Religião é Veneno
Livros do espanhol José Maria Gironella
Autor: LaraAS | Categoria: Cinema, Música, Arte, Cultura e Esporte | Visualizações: 15 Comentários: 0
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LaraAS
2026-Abril-24
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  Ele tem uma tetratologia de romances sobre a guerra civil espanhola bem interessante, há o personagem Ignacio que é uma espécie de "alter-ego" desse autor, em muitas coisas a biografia do autor combina com a do personagem e também há bastante mais atenção interiormente a esse Ignacio do que para os outros personagens.
    Os dois primeiros livros dessa tetratologia (sobretudo o primeiro) são considerados pela maioria dos críticos como bastante imparciais sobre a guerra civil espanhola e como tentando entender a todos, já no terceiro e no quarto sobre o pós-guerra, isso se perdeu consideravelmente, mas no caso dos dois primeiros dá para ver como um autor de romances de direita e considerado por alguns de extrema-direita consegue ser mais imparcial do que a maioria dos romancistas de esquerda ou de centro-esquerda, mesmo deixando de lados avacalhados como o Jorge Amado da sua primeira fase.
     Esse autor considerando também a evolução do seu auter-ego Ignacio, primeiro na sua adolescência teve vagas simpatias de centro-esquerda sobretudo baseadas (isso foi mostrado no livro) em dois professores ligados ao PSOE (partido socialista da Espanha ligado à Internacional Socialista) simpaticissimos, super legais mesmo e que falavam das coisas de centro-esquerda de um modo bastante sedutor  mas depois o radicalismo e os insultos da maioria do pessoal de esquerda e inclusive crimes cruéis deles até mesmo antes da guerra, o afastaram disso e ele começou a ficar mais de direita assim como a sua mãe e irmã sempre foram e seu pai que antes era dd centro-esquerda também começou a se inclinar mais para a direita, até o irmão dele (no caso do autor deve ter sido um amigo, já que ambos personagem alter-ego e autor ficaram um tempo num seminário mais depois não se adaptaram lá) padre, um cara super bom e caridoso estilo os lados bons ou o imaginário sobre o Chico Xavier mas sendo totalmente assim e católico foi assassinado só por ser católico, no livro também se mostra coisas também como no Brasil nos últimos anos,já anos antes da radicalização real da população de direita, os esquerdistas xingando todo mundo de fascista e de nazista como no Brasil nos anos PT (e o mais irónico é que naquela época os próprios nazistas ainda não tinham feito quase nada dos seus crimes, enquanto os comunistas já tinham feito uma enorme proporção dos seus).
         Depois na guerra civil espanhola, ele caiu na parte sob controle "republicano" (na verdade seria melhor chamar de "frente-populista" já que desde o começo da guerra os partidos de direita quando não-nacionalistas-periféricos foram proibidos nessas regiões, isso sem falar que outras coisas estranhas e discriminatórias contra eles, mesmo antes). Ele morava na Catalunha havia anos (no caso do personagem alter-ego havia anos desde os 9 anos e ele tinha 19 anos no começo da guerra civil espanhola, no caso do autor mesmo, ele nasceu lá) aí, ele fez uma maluquice de primeiro fugir para a França e depois entrar pelo lado nacional-franquista e lutar nesse lado (isso tanto o Ignacio quando o José Maria Gironella mesmo). Isso me pareceu imprudente em relação aos pais e irmã dele que ficaram para trás, já tinha acontecido o assassinato do irmão padre dele, e se assassinassem e/ou torturassem os pais e a irmã dele em represália por ele ter desertado e ainda indo fazer parte do outro lado? Mas isso não chegou a acontecer, só o aumento de algumas discriminações mas sem chegar a tanto, mas poderia ter acontecido, né? Achei meio imprudente e sem consideração para com esses familiares. 
           Depois no 3º livro, é preciso admitir que o autor se deixou levar um pouco, sobretudo na primeira metade do livro, em que ele chutou o pau da barraca, chutou o balde, coringou e deixou mostrar e lembrar publicamente os seus estados de espírito vingativos daquela época, sobretudo e inclusive no Ignacio, visivelmente o seu personagem alter-ego em que ele ficava feliz com as repressões do pós-guerra contra os esquerdistas, na primeira metade do 3º libro, ele estava assim, depois  na segunda metade do terceiro livro, é que mostra ele caindo na real e parando de maluquices. No entanto eu devo admitir que eu também tenho um pouco desse veneno, eu entendi e até compartilhei um pouco intimamente das maluquices mas eu posso entender que pessoas mais à esquerda tenham ficado magoadas com essa parte, e de fato eu vi comentários de pessoas que tinham gostado dos 2 primeiros livros mas não do terceiro e que tinham gostado do Ignacio nos 2 primeiros livros e depois pararam de gostar. Agora comigo não foi assim, esse e o volume 4 foram os que mais gostei, parecia tudo tão tranquilo e feliz em comparação com os outros dois primeiros, sobretudo o segundo que fala da guerra civil mesmo! Não tinha mais nenhum extremista de esquerda enchendo o saco, tudo tranquilo e feliz....
         Tem para baixar em pdf gratuitamente em espanhol, sobretudo no site lectulandia. Eu soube que o primeiro volume chegou a ser traduzido em português, mas esse eu não encontrei.
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