De joia industrial a ruína: cidade revela a decadência da Venezuela ao longo de 27 anos de chavismoCumaná já foi um polo econômico, produzindo Toyota Land Cruisers e exportando alimentos para toda a América do Sul; agora, está à beira do desastre com o colapso dos serviços públicos
Por Simon Romero , Em The New York Times — Cumaná, Venezuela 15/06/2026[...]
Os edifícios vandalizados da Universidade do Oriente, outrora um dos mais importantes centros de pesquisa marinha da América Latina, em Cumaná, Venezuela — Foto: Adriana Loureiro Fernandez/The New York TimesQuando Hugo Chávez chegou ao poder há 27 anos, Cumaná figurava entre outros polos industriais como Ciudad Guayana e Valência, ajudando a tornar a Venezuela uma potência regional. Era um epicentro da indústria pesqueira e de conservas para toda a bacia do Caribe, processando uma quantidade impressionante de atum e sardinha consumidos em toda a América do Sul.
Os estaleiros que construíam embarcações de pesca comercial prosperavam. O principal motivo de orgulho da cidade era uma fábrica da Toyota que produzia Land Cruisers, os lendários veículos com tração nas quatro rodas que se tornaram um ícone na Venezuela.
Então Chávez embarcou em uma onda de estatizações de empresas privadas, um pilar fundamental em seu plano de construir uma economia socialista sob seu controle. Cumaná e o estado vizinho de Sucre, um bastião chavista, tornaram-se um laboratório para esses esforços.
As expropriações, inicialmente destinadas a garantir a segurança alimentar interna, privaram a indústria de conservas de Cumaná de capital privado. O colapso da produção em outras empresas estatais em outras partes da Venezuela privou as fábricas de conservas do que elas mais precisavam: latas de metal.
Muitas fábricas de conservas agora operam com dificuldades, estão temporariamente fechadas ou completamente abandonadas, como uma no bairro de Caigüire, contribuindo para a paisagem de ruínas de Cumaná.
A fábrica de montagem da Toyota, paralisada repetidamente por greves apoiadas pelo governo e impasses sindicais, reduziu suas operações em fases. A espiral da economia rumo à hiperinflação, há uma década, finalmente a forçou a fechar, juntamente com todo o seu ecossistema de fornecedores locais.
Com seu setor manufatureiro devastado, Cumaná agora depende, como grande parte do país, do governo da Venezuela para suas necessidades básicas. Este novo capítulo não está indo bem.
Um deslizamento de rochas em fevereiro, dentro de um túnel no reservatório que abastece Cumaná, provocou um colapso em todo o sistema. Incapazes de resolver o problema, as autoridades ordenaram um severo programa de racionamento com o objetivo de preservar a água que pudesse ser transportada por caminhão.
Cenas de caos agora acompanham a chegada desses caminhões, com moradores implorando, às vezes gritando, para que lhes seja permitido encher galões de plástico. Soldados empunhando fuzis semiautomáticos estão de prontidão para evitar confrontos.
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