidade gastei em lettras, passei minha juventude em armas, para as quaes nasci. Não aprendi lettras para ganhar algo com minha sciencia, mas estudei nas profanas por desenfado, e as sacras por descanso de minha consciência. Sei dizer ainda a V S. que andei por França, Hespanha e Itália, e nunca achei quem me levasse vantagem em grammatica, rhetorica, dialetica, lógica, physica e philosophia, e nunca achei meu igual, nem quem me chegasse de uma légua em metaphysica, profundeza de escriptura sagrada, e na especulativa profana ou theologia pratica.”

    Jean Cointá, “por ser douto”, estava no Rio de Janeiro com a finalidade de trabalhar na governança da república, em especial no preparo dos estatutos e das leis da novel colônia francesa. A permanência de Jean de Bolês no Forte Coligny foi bastante efêmera. Divergências entre os colonos franceses huguenotes e Villegagnon sobre a Santa Ceia (eucaristia) dividiu o grupo em três facções, a de Cointá, a dos calvinistas e a do próprio Villegagnon. A acreditar em Bolês, por não concordar com os conflitos decide deixar a ilha e ir para o continente, onde passou a viver próximo dos “lados da Gávea”.
    É então que começa a grande aventura de Jean de Cointá.
    Ao fim de sete meses resolveu acompanhar os franceses e os índios ao ataque à Capitania de São Vicente”. Ao chegarem àquela capitania, Bolês abandonou as hordas francesas e indígenas, passando-se para o lado dos súditos do Rei de Portugal e preveniu-os do perigo que corriam. Com o apoio fornecido aos portugueses, o aventureiro francês granjeia a admiração da população e a confiança de Men de Sá, e passa a viver livremente em São Vicente. A popularidade de Bolês cresce com a ajuda que dará aos portugueses na conquista do Forte Coligny em 1560. “Extremamente inteligente, de conversa fácil e sedutora, Jean de Bolés freqüentava, para além das rodas cultas da sociedade colonial, as ruas e vielas das vilas e cidades pelas quais passava. Gostava de conversar com homens e mulheres ignorantes e rústicos que nelas habitavam”.21 Anchieta, em uma carta escrita em 1560, ressalta, com preocupação, a popularidade do francês: “este, que sabe bem a língua espanhola, começou logo a blasonar que era letrado e fidalgo, e com essa opinião, e com uma fácil e alegre conversação que tem, fazia espantar os homens para o estimarem”

    “João Cointha conviveu no Brasil com as principais figuras do tempo: Mem de Sá, Manuel da Nóbrega, José de Anchieta, Luís da Grã. Todos, quer pelos processos em que foi acusado de heresia, quer pela correspondência em que a ele se referem, relatam impressionados dois aspectos da vida de Cointha: a sua vasta cultura e a incorrigível tendência para polemizar a respeito de questões da fé”

    Ao ser integrado a novel comunidade dos portugueses, o nobre francês passa a destilar a “crença na maldita secta lutherana” 25 junto à população vicentina. A presença de Bolês e a disseminação de ideias heterodoxas assustaram e indignaram o padre Luís da Grã, o segundo provincial da Companhia de Jesus no Brasil26. Grã, através de uma petição de 1560, solicita a Gonçalo Monteiro, vigário de São Vicente, que faça uma devassa sobre a atuação do heterodoxo francês, requerendo da “parte de deus e da santa madre ygreja e da santa inquisysão” a abertura de um inquérito.
    O fundamento da petição de abertura de inquérito contra Bolês estava assentado na denúncia de certo Pero de La Cruz, castelhano e morador de São Vicente28. As denúncias de La Cruz eram uma exposição patente das influencias calvinistas sobre Bolês. O aventureiro francês teria afirmado, entre outras, as seguintes proposições consideradas heréticas por Luís de Grã: a igreja de Roma era igual as demais; o papa é um homem como qualquer outro; Pedro não foi o primeiro papa; as bulas papais são falsas; através de dinheiro facilmente absolvem-se as culpas; a sagrada escritura é a única fonte para a crença; o homem não é salvo através das obras; não cria haver santos, senão os apóstolos; apenas a paixão de Jesus Cristo é suficiente para levar o homem ao céu; o casamento é mais perfeito que o estado dos padres; etc. Pero de La Cruz afirmou ao padre Luís de Grã que “Bolês lhe contava estas cousas em muito segredo”

    Diante de todas essas suspeitas foi iniciado a devassa, conduzida pelo vigário Gonçalo Monteiro. Entre 22 de abril a 9 de maio de 1560 foram ouvidas nove testemunhas. Toda essa investigação ocorreu em segredo de justiça, “sem que de nada o maior interessado tivesse aviso ou sequer suspeita”.
    O processo inquisitorial começou no Brasil e teve o seu desfecho em Portugal. Entre os anos de 1561 até 1563, Bolês ficou preso nos cárceres de Salvador,
    Nos diversos interrogatórios Bolês procurou negar as acusações, foi constantemente evasivo e, em muitos momentos, procurava confundir os inquisidores com argumentos capciosos. O francês manteve a tese de que não era culpado das acusações que pesavam sobre ele.
    Finalmente, em 12 de agosto de 1564, após a confissão e o pedido de perdão foi publicada a sentença do Santo Ofício pelo doutor inquisidor Ambrosio Campelo.
    A pena foi relativamente branda: obrigaram que ele abjurasse seus “heréticos erros” na mesa diante dos inquisidores; foi encarcerado pelo tempo que lhe parecer os inquisidores; deveria ser instruído “nas coisas que cumprem para a salvação da alma”; deveria se confessar regularmente e rezar os sete salmos penitenciais em todas as quartas e sextasfeiras; ficou proibido de se comunicar com pessoas suspeitas, e, por último, não poderia sair de Portugal sem licença dos inquisidores. Jean Bolês foi recolhido a um mosteiro de São Domingos em Lisboa. Permaneceu ali por alguns meses, mantendo um comportamento exemplar e demonstrando uma fé que impressionou os monges. Em novembro de 1564, através de uma petição38 que fizera, foi libertado com a condição deque não poderia deixar o Reino sem licença. Segundo Capistrano de Abreu, Bolês teria permanecido por mais algum tempo em Portugal, onde editara dois livros, ambos aprovados pelos deputados do Santo Ofício.

    Na sua inconstância Bolês foi para a Índia, onde foi novamente preso em 1569 acusado de relapso por culpas de luteranismo, sendo entregue a justiça secular de Goa. Como era reincidente foi condenado a morte na fogueira em janeiro de 1572.

    Ivo Pereira da Silva (verbete na Wikipedia)
  • editado July 28
    https://medium.com/@ricardodiasoliveira7/a-trajetória-do-escritor-robert-e-howard-3cb34dfd1642

    A TRAJETÓRIA DO ESCRITOR ROBERT E. HOWARD

    Um escritor que influenciou muito o estilo fantasia/ação foi Robert Ervin Howard, texano que nasceu em 1906 e faleceu em 1936. Uma olhada superficial na vida dele dá a entender que foi um autor pouco reconhecido e com fim de vida trágico (ele suicidou-se jovem com apenas 30 anos) talvez até atormentado psicologicamente.

    Howard é considerado o “pai” do estilo “espada e feitiçaria” (sword and sorcery) um estilo de histórias com muita ação, o herói enfrentando inimigos para salvar a mocinha e também enfrentando feiticeiros e criaturas sobrenaturais. Ele foi filho único, seu pai era um médico viajante e sua mãe contraiu tuberculose em certa época por isso ele dedicou muitos cuidados a ela. Sua mãe instigou nele o gosto pela poesia. Na escola formou sua percepção de mundo: observando os brigões humilhando os indefesos e também os acidentados que seu pai tratava concluiu que na vida a violência era constante em todo lugar e a força física era algo desejável de se ter. Também passou a abominar todo tipo de autoridade, nos empregos que teve sempre entrava em atrito com seus superiores. Aos nove anos começou a escrever histórias. Na adolescência descobriu as revistas estilo “pulp fiction” que circulavam a partir de meados de 1900, eram revistas feitas de papel barato e com histórias de ação, leitura considerada breve e despretensiosa do gosto dos mais jovens. Enviou histórias para as revistas “Adventure” e “Argosy” mas elas eram rejeitas ano após ano. Passou a se dedicar a atividades físicas como corte de lenha e levantamento de peso tornando-se mais robusto. Em 1924 a revista “Weird Tales” aceitou comprar uma história sua. Recebeu o pagamento por sua primeira história e mais outra apenas no ano seguinte, até lá trabalhou como jornalista, correios e companhia de gás. O boxe também foi uma grande paixão para ele, na época era considerado o esporte mais popular dos EUA. Em 1928 a “Weird Tales” comprou e publicou a primeira história do personagem Solomon Kane. Em 1929 uma história sua do personagem Kull um herói bárbaro anterior ao Conan foi comprado pela “Weird Tales” e bem recebida pelos leitores. Ainda em 1929 publicou uma história do marinheiro Steve Costigan com temática de lutas de boxe. Em 1930 Howard escreveu uma carta para a “Weird Tales” elogiando uma história de H. P. Lovecraft (1890–1937) o editor enviou-a ao próprio Lovecraft e os dois passaram a trocar correspondências elogiosas. Foto de Howard escrevendo em sua máquina, repare nas espadas penduradas na parede ao fundo dando o clima de suas obras:

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  • Em 1932 uma história de seu personagem mais famoso Conan o bárbaro foi publicada na revista “Strange Tales”. Conan talvez seja mais conhecido por causa do filme “Conan O Bárbaro” de 1982 que alavancou a carreira de ator de Arnold Schwarzenegger. Também as histórias em quadrinhos do Conan foram populares publicadas entre os anos 70 até início de 90.

    Quanto a relacionamentos, a mais conhecida e talvez única namorada que Howard teve foi Novalyne Price (1908–1999). Ela foi namorada de um amigo de escola dele. Novalyne conheceu Howard em 1933 tendo ouvido falar bem dele por seu amigo, mas, se decepcionou com o que viu “-É assim que é um escritor?” pensou Novalyne. Ela certamente tinha uma concepção muito romântica, estereotipada e glamourizada do que achava que deveria ser um escritor. Escritores geralmente são desgraçados da vida, boêmios, ou caras que ficam de pijama a maior parte do tempo, desleixados da aparência e imersos em mundos delirantes, que recolhem algumas coisas do mundo ao redor e põe em suas obras (me refiro aos escritores de ficção/fantasia geralmente. Já os escritores/pesquisadores de não ficção geralmente gastam muito tempo imersos em textos praticamente desconhecidos do grande público e recolhendo fragmentos de tradições antigas de outros povos por anos a fio, em nenhum dos casos existe “glamour”). Howard tinha maneiras incomuns, mas, isso devido ao mundo de fantasia que criava: falava as falas dos personagens em voz alta interpretando, se fantasiava ás vezes de personagens “lutando” com seus amigos e caminhava fazendo movimentos de boxe. Em 1934 Novalyne arrumou um emprego de professora e defendeu Howard de ser louco como seus colegas jocosamente diziam. Ela ligou pra ele, depois visitou. Começaram a se encontrar e namoraram por cerca de dois anos. Novalyne teve problemas de saúde devido ao excesso de trabalho e um médico recomendou a ela romper o relacionamento e arranjar emprego em outra cidade. Howard não estava tão profundamente envolvido com ela dando mais atenção a sua mãe de saúde frágil. Em uma viagem que fizeram com amigos, Howard descobriu que Novalyne estava envolvida com outro amigo seu. Apesar de tudo continuaram mantendo contato até a morte de Howard.

    Ela tinha a princípio o sonho de ser escritora, mas, abandonou isso depois do relacionamento com Howard e se focou na carreira de professora que seguiu até se aposentar. Mas, relembrando suas memórias com Howard, ela publicou o livro “One Who Waked Alone” em 1986.

    Em 1936 a saúde de sua mãe piorou muito, e semanas antes de se suicidar Howard preparou tudo inclusive comprou sepulturas e escreveu o testamento. Quando perguntou a uma enfermeira se havia chance de sua mãe se recuperar do coma ela respondeu que não, então Howard foi até seu carro na garagem e atirou e si mesmo com uma arma emprestada de um amigo. Seu pai tentou salvá-lo, mas, Howard morreu horas depois. Sua mãe faleceu no dia seguinte.

    Os anos de devoção e cuidados a sua mãe fizeram dela uma pessoa que ele não poderia viver sem. Sua carreira literária, empregos, tudo isso podia ser arranjado por isso não creio que seu suicídio foi um ato de desespero. Inclusive, após sua morte as editoras pagaram um bom dinheiro pelas histórias que tinham comprado nos últimos tempos dele e seu pai recebeu, é algo admirável que ele tenha encontrado seu espaço no ramo literário e lucrado com isso.

    A visão de mundo de Howard era no sentido de desprezar aquilo que se chama “civilização” e exaltar o barbarismo como um estado natural do homem, para ele a civilização organizada era algo anti-natural, via isso como vemos a decadência moral da Roma antiga. Por isso seus personagens se revoltam contra as injustiças do mundo. Algo muito interessante e presente em muitas de suas obras são menções a civilizações ou continentes antigos como Hiperbórea e Atlântida e menções a antigos sacerdotes/feiticeiros dessas civilizações dados a rituais de sacrifícios humanos e sensualistas, note o personagem Thulsa Doom do primeiro filme “Conan, O Bárbaro” e repare a primeira frase do narrador ambientando o período quando as aventuras de Conan se passa dizendo “-Quando os oceanos beberam Atlântida”.

  • ROBERT E. HOWARD
    É curioso observar como em uma personalidade tão criativa encontramos um caráter ético e desarranjos mentais que o conduziram ao suicídio, ainda jovem.
  • editado August 2
    No panteão dos heróis da história de Portugal encontramos um personagem que se fez admirar, mesmo entre os afamados guerreiros dos poderosos impérios do passado.
    Este é o caso de Viriato.

    VIRIATO (Lusitânia, 181 a.C. – Lusitânia, 139 a.C.) foi um líder lusitano, que enfrentou a expansão de Roma na Hispânia em meados do século II a.C. no território sudoeste da Península Ibérica, nas chamadas Guerras Lusitanas.

    Conhece-se como Guerras Lusitanas ao conflito armado entre a República Romana e tribos da Hispânia Ulterior conhecidas como “Os Lusitanos”, que foi travada entre 155 a.C. - 139 a.C.
    Os lusitanos rebelaram-se contra Roma em duas ocasiões (155 a.C. e 146 a.C.), mas ao final os romanos conseguiram impor a pax romana, o que somente aconteceu por volta de 61 e 60 a.C. quando Caio Júlio César com um exército de 20 coortes (cerca de 10 000 homens) e 5000 aliados locais submeteu definitivamente os lusitanos.

    Em 146 a.C., os lusitanos encontraram um verdadeiro líder. Este líder, chamado Viriato, através de sucessivas vitórias foi ganhando renome entre os romanos como um grande chefe guerreiro.
    Nesta ocasião, Tetílio (ou Vetílio), reunindo perto de 6000 legionários lançou uma feroz ofensiva contra Viriato, que foi respondida por uma campanha de guerrilhas.
    Na última delas, os romanos avançaram pelo interior do território inimigo, acreditando que perseguiam Viriato, até finalmente serem emboscados no desfiladeiro da atual Serrania de Ronda, quando morreram ou foram capturados 4000 romanos, escapando o resto.
    Vetílio não sobreviveu.
    Os romanos sobreviventes foram reforçados por outros 5000, lançando outra ofensiva que também terminou num desastre, falecendo a maioria, tendo de refugiar-se em Carteia aguardando reforços.

    A tática consistia em que Viriato propunha batalha em campo aberto para em seguida simular fuga desordenada atraindo o exército inimigo às suas emboscadas. Obteve numerosas vitórias e alcançou grande respeito e admiração da parte dos romanos.

    A Morte do Herói
    Foi então que Roma marca de forma ultrajante as páginas vitoriosas de suas históricas conquistas quando, por primeira vez, se serve de vergonhosa traição contra respeitado inimigo..
    Em 139 a.C., Viriato foi assassinado enquanto dormia por três dos seus companheiros, Audax, Ditalco e Minuro, que haviam sido convidados como emissários a Roma, para acordo de paz, e subornados por Marco Popílio Lenas.


  • editado August 2
    Sr. patolino escreveu: »
    No panteão dos heróis da história de Portugal encontramos um personagem que se fez admirar, mesmo entre os afamados guerreiros dos poderosos impérios do passado.
    Este é o caso de Viriato.
    👍 Só observando que não é sabido ao certo onde ele nasceu e há controvérsias SE os teatros das operações contra o Império Romano terão envolvido territórios do atual (país) Portugal.
  • Gorducho escreveu: »
    Sr. patolino escreveu: »
    No panteão dos heróis da história de Portugal encontramos um personagem que se fez admirar, mesmo entre os afamados guerreiros dos poderosos impérios do passado.
    Este é o caso de Viriato.
    👍 Só observando que não é sabido ao certo onde ele nasceu e há controvérsias SE os teatros das operações contra o Império Romano terão envolvido territórios do atual (país) Portugal.
    Sim, de fato Sr. Gorducho, embora se possa atribuir essa incerteza ao fato de que nem Hispânia era a Espanha de hoje e nem "Lusitania" se refere exatamente aos atual Estado Português.
    O historiador Estrabão definiu a Lusitânia nos seguintes termos: "A mais poderosa das nações de Hispânia, aquela que, entre todas, por mais tempo deteve as armas romanas".

    Contudo, a favor do gentílico português, atribuído ao herói, estão as raras mas renomadas citações poéticas (que não decidem a questão mas merecem a atenção), estas que vão desde Camões, em (Os Lus., III, 22, 2-4), Fernando Pessoa em seu livro "Mensagem", à grande produção consagrada àquele herói lusitano, o poema "Viriato Trágico", de Brás Garcia de Mascarenhas (1596-1656).
    Também, sobre o lusitanismo do herói, há o importante trabalho literário "Viriato-genealogia.pdf".
    A este reputo como importante repositório de informações sobre aquela região e seu herói.

    Quanto ao teatro das operações as campanhas de Viriato percorreram todo o sudoeste da península ibérica, como o que se vê em

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Campañadeviriato.svg
  • editado August 3
    👍 Contudo compare com o artigo
                      VIRIATO
    SUS TEATROS DE OPERACIONES

    Revista de Historia Militar
    Estado Mayor Central del Ejercito
    Servicio Histórico Militar
    Año II 1958 Núm. 2
    pp. 12-13 escreveu:
    De un estudio desapasionado y cuidadoso de los textos antiguos que hasta nosotros llegaron, se deduce que toda la actuación guerrera de nuestro héroe se desarrolló en la Celtiberia, sin que haya la menor constancia de que, en todos esos años, fuera una sola vez a Portugal, ni aún para una corta vacación; ni que se aproximase a menos de cuarenta leguas de la actual frontera hispanoportuguesa; no habiendo traspuesto en sus correrías el meridiano de Talavera de la Reina. Pudo nacer en la costa del Atlántico; aunque sorprende un poco que, en aquellos tiempos, en los que los hombres pasaban toda su existencia en
    su propia tribu, apareciera un guerrero lusitano atlántico en plena Celtiberia, a 700 kilómetros de su país natal; y que fuera aclamado caudillo de un nutrido contingente de celtíberos. Esto tal vez explique el error geográfico sufrido por muchos historiadores, situando el teatro de la guerra en Portugal.
  • Nota-se que as fontes documentais se contradizem. Mas faz sentido dizer-se que Viriato não combateu em regiões lusitanas visto que, estando Roma á leste, em relação à península e Portugal no extremo oeste, beirando o Atlântico, exigiria das tropas romanas atravessar vasto território expondo-se ao ataque inimigo. Isto também considerando que em Hispânia havia tribos e povoados já sob o domínio romano. E consta que várias dessas tribos se aliaram à Roma, combatendo Viriato.
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