Religião é Veneno
História: A Revolução Iraniana de 1979 e o Papel da França: Um Capítulo Pouco Comentado da História
Autor: Percival | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Visualizações: 1258 Comentários: 6
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Percival
2026-Março-5
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Muitas pessoas enxergam a Revolução Iraniana de 1979 apenas como um levante religioso que derrubou o xá do Irã. No entanto, existe um capítulo pouco conhecido dessa história que ocorreu fora do Oriente Médio — na Europa, especialmente na França.
Foi em território francês que o aiatolá Ruhollah Khomeini organizou parte fundamental da ofensiva política que levaria à queda do xá Mohammad Reza Pahlavi.
O exílio que mudou a história
Depois de anos exilado no Iraque, Khomeini acabou sendo expulso do país em 1978, devido à pressão do governo iraniano. Sem poder permanecer ali, ele seguiu para a França.
Khomeini se instalou em uma pequena localidade próxima de Paris chamada Neauphle-le-Château.
Ali ocorreu algo decisivo para o desfecho da revolução.
No Iraque, Khomeini era constantemente vigiado e tinha pouca liberdade para se comunicar. Já na França ele passou a ter algo que nunca tivera antes: liberdade para falar, gravar mensagens, receber jornalistas e organizar reuniões políticas.
Em poucas semanas, a casa simples onde ele vivia se transformou em um centro político internacional.
Jornalistas do mundo inteiro passaram a visitar o local diariamente. Televisões, rádios e jornais buscavam entrevistas e declarações. Dessa forma, Khomeini se transformou rapidamente em uma figura conhecida globalmente.
As “fitas cassete”: a rede social da época
Durante esse período na França, Khomeini gravava discursos que eram distribuídos ao povo iraniano.
Esses discursos eram gravados em fitas cassete, que eram levadas clandestinamente ao Irã. Lá, eram copiadas e distribuídas amplamente.
Essas gravações eram reproduzidas:
  • em mesquitas
  • em universidades
  • em reuniões políticas
  • em manifestações
De certa forma, esse sistema funcionava como uma espécie de rede social da época, permitindo que Khomeini falasse diretamente ao povo iraniano mesmo estando no exterior.
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Percival
2026-Março-5
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O papel da esquerda iraniana
Um aspecto frequentemente ignorado é que parte da esquerda iraniana teve participação ativa na queda do xá.
Entre os grupos envolvidos estavam:
  • estudantes universitários
  • organizações marxistas
  • movimentos nacionalistas
  • militantes políticos
Esses grupos organizaram greves massivas e grandes manifestações, que acabaram paralisando a economia e enfraquecendo o governo do xá.
Muitos desses militantes acreditavam que Khomeini seria apenas um símbolo religioso dentro de uma revolução mais ampla, que acabaria criando um novo sistema político anti-imperialista e anti-monárquico.
Na visão deles, o movimento poderia gerar algo diferente tanto do capitalismo quanto do marxismo tradicional.
O entusiasmo de parte da intelectualidade europeia
Na mesma época, alguns intelectuais europeus também demonstraram interesse ou simpatia pelo movimento revolucionário iraniano.
Um dos casos mais famosos foi o filósofo francês Michel Foucault, que chegou a viajar ao Irã durante os protestos.
Foucault escreveu reportagens e análises nas quais descreveu o movimento como uma possível “nova espiritualidade política”, algo que poderia representar um novo tipo de revolução popular.
Para muitos intelectuais europeus da época, aquilo parecia ser um fenômeno político inédito.
A queda do xá
Enquanto isso, dentro do Irã, o regime do xá estava se desintegrando.
O país enfrentava:
  • protestos massivos
  • greves que paralisavam setores econômicos
  • forte pressão política interna e internacional
Em janeiro de 1979, tentando evitar uma guerra civil e mais derramamento de sangue, o xá deixou o país.
O Irã ficou sem liderança política clara.
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Percival
2026-Março-5
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O retorno de Khomeini
Com o caminho aberto, Khomeini retornou ao Irã em 1º de fevereiro de 1979.
Ele embarcou em um avião da Air France que saiu de Paris rumo a Teerã.
O voo se tornou um dos mais famosos da história política do século XX, pois dezenas de jornalistas internacionais estavam a bordo, acompanhando o retorno do líder religioso.
Quando o avião pousou em Teerã, milhões de pessoas estavam nas ruas para recebê-lo.
Era o triunfo da revolução.
A criação da República Islâmica
Nos meses seguintes, Khomeini começou a reorganizar o Estado iraniano.
O princípio central do novo sistema foi a criação de um modelo político no qual a autoridade religiosa ficaria acima da autoridade política.
Assim nasceu a República Islâmica do Irã, baseada no conceito de liderança religiosa do clero xiita.
Gradualmente, muitos dos antigos aliados da revolução começaram a perder espaço.
Ao longo do tempo:
  • jornais foram fechados
  • partidos marxistas foram proibidos
  • opositores foram perseguidos
  • muitos militantes foram presos, exilados ou mortos
A coalizão revolucionária original acabou dando lugar a uma teocracia controlada pelo clero xiita.
Um episódio que ainda gera debate
A Revolução Iraniana continua sendo um dos eventos mais debatidos da política internacional contemporânea.
Ela envolveu uma combinação complexa de fatores:
  • crise interna do regime do xá
  • mobilização popular
  • atuação de grupos políticos diversos
  • influência de intelectuais e da mídia internacional
  • e a liderança religiosa de Khomeini
O resultado final foi a formação de um sistema político único: um Estado teocrático moderno que ainda hoje influencia profundamente a geopolítica do Oriente Médio.
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Fernando_Silva
2026-Março-6
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Percival

Muitos desses militantes acreditavam que Khomeini seria apenas um símbolo religioso dentro de uma revolução mais ampla, que acabaria criando um novo sistema político anti-imperialista e anti-monárquico.
Na visão deles, o movimento poderia gerar algo diferente tanto do capitalismo quanto do marxismo tradicional.
O entusiasmo de parte da intelectualidade europeia
Acharam que seria "apenas".
Não foi.
Quando abriram os olhos, já era tarde.
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Acauan
2026-Março-8
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Fernando_Silva

Percival

Muitos desses militantes acreditavam que Khomeini seria apenas um símbolo religioso dentro de uma revolução mais ampla, que acabaria criando um novo sistema político anti-imperialista e anti-monárquico.
Na visão deles, o movimento poderia gerar algo diferente tanto do capitalismo quanto do marxismo tradicional.
O entusiasmo de parte da intelectualidade europeia
Acharam que seria "apenas".
Não foi.
Quando abriram os olhos, já era tarde.

Impressionante como a chamada Inteligência Esquerdista é burra.
Da Revolução Francesa à Revolução Cultural de Mao, repete-se o mito de Saturno, com a revolução devorando seus filhos.

E quando falo de Inteligência Esquerdista não me refiro aos babaquaras da Esquerda de hoje, a quem se derem um sorvete, melarão a testa.
Falo de quando a Esquerda reunia uma verdadeira casta intelectual, que estudava e entendia os fatores históricos que determinavam os rumos da política.
Lênin, Trotski, Bukharin, Lunatcharski e - nunca o subestimem - Stalin eram intelectuais de verdade, dotados de raciocínio estratégico fortemente embasado no domínio das culturas que pretendiam conquistar e mudar.

E quase todos dessa intelectualidade entraram na fila para serem passados pelo fio da espada de Stalin, absolutamente surpresos em como o Camarada Koba pode fazer isso com eles.

Por mais burros que tenham sido os revolucionários bolcheviques, que só perceberam o monstro que criaram quando entregues ao carrasco, esses pelo menos tem a desculpa de estarem lidando com Stalin, o melhor de todos no quesito enganar e matar pelo poder total.

Já os babaquaras do Irã extrapolaram o direito de serem idiotas.
Quem na época poderia olhar para a carranca do Khomeini e acreditar que aquele cara depois de chegar ao poder seria moderado e conciliador?
Khomeini nunca escondeu seu objetivo de devolver o Irã ao século X e restabelecer a supremacia do Islã, ao modo que os supremacistas do Islã faziam no século X - spoiler, eles não eram bonzinhos.

E deu no que deu...
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Volpiceli
2026-Março-13
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Acauan

Fernando_Silva

Percival

Muitos desses militantes acreditavam que Khomeini seria apenas um símbolo religioso dentro de uma revolução mais ampla, que acabaria criando um novo sistema político anti-imperialista e anti-monárquico.
Na visão deles, o movimento poderia gerar algo diferente tanto do capitalismo quanto do marxismo tradicional.
O entusiasmo de parte da intelectualidade europeia
Acharam que seria "apenas".
Não foi.
Quando abriram os olhos, já era tarde.


Lênin, Trotski, Bukharin, Lunatcharski e - nunca o subestimem - Stalin eram intelectuais de verdade, dotados de raciocínio estratégico fortemente embasado no domínio das culturas que pretendiam conquistar e mudar.

E quase todos dessa intelectualidade entraram na fila para serem passados pelo fio da espada de Stalin, absolutamente surpresos em como o Camarada Koba pode fazer isso com eles.

Por mais burros que tenham sido os revolucionários bolcheviques, que só perceberam o monstro que criaram quando entregues ao carrasco, esses pelo menos tem a desculpa de estarem lidando com Stalin, o melhor de todos no quesito enganar e matar pelo poder total.



Para piorar a situação o próprio Lênin tinha escrito uma carta alertando que Stalin era brutal demais e deveria ser impedido de assumir o poder. Não deram atenção ao aviso.
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Acauan
2026-Março-13
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Volpiceli

Para piorar a situação o próprio Lênin tinha escrito uma carta alertando que Stalin era brutal demais e deveria ser impedido de assumir o poder. Não deram atenção ao aviso.

Lênin não tinha nada contra a brutalidade em si, da qual ele foi o primeiro a fazer uso ilimitado para assegurar o poder total dos Bolcheviques.
Talvez ele temesse que a brutalidade de Stalin se voltasse contra a liderança revolucionaria, como ocorreu ou que a extrema habilidade de Stalin em controlar a burocracia do partido terminasse por reduzir o partido a porta voz das ordens de Stalin, como ocorreu também..

E pode ser que Lênin, debilitado pela doença, já estivesse gagá e não falando coisa com coisa.
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