Religião é Veneno
Votação que os nazistas receberam na Alemanha, por região e religiões, 1932
Autor: Volpiceli | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Visualizações: 417 Comentários: 1
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Volpiceli
2025-Abril-19
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Fernando_Silva
2026-Setembro-19
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Assim como os nazistas, a extrema-direita alemão é contra a "arte degenerada" e a Bauhaus e quer exterminar tudo o que não for "cultura alemã".

Perto do poder, extrema direita alemã mira teatros e a histórica Bauhaus em ofensiva cultural que evoca o nazismo

Partido quer uma arte mais 'patriótica' e o fim do que chama de 'complexo de culpa' sobre o passado nazista; propostas lembram medidas adotadas sob Hitler

Por Jim Tankersley e Sam Gurwitt , Em The New York Times — Magdeburgo    19/09/2026


A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita que venceu uma eleição recente em um pequeno estado do leste do país, planeja uma reformulação cultural que já foi explicitamente comparada a ações tomadas durante o passado nazista na Alemanha. A comunidade artística do estado da Saxônia-Anhalt se prepara para lutar por sua sobrevivência caso o partido consiga formar uma coalizão de governo com partidos rivais e chegar ao poder. Diretores artísticos de instituições de todo o estado — muitas das quais dependem de financiamento público — estão se mobilizando para desafiar os planos da AfD de ampliar uma programação artística mais “patriótica”.

Os dois lados concordam que o que está em jogo ultrapassa os palcos locais. A AfD colocou uma reformulação cultural no centro de seus planos para transformar a Saxônia-Anhalt e o restante do país. A plataforma eleitoral do partido prometeu pressionar instituições artísticas a celebrar a história alemã anterior à Segunda Guerra Mundial, romper com as influências do multiculturalismo e acabar com o “complexo de culpa” da Alemanha em relação ao passado nazista do país.

A AfD também desprezou a tradicional Bauhaus, uma escola de design de enorme influência no estado que foi fechada pelos nazistas, que consideravam seu estilo de vanguarda e sua visão internacional uma ameaça à identidade alemã tradicional. Os nazistas usavam o movimento como uma forma de resumir a influência estrangeira, judaica e comunista.

A plataforma eleitoral da AfD faz uma crítica mais eufemística, afirmando que a Bauhaus não tinha “raízes nacionais”. Hans-Thomas Tillschneider, um dos autores da plataforma, disse separadamente que a escola era “não alemã”.

Barbara Steiner, diretora da Fundação Bauhaus, sediada no local onde funcionava a escola fechada e responsável por preservar seu legado, afirma:

— A AfD entende que, por meio da cultura, pode entrar na cabeça das pessoas, em sua maneira de pensar.

Líderes da AfD dizem o mesmo.

— Um governo estadual da AfD desencadeará uma renovação cultural geral — destacou Tillschneider em entrevista nesta primavera. O partido não respondeu ao pedido de uma nova entrevista para esta reportagem nem às perguntas sobre sua plataforma cultural.

Paralelos com o nazismo

A seção da AfD na Saxônia-Anhalt foi classificada como extremista de direita pelo serviço de inteligência federal alemão, e o principal candidato do partido no estado afirmou que não poderia “se atrever a julgar” se o Holocausto foi o pior crime da Humanidade. A AfD conquistou 44% dos votos na eleição estadual deste mês, impulsionada por uma reação dos eleitores à estagnação econômica e a uma década de alta imigração.

Historiadores da arte e políticos nacionais fizeram comparações explícitas entre as ambições culturais do partido e as de Adolf Hitler, que também via a Bauhaus como uma ameaça à identidade alemã.

Os ataques do partido à Bauhaus usam “a mesma linguagem que os nacional-socialistas usavam em 1933”, afirma Elizabeth Otto, historiadora da arte da Universidade de Buffalo. Ao longo daquele ano, os nazistas atacaram manifestações culturais que consideravam “não alemãs”, queimando milhares de livros que contrariavam sua concepção de identidade alemã.

Wolfram Weimer, ministro da Cultura e aliado próximo do chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou a um jornal do país recentemente que “a AfD na Saxônia-Anhalt é uma continuação direta dos nazistas quando se trata da Bauhaus”. Desde então, seu ministério lançou uma petição de apoio à escola, que já reúne quase 4 mil assinaturas.

Líderes da AfD rejeitam comparações com os nazistas, embora façam alusões a eles na seção cultural da plataforma de governo publicada pelo partido na primavera do Hemisfério Norte.

A plataforma da AfD classifica os planos culturais do partido como uma correção necessária a uma cultura alemã enfraquecida por uma “ideologia arco-íris” e por um “masoquismo” relacionado à fixação nas atrocidades cometidas pelo país no passado.

A plataforma do partido na Saxônia-Anhalt critica o esforço nacional contínuo para lidar com a história nazista da Alemanha, chamado de Vergangenheitsbewältigung, ou “acerto de contas com o passado”. A AfD promete direcionar recursos para produções teatrais clássicas e para uma “arte que contribua para a formação da identidade alemã”. O partido acabaria com uma homenagem oficial do estado à Bauhaus.

https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/09/19/perto-do-poder-extrema-direita-alema-mira-teatros-e-a-historica-bauhaus-em-ofensiva-cultural-que-evoca-o-nazismo.ghtml
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