Muitas pessoas enxergam a Revolução Iraniana de 1979 apenas como um levante religioso que derrubou o xá do Irã. No entanto, existe um capítulo pouco conhecido dessa história que ocorreu fora do Oriente Médio —
na Europa, especialmente na França.
Foi em território francês que o aiatolá
Ruhollah Khomeini organizou parte fundamental da ofensiva política que levaria à queda do xá
Mohammad Reza Pahlavi.
O exílio que mudou a história
Depois de anos exilado no Iraque, Khomeini acabou sendo expulso do país em 1978, devido à pressão do governo iraniano. Sem poder permanecer ali, ele seguiu para a França.
Khomeini se instalou em uma pequena localidade próxima de Paris chamada
Neauphle-le-Château.
Ali ocorreu algo decisivo para o desfecho da revolução.
No Iraque, Khomeini era constantemente vigiado e tinha pouca liberdade para se comunicar. Já na França ele passou a ter algo que nunca tivera antes:
liberdade para falar, gravar mensagens, receber jornalistas e organizar reuniões políticas.
Em poucas semanas, a casa simples onde ele vivia se transformou em um
centro político internacional.
Jornalistas do mundo inteiro passaram a visitar o local diariamente. Televisões, rádios e jornais buscavam entrevistas e declarações. Dessa forma, Khomeini se transformou rapidamente em uma figura conhecida globalmente.
As “fitas cassete”: a rede social da época
Durante esse período na França, Khomeini gravava discursos que eram distribuídos ao povo iraniano.
Esses discursos eram gravados em
fitas cassete, que eram levadas clandestinamente ao Irã. Lá, eram copiadas e distribuídas amplamente.
Essas gravações eram reproduzidas:
- em mesquitas
- em universidades
- em reuniões políticas
- em manifestações
De certa forma, esse sistema funcionava como
uma espécie de rede social da época, permitindo que Khomeini falasse diretamente ao povo iraniano mesmo estando no exterior.