1999 e o Declínio da Objetividade

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Uma das coisas mais assustadoras da cultura atual é o desprezo pela razão e pela objetividade que pode ser visto não só no entretenimento, mas também na política, no jornalismo, nas discussões comuns entre pessoas etc. É difícil dizer o que exatamente deu início a essa era "anti-razão", "pós-verdade" em que vivemos — se foi a educação, a mídia, crises globais, etc. Mas o entretenimento sempre teve uma relação muito íntima com mudanças na cultura, e mesmo que ele não tenha sido a causa inicial dessa mudança, ele certamente respondeu a ela imediatamente, e acho interessante rastrear esse processo através dos filmes.

Creio que o ponto de virada que nos trouxe à situação atual (em termos epistemológicos) ocorreu no final dos anos 90. Antes de Matrix, por exemplo, não era normal o espectador (e o cidadão comum) ficar questionando a natureza da realidade, a validez da razão e das estruturas sociais no seu dia a dia. Filmes eram sobre acontecimentos concretos, se passavam numa realidade objetiva, estável, até mesmo quando retratavam coisas sobrenaturais. Se aliens invadissem a Terra, eram criaturas sólidas, com características específicas, e o herói tinha que usar a razão pra solucionar o problema da mesma forma que a usaria pra resolver qualquer outro problema mundano.



Mas no fim dos anos 90, as coisas começaram a mudar. Lembro de sair da sessão de Matrix com alguns familiares, e as pessoas estavam realmente confusas, perplexas. Havia algo de novo naquele filme, que fazia a gente pensar de uma maneira nada familiar. Matrix não foi o primeiro sucesso desse período a questionar nossa percepção da realidade, mas se destacou por abordar essa questão de forma explícita e inovadora. No ano anterior, em 1998, O Show de Truman já começava a estimular na plateia certos questionamentos existenciais que não eram comuns na cultura mainstream. E se nossa vida não passasse de um reality show? Um grande palco pra vender produtos? Mas 1999 foi o ano que marcou essa transição. Depois de O Sexto Sentido, ninguém mais confiava 100% na realidade da trama de um filme de terror (o que foi reforçado em 2001 com Os Outros). A Bruxa de Blair nos fez questionar se o próprio filme em questão era cinema ou um pedaço de evidência. Um filme realista podia subitamente ter uma chuva de sapos sem maiores explicações. Clube da Luta, assim como O Sexto Sentido, mostrou que não só não podíamos mais confiar nas nossas percepções, como trouxe isso ainda pra mais perto da nossa realidade: agora não era mais necessário o sobrenatural ou algo fantástico existir pra colocar a realidade objetiva em xeque: nossos problema psicológicos já estavam fazendo isso o tempo todo. Até mesmo a noção de família foi desafiada e exposta como uma farsa, quando Beleza Americana levou o Oscar de Melhor Filme.

Daí pra frente não houve mais volta. No começo dos anos 2000, vimos Donnie Darko e Cidade dos Sonhos se tornarem cults instantâneos, Charlie Kaufman se tornar o roteirista mais cobiçado do mundo com Quero Ser John Malkovich, Adaptação, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, uma avalanche de filmes sobre pessoas com distúrbios psicológicos (Uma Mente Brilhante, A Identidade Bourne, Efeito Borboleta) e é claro, o surgimento daquele que iria encabeçar essa nova onda e levá-la para as décadas seguintes: Christopher Nolan, com Amnésia. O subjetivismo se tornou o "padrão ouro" do cinema. Filmes que focavam em ações concretas e não traziam uma mensagem subjetivista, algum tipo de questionamento existencial, já pareciam datados, pouco sofisticados, menos "sexy".

Comentários

  • É importante dizer que muitos filmes desse período ainda eram excelentes. Eles questionavam a realidade, nossos sentidos, mas faziam isso através de tramas inteligentes, compreensíveis, se comunicavam de maneira racional com o espectador — eram "objetivos ao questionarem a objetividade", pois traziam uma herança das décadas anteriores, dominadas por uma epistemologia mais racional, e principalmente, um respeito pelo talento. Mas obviamente, isso apresenta uma contradição, e contradições tendem a buscar uma resolução ao longo do tempo.

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    Conforme avançamos nos anos 2000 e 2010, esse elemento racional foi sendo abandonado pouco a pouco, e o subjetivismo deixou de ser apenas um tema discutido dentro de filmes racionais, mas foi sendo incorporado na própria forma em que os filmes eram feitos e as histórias eram contadas. Enquanto Matrix (1999) tinha um roteiro bem estruturado, contava com a racionalidade e o foco do espectador para transmitir a ideia de que a realidade é uma ilusão, A Origem (2010) já apresenta uma narrativa caótica, e conta com a irracionalidade e a confusão mental do espectador para sugerir a mesma ideia. A Origem destrói a capacidade cognitiva do espectador como tática para promover a mensagem anti-razão, o que é muito mais eficiente (da mesma forma que livros de certos filósofos subjetivistas são frequentemente impossíveis de entender e de serem lidos em foco, e o estado de confusão mental provocado pelo estilo da escrita trabalha para validar a mensagem de que a razão é impotente).

    Esses temas foram se tornando cada vez mais comuns nos filmes, ao ponto que hoje, se eu fosse com familiares ver um filme como Matrix ou Clube da Luta no cinema, ninguém ficaria minimamente surpreso. Questionar a realidade objetiva já faz parte dos hábitos mentais do espectador comum. Por exemplo: outro dia na rua, um amigo caminhando ao meu lado deixou cair algo no chão e parou pra pegar... Eu não percebi e continuei andando, até que alguns segundos depois me surpreendi com sua ausência e olhei pra trás intrigado. Ele riu e brincou: "Imagina se você olhasse pra trás e eu não estivesse lá? E você descobrisse que eu fui uma projeção da sua mente todos esses anos?". Uma brincadeira casual, mas que provavelmente apenas um roteirista criativo teria feito 30 anos atrás. Hoje, são coisas que a gente pensa a todo momento, pois fomos treinados por centenas de filmes ao longo de 2 décadas a questionar a realidade do mundo ao nosso redor — da mesma forma que quando eu era pequeno, eu imaginava constantemente a possibilidade de uma invasão extraterrestre, ou de um meteoro entrar em rota de colisão com a Terra, ou de dinossauros voltarem à vida etc.

    Pensar em desastres pode soar algo negativo, mas enquanto os filmes afirmavam que podíamos lidar com esses problemas racionalmente, eles promoviam um senso de otimismo. Agora quando a razão e a realidade objetiva começam a ser questionadas, a primeira coisa que vai embora é o otimismo. Dificilmente um personagem descobre que sua realidade é falsa, que tudo é relativo, que sua mente não está em contato com a realidade, e isso resulta em autoconfiança, em uma história alegre e inspiradora. Subjetivismo vem sempre acompanhado de pessimismo, melancolia e cinismo. Portanto, não é acidente que no final dos anos 90, junto com o subjetivismo, os filmes começaram também a ficar mais sombrios (e depois do 11 de Setembro, que tornou o pessimismo a nova realidade da cultura americana, essa tendência parece ter se tornado irreversível).

    Outra coisa que começa a ir embora com a objetividade é o talento e os padrões de qualidade. Pois quando um filme respeita a objetividade da plateia, tudo nele precisa significar algo, tudo tem que ser comunicado claramente, fazer algum sentido, ser feito com competência, portanto as exigências sobre os criadores são muito maiores — da mesma forma que um modelo precisa ser realmente atraente pra ser fotografado em plena luz do dia, com uma lente cristalina, em foco total — mas as exigências diminuem bastante no escuro, numa atmosfera nebulosa, com uma lente turva (o que indica por que muitas pessoas se sentem atraídas pela "névoa" do subjetivismo). Se um filme é livre para ter finais abertos, contradições internas, buracos na trama, coisas aleatórias, não precisa ter um impacto específico na plateia, afinal tudo é uma experiência subjetiva, emocional, tanto para os personagens da história, quanto pro artista criando o filme, quanto pro espectador na poltrona, muito menos habilidade é exigida dos realizadores.

    É difícil dizer o que começou primeiro, se foi o declínio do talento, da objetividade, do otimismo — mas uma virtude essencial, quando rejeitada, vai sempre arrastando as outras pra baixo com ela. Portanto se os filmes já foram talentosos, objetivos e otimistas, eles passaram para talentosos, semi-objetivos e mais sombrios, e terminaram amadores, irracionais e deprimentes.
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    Durante os anos 70–90, filmes de terror costumavam ser sobre vilões e monstros reais, com identidades bem estabelecidas. E mesmo quando apareciam só nos sonhos dos personagens (como em A Hora do Pesadelo) havia um senso de que era uma criatura real no universo do filme, que outros personagens podiam vê-lo também, e que ele podia ser derrotado através de alguma ação inteligente. Agora observe a quantidade de filmes de terror hoje em dia onde o monstro no fundo não existe concretamente, nem mesmo no universo do filme — é apenas uma metáfora, uma maneira simbólica do filme retratar algum problema emocional do protagonista. Tudo no cinema se tornou sobre emoções, sobre a experiência subjetiva do personagem. Pense nos inúmeros filmes de ficção-científica recentes onde em vez de lidarem com a natureza, com o mundo externo, solucionarem problemas científicos, os cientistas terminam apenas lidando com traumas pessoais, relações familiares, sentimentos de perda — como O Céu da Meia-Noite ou Interestelar, por exemplo, onde ciência e emoções se tornam indistinguíveis.

    Nos filmes atuais, a solução para os problemas não está na racionalidade, na competência, na criatividade, em saber lidar com o mundo externo — e sim em algum tipo de "cura emocional". Até filmes mais mainstream, que não trazem discussões filosóficas pretensiosas, promovem essa ideia ao colocarem todo o foco das histórias nas emoções dos personagens. Por exemplo: personagens de animações infantis não buscam mais o amor verdadeiro, não precisam derrotar um monstro de fato, não têm que desenvolver habilidades interessantes. Tudo é sobre "cura emocional". Os problemas de Elsa em Frozen se derretem quando ela aprende a lidar com suas emoções. Raios mágicos trazem paz e abundância ao mundo de Raya e o Último Dragão no momento em que a vilã deixa de ser fria e aprende o valor da confiança. Em Festa no Céu, em vez de matar o touro no duelo final, o herói pega um violão e canta uma canção de paz, pois entende que seu maior problema no fundo é o medo de ser autêntico, e quando ele supera isso, o monstro demoníaco a sua frente se desintegra.

    A cura emocional é o novo "príncipe encantado", o novo "matar o monstro", o novo "passar na audição", o novo "sobreviver ao desastre", o novo "criar DNA de dinossauro". Todos os seus sonhos parecem se tornar realidade uma vez que você foque nas suas emoções e elimine conflitos internos (como se nosso universo interno estivesse desconectado do externo, ou melhor, como se ele criasse o universo externo, e nós pudéssemos atingir a felicidade apenas manipulando nosso estado interior, sem depender de ações no mundo real: obter consequências sem causas, recompensas sem ações). O que obviamente é uma mensagem perigosa — e se você nasceu nos últimos 20/25 anos, essa é uma das principais ideias que você absorveu da cultura popular.

    Não que emoções não sejam importantes. Elas só não devem ser utilizadas como meios de cognição e colocadas acima da razão, especialmente quando surge algum conflito entre uma coisa e outra (e quanto menos racional você é, mais conflitos surgem). Filmes do passado não eram anti-emoção, mas emoções não eram tratadas como o principal referencial das pessoas. Como ilustrado no curta da Disney, Reason and Emotion (1943), sanidade exige que a razão ocupe o "assento do motorista", e que emoções permaneçam no banco do passageiro. Se há um conflito entre fatos e emoções, você aceita os fatos, mesmo que isso te cause desconforto emocional por um tempo. Esse era o senso comum no passado. Mas hoje, se surge um conflito entre fatos e emoções, é a razão que é jogada pro banco de trás.

    Portanto não é surpresa que todos hoje desconfiem da ciência, das notícias — já que nos filmes, até as mentes mais racionais e brilhantes parecem cegas para a realidade e no fundo são motivadas por emoções subjetivas (e se os cientistas de hoje sofreram influência o bastante da cultura, eles podem de fato ter perdido a objetividade, e assim entramos no velho ciclo onde o subjetivismo se retroalimenta de suas próprias crias). Não é surpresa que a liberdade de expressão esteja em constante ataque: se emoções são a base de toda sua existência, palavras e insultos se tornam tão destrutivos quanto violência física; ambos representam uma ameaça para a "cura emocional" que é a chave de tudo. Se alguém se recusa a te dar um emprego, isso não é tão diferente de um ladrão que roube seu dinheiro: ambos fizeram você se sentir mal financeiramente. Se não existe realidade objetiva, então tudo bem dizer coisas incoerentes, dar argumentos sem referências à realidade, desde que isso esteja em harmonia com seus sentimentos. Desinteressadas na realidade, as pessoas foram perdendo (ou nem chegaram a desenvolver) a sensibilidade para distinguir verdade de mentira, e não enxergam, por exemplo, que boa parte dos "reality" shows que elas assistem hoje são na verdade roteirizados, encenados, estão cheio de manipulações desonestas, misturadas com coisas verídicas para "efeito dramático". E mesmo que enxergassem, talvez nem dessem importância.
  • Como cinéfilo, minha grande perda nisso tudo tem a ver com os filmes. Mas esse declínio da objetividade é uma questão que deveria preocupar a todos, pois atinge a sociedade em todos os seus aspectos. Afinal, não é possível colocar um satélite em órbita através da "cura emocional", inventar o iPhone através da "paz interna", assim como não é possível filmar Lawrence da Arábia focando na "sua verdade". Quanto mais você duvida da sua mente, da sua percepção dos fatos, mais você tem medo de agir com base nelas. E quanto mais as pessoas se provam irracionais, mais se torna plausível o argumento de que elas precisam de figuras autoritárias controlando suas vidas.

    Quanto tempo o equilíbrio emocional de uma pessoa poderá durar quando o mundo físico começar a desmoronar ao redor dela? E não precisamos nem esperar o mundo físico ruir pra sofrermos as consequências dessa mentalidade. Afinal, até pra solucionar problemas emocionais é preciso usar a razão: se você atinge sucesso no mundo material, ou sucesso na sua vida emocional, em ambos os casos, foi seu lado racional que tornou isso possível. Se você observar o estado emocional das pessoas hoje em dia, o tom de revolta, confusão e pessimismo que marcou a última década, talvez essa seja a maior prova de que o subjetivismo só leva ao caos, e que sua primeira vítima é o próprio equilíbrio emocional que as pessoas tanto buscam.

    http://profissaocinefilo.blogspot.com/2021/03/1999-e-o-declinio-da-objetividade.html?showComment=1617200609410

  • Percival escreveu: »






    " Portanto se os filmes já foram talentosos, objetivos e otimistas, eles passaram para talentosos, semi-objetivos e mais sombrios, e terminaram amadores, irracionais e deprimentes."
    Mas filme não é talentoso. Talentoso é quem faz o filme.

  • Esses filmes são fantásticos, deles não deveria ter saído esta sociedade de idiotas (que elegem Bolsonaro, não resisti).

    A alegoria da caverna de Platão não é propriamente recente, já neste texto temos o questionamento acerca daquilo que percepcionamos. O problema é outro, superficialmente, chama-se capitalismo - consumismo desenfreado em expansão, mais a busca constante por novos produtos, serviços esvazia o mundo dos aspectos considerados inúteis (exemplo, Filosofia, ócio).

    Só existe Neg-ócio, humanos reduzidos a mercadoria...



  • PugII escreveu: »
    Esses filmes são fantásticos, deles não deveria ter saído esta sociedade de idiotas (que elegem Bolsonaro, não resisti).

    A alegoria da caverna de Platão não é propriamente recente, já neste texto temos o questionamento acerca daquilo que percepcionamos. O problema é outro, superficialmente, chama-se capitalismo - consumismo desenfreado em expansão, mais a busca constante por novos produtos, serviços esvazia o mundo dos aspectos considerados inúteis (exemplo, Filosofia, ócio).

    Só existe Neg-ócio, humanos reduzidos a mercadoria...



    Normal vindo de um boçal como você nisso, aliás um ser com auto estima baixa que precisa de justificar utilizando o quanto é superior e fazer discurso político em cima é o que esse pessoal quer.

    Aliás esse anti capitalismo é o que dá lucro para eles, já que você diz não se importar com dinheiro, mas usa um fórum e tecnologia para propagar anti capitalismo. Mas é um ser que mal consegue se sustentar sem ajuda do estado e dos pais. Afinal, auto suficiência pra que se tem gente pagando suas contas. Hahahahahahahaha.
  • editado April 1
    Eu ia citar a alegoria da Caverna, mas Pug chegou primeiro.
    Completo que o questionamento da realidade objetiva continuou sendo tratada na filosofia, inclusive na insuspeita Filosofia Católica, com Santo Agostinho cogitando as diferenças entre a Cidade dos Homens (o mundo visível) e a Cidade de Deus (o mundo real).

    Mesmo no cinema (e na TV) a ideia vem de muito antes de Matrix.
    Prá citar um exemplo, The Manchurian Candidate, de 1962, explorava um tema recorrente durante a Guerra Fria, a lavagem cerebral, que levantava a dúvida sobre se suas memórias, pensamentos e vontades eram reais ou incutidas pelos comunistas malvados (não é ironia).

    Além da Imaginação, que eu me lembre, também vira e mexe brincava com realidades alternativas, universos paralelos, outras dimensões etc.

    O tema não é novo.
  • editado April 1
    Outra coisa.
    O desprezo pela razão e pela objetividade não é produto da cultura POP.
    No artigo o autor inverte as relações de causa e efeito.
    Gente muito mais engenhosa e mal intencionada que diretores de cinema planejou este resultado.
    E, assustadoramente, estão tendo sucesso.
    Na linha de frente do mal (não é ironia) temos os ideólogos do Relativismo e Desconstrucionismo, doutrinas que propagaram a ideia de que palavras não representam a realidade mas, sim a constroem (e desconstroem...).
    O absurdo da ideia é tão autoevidente, que, de novo, é assustador pensar que surgiu nas e dominou as Cadeiras de Ciências Humanas das Universidades mundo afora.

    É por isto que virou lei, literalmente, a obrigatoriedade de aceitar que um homem seja uma mulher, só porque foi nomeado assim.
    Como venho dizendo há anos, os loucos que tomaram conta do hospício pularam a cerca e agora querem dominar o mundo.
  • editado April 1
    Acauan escreveu: »
    Outra coisa.
    O desprezo pela razão e pela objetividade não é produto da cultura POP.
    No artigo o autor inverte as relações de causa e efeito.
    Gente muito mais engenhosa e mal intencionada que diretores de cinema planejou este resultado.
    E, assustadoramente, estão tendo sucesso.

    Sim, eu também acredito que só se ganhou força na cultura Pop devido a difusão dessas idéias na formação de muitos produtores de conteúdo atualmente. A relevância da cultura pop é usada como argumento devido a mais fácil diluição e aceitação de ideias que ela proporciona, até mais que o meio acadêmico.

  • Acauan escreveu: »
    Outra coisa.
    Na linha de frente do mal (não é ironia) temos os ideólogos do Relativismo e Desconstrucionismo, doutrinas que propagaram a ideia de que palavras não representam a realidade mas, sim a constroem (e desconstroem...).

    Hoje um conhecido disse-me isto: "A mente ,mente e vai buscar sempre as convicções da pessoa, a realidade é a pessoa que escolhe. O Mundo é vasto de realidades ,não existe A REALIDADE !"

    Um pensamento que se tornou assustadoramente normal. Num passado distante, até podia "brincar" com estes temas, podendo ter uma posição mais relativista, mas era só brincadeira.
  • PugII escreveu: »
    Hoje um conhecido disse-me isto: "A mente ,mente e vai buscar sempre as convicções da pessoa, a realidade é a pessoa que escolhe. O Mundo é vasto de realidades ,não existe A REALIDADE !"

    Um pensamento que se tornou assustadoramente normal. Num passado distante, até podia "brincar" com estes temas, podendo ter uma posição mais relativista, mas era só brincadeira.

    Uma conhecida minha, professora doutora de uma grande universidade, me afirmou com toda convicção que "não existem fatos, apenas versões".
    Perguntei se quando ela dava um daqueles tropicões bem dados com o dedão do pé, simplesmente escolhia a versão de que não estava doendo e seguia em frente.
    Como sempre nestes casos, ela ficou furiosa e não respondeu...
  • editado April 2
    Lembrei do filme "Inception" ("A Origem") em que as pessoas viviam realidades artificiais.
    E o filme termina deixando no ar a dúvida sobre se o protagonista voltou à realidade real ou se ainda está numa das camadas artificiais.

    Alguns dos livros de Philip K. Dick também têm enredos em que os personagens não sabem direito se estão vivendo uma alucinação ou a realidade.
  • A Origem tem um desenvolvimento todo quebrado. Aliás tudo do Nolan é assim parece uma colagem de cenas que não se conversam direito.
  • Por isso é um firmi idiota.
  • editado April 2
    A insistenssa ni analisar firmes besta leva a esses descalabros mentais.

    O que parece evidente nisso tudo é um amálgama de condições mentais pré existentes destacando por exemplo, pragmatismo solapado por ideologias e o contato com ambientes degenerados caracterizados por uso de tóxicos.
  • Fernando_Silva escreveu: »
    Lembrei do filme "Inception" ("A Origem") em que as pessoas viviam realidades artificiais.
    E o filme termina deixando no ar a dúvida sobre se o protagonista voltou à realidade real ou se ainda está numa das camadas artificiais.

    Alguns dos livros de Philip K. Dick também têm enredos em que os personagens não sabem direito se estão vivendo uma alucinação ou a realidade.

    Detesto e adoro. Aprecio certezas, mas sou fascinado pela incerteza.

  • Acauan escreveu: »
    Uma conhecida minha, professora doutora de uma grande universidade, me afirmou com toda convicção que "não existem fatos, apenas versões".
    Perguntei se quando ela dava um daqueles tropicões bem dados com o dedão do pé, simplesmente escolhia a versão de que não estava doendo e seguia em frente.
    Como sempre nestes casos, ela ficou furiosa e não respondeu...

    Mestre @Acauan, sua colocação contundentemente simples, chocou-a, no entanto conduz a complexos raciocínios; vejamos:

    A professora não viu certo obstáculo e nele tropeçou, enquanto certa pessoa, pouco antes da professora, passou pelo mesmo local e não tropeçou, por quê?

    A professora estava preocupada com as nuvens que se formavam predizendo forte temporal, e olhando para o céu, desatenta, tropeçou.

    O fato de tropeçar naquele obstáculo não é significativo e sim a razão pela qual o fato ocorreu.
    pois a interpretação do fato conecta-nos a uma realidade pragmática, e não o fato em si.

    No entanto, se não ocorresse o fato não teríamos chegado à interpretação da realidade e poderíamos então concluir, ser o fato a causa da realidade?

    E é neste ponto que entra a conjectura filosófica.

    Os fatos são corriqueiros e se repetem constantemente, com pequenas variações, daí, o tropeção, enquanto fato, não tem maior significado, mas a interpretação é a essência da realidade, pois

    "Se você anda olhando para o céu poderá se encontrar com a terra, face a face.."
  • Senhor escreveu: »
    Por isso é um firmi idiota.

    Em Rick e Morty no episódio quando Rick usa uma das invenções para entrar na mente do professor de matemática do Morty ele diz: vai ser como o filme A Origem só que vai ter sentido.
  • patolino escreveu: »
    O fato de tropeçar naquele obstáculo não é significativo e sim a razão pela qual o fato ocorreu.
    pois a interpretação do fato conecta-nos a uma realidade pragmática, e não o fato em si.
    ...
    Os fatos são corriqueiros e se repetem constantemente, com pequenas variações, daí, o tropeção, enquanto fato, não tem maior significado, mas a interpretação é a essência da realidade, pois

    "Se você anda olhando para o céu poderá se encontrar com a terra, face a face.."

    Esta é a questão.
    A realidade nos dá sinais suficientes de que não liga a mínima para as interpretações que damos aos fatos.
  • Percival escreveu: »
    Em Rick e Morty no episódio quando Rick usa uma das invenções para entrar na mente do professor de matemática do Morty ele diz: vai ser como o filme A Origem só que vai ter sentido.

    As primeiras vezes que assisti Rick and Morty me pareceu um daqueles desenhos que forçavam a barra para serem classificados como vanguardistas e anárquicos.
    Depois que assisti as quatros temporadas completas, passei a achar uma das animações mais inteligentes em produção na TV.
  • editado April 5
    Acauan escreveu: »
    Percival escreveu: »
    Em Rick e Morty no episódio quando Rick usa uma das invenções para entrar na mente do professor de matemática do Morty ele diz: vai ser como o filme A Origem só que vai ter sentido.

    As primeiras vezes que assisti Rick and Morty me pareceu um daqueles desenhos que forçavam a barra para serem classificados como vanguardistas e anárquicos.
    Depois que assisti as quatros temporadas completas, passei a achar uma das animações mais inteligentes em produção na TV.

    Tem umas sacadas muito boas, mas tem uma conotação filosófica bem tensa.
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