Eu tô achando que é uma baita sacanagem o que estão fazendo com a pesquisadora
Tatiana Sampaio. Vou explicar o contexto pra vocês.
A Tatiana Sampaio é professora associada da UFRJ. Ela chefia o Laboratório de Biologia de Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e coordena o projeto da polilaminina, que se tornou o principal nome ligado ao avanço dessa substância aqui no Brasil.
Em janeiro, a Anvisa autorizou o início do primeiro estudo clínico, fase 1, com a polilaminina. O objetivo inicial agora é avaliar a segurança do produto. Foram escolhidos alguns pacientes adultos com lesão aguda completa da medula espinhal torácica — um grupo bem específico para esse primeiro teste.
A polilaminina é extraída da placenta humana, passa por um processo de polimerização e, durante um procedimento cirúrgico, é aplicada diretamente sobre a área lesionada. Não é comprimido. Não é injeção simples. É aplicação cirúrgica direta na lesão.
O mecanismo completo de funcionamento ainda não está plenamente esclarecido. Mas já houve casos de pessoas voltando a andar. Isso causou furor nas redes sociais.
Ela foi convidada para entrevista no programa Roda Viva. E um corte da entrevista viralizou. Nesse trecho, ela levanta uma hipótese:
“Vamos supor que 30 pessoas recebam a substância e todas voltem a andar. Você teria coragem de fazer um estudo clínico controlado?”
E o que significa estudo clínico controlado?
Significa dividir grupos:
- Um grupo recebe o tratamento real.
- Outro grupo recebe placebo.
- Em alguns casos, até cirurgia simulada.
Ela trouxe uma hipótese. Mas muita gente fingiu que não entendeu.
Ela está falando de um dilema moral:
Se 30 pessoas paraplégicas voltam a andar, você teria coragem de fazer cirurgia placebo em outro grupo sabendo disso?
Ela disse: “Eu não teria.”
Isso não é negar o método científico. Isso é expressar um conflito humano.
Agora vamos entender o método.