Religião é Veneno
História: A Revolução Iraniana de 1979 e o Papel da França: Um Capítulo Pouco Comentado da História
Autor: Percival | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Visualizações: 24 Comentários: 2
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Percival
2026-Março-5
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Muitas pessoas enxergam a Revolução Iraniana de 1979 apenas como um levante religioso que derrubou o xá do Irã. No entanto, existe um capítulo pouco conhecido dessa história que ocorreu fora do Oriente Médio — na Europa, especialmente na França.
Foi em território francês que o aiatolá Ruhollah Khomeini organizou parte fundamental da ofensiva política que levaria à queda do xá Mohammad Reza Pahlavi.
O exílio que mudou a história
Depois de anos exilado no Iraque, Khomeini acabou sendo expulso do país em 1978, devido à pressão do governo iraniano. Sem poder permanecer ali, ele seguiu para a França.
Khomeini se instalou em uma pequena localidade próxima de Paris chamada Neauphle-le-Château.
Ali ocorreu algo decisivo para o desfecho da revolução.
No Iraque, Khomeini era constantemente vigiado e tinha pouca liberdade para se comunicar. Já na França ele passou a ter algo que nunca tivera antes: liberdade para falar, gravar mensagens, receber jornalistas e organizar reuniões políticas.
Em poucas semanas, a casa simples onde ele vivia se transformou em um centro político internacional.
Jornalistas do mundo inteiro passaram a visitar o local diariamente. Televisões, rádios e jornais buscavam entrevistas e declarações. Dessa forma, Khomeini se transformou rapidamente em uma figura conhecida globalmente.
As “fitas cassete”: a rede social da época
Durante esse período na França, Khomeini gravava discursos que eram distribuídos ao povo iraniano.
Esses discursos eram gravados em fitas cassete, que eram levadas clandestinamente ao Irã. Lá, eram copiadas e distribuídas amplamente.
Essas gravações eram reproduzidas:
  • em mesquitas
  • em universidades
  • em reuniões políticas
  • em manifestações
De certa forma, esse sistema funcionava como uma espécie de rede social da época, permitindo que Khomeini falasse diretamente ao povo iraniano mesmo estando no exterior.
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Percival
2026-Março-5
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O papel da esquerda iraniana
Um aspecto frequentemente ignorado é que parte da esquerda iraniana teve participação ativa na queda do xá.
Entre os grupos envolvidos estavam:
  • estudantes universitários
  • organizações marxistas
  • movimentos nacionalistas
  • militantes políticos
Esses grupos organizaram greves massivas e grandes manifestações, que acabaram paralisando a economia e enfraquecendo o governo do xá.
Muitos desses militantes acreditavam que Khomeini seria apenas um símbolo religioso dentro de uma revolução mais ampla, que acabaria criando um novo sistema político anti-imperialista e anti-monárquico.
Na visão deles, o movimento poderia gerar algo diferente tanto do capitalismo quanto do marxismo tradicional.
O entusiasmo de parte da intelectualidade europeia
Na mesma época, alguns intelectuais europeus também demonstraram interesse ou simpatia pelo movimento revolucionário iraniano.
Um dos casos mais famosos foi o filósofo francês Michel Foucault, que chegou a viajar ao Irã durante os protestos.
Foucault escreveu reportagens e análises nas quais descreveu o movimento como uma possível “nova espiritualidade política”, algo que poderia representar um novo tipo de revolução popular.
Para muitos intelectuais europeus da época, aquilo parecia ser um fenômeno político inédito.
A queda do xá
Enquanto isso, dentro do Irã, o regime do xá estava se desintegrando.
O país enfrentava:
  • protestos massivos
  • greves que paralisavam setores econômicos
  • forte pressão política interna e internacional
Em janeiro de 1979, tentando evitar uma guerra civil e mais derramamento de sangue, o xá deixou o país.
O Irã ficou sem liderança política clara.
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Percival
2026-Março-5
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O retorno de Khomeini
Com o caminho aberto, Khomeini retornou ao Irã em 1º de fevereiro de 1979.
Ele embarcou em um avião da Air France que saiu de Paris rumo a Teerã.
O voo se tornou um dos mais famosos da história política do século XX, pois dezenas de jornalistas internacionais estavam a bordo, acompanhando o retorno do líder religioso.
Quando o avião pousou em Teerã, milhões de pessoas estavam nas ruas para recebê-lo.
Era o triunfo da revolução.
A criação da República Islâmica
Nos meses seguintes, Khomeini começou a reorganizar o Estado iraniano.
O princípio central do novo sistema foi a criação de um modelo político no qual a autoridade religiosa ficaria acima da autoridade política.
Assim nasceu a República Islâmica do Irã, baseada no conceito de liderança religiosa do clero xiita.
Gradualmente, muitos dos antigos aliados da revolução começaram a perder espaço.
Ao longo do tempo:
  • jornais foram fechados
  • partidos marxistas foram proibidos
  • opositores foram perseguidos
  • muitos militantes foram presos, exilados ou mortos
A coalizão revolucionária original acabou dando lugar a uma teocracia controlada pelo clero xiita.
Um episódio que ainda gera debate
A Revolução Iraniana continua sendo um dos eventos mais debatidos da política internacional contemporânea.
Ela envolveu uma combinação complexa de fatores:
  • crise interna do regime do xá
  • mobilização popular
  • atuação de grupos políticos diversos
  • influência de intelectuais e da mídia internacional
  • e a liderança religiosa de Khomeini
O resultado final foi a formação de um sistema político único: um Estado teocrático moderno que ainda hoje influencia profundamente a geopolítica do Oriente Médio.
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