Religião é Veneno
CIÊNCIA BOSTILHEIRA - A POLILAMININA SÓ NÃO CURA MÁ VONTADE.
Autor: Percival | Categoria: Evolução, Ciência e Saúde | Visualizações: 51 Comentários: 5
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Percival
2026-Fevereiro-26
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Eu tô achando que é uma baita sacanagem o que estão fazendo com a pesquisadora Tatiana Sampaio. Vou explicar o contexto pra vocês.
A Tatiana Sampaio é professora associada da UFRJ. Ela chefia o Laboratório de Biologia de Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e coordena o projeto da polilaminina, que se tornou o principal nome ligado ao avanço dessa substância aqui no Brasil.
Em janeiro, a Anvisa autorizou o início do primeiro estudo clínico, fase 1, com a polilaminina. O objetivo inicial agora é avaliar a segurança do produto. Foram escolhidos alguns pacientes adultos com lesão aguda completa da medula espinhal torácica — um grupo bem específico para esse primeiro teste.
A polilaminina é extraída da placenta humana, passa por um processo de polimerização e, durante um procedimento cirúrgico, é aplicada diretamente sobre a área lesionada. Não é comprimido. Não é injeção simples. É aplicação cirúrgica direta na lesão.
O mecanismo completo de funcionamento ainda não está plenamente esclarecido. Mas já houve casos de pessoas voltando a andar. Isso causou furor nas redes sociais.
Ela foi convidada para entrevista no programa Roda Viva. E um corte da entrevista viralizou. Nesse trecho, ela levanta uma hipótese:
“Vamos supor que 30 pessoas recebam a substância e todas voltem a andar. Você teria coragem de fazer um estudo clínico controlado?”
E o que significa estudo clínico controlado?
Significa dividir grupos:
  • Um grupo recebe o tratamento real.
  • Outro grupo recebe placebo.
  • Em alguns casos, até cirurgia simulada.
Ela trouxe uma hipótese. Mas muita gente fingiu que não entendeu.
Ela está falando de um dilema moral:
Se 30 pessoas paraplégicas voltam a andar, você teria coragem de fazer cirurgia placebo em outro grupo sabendo disso?
Ela disse: “Eu não teria.”
Isso não é negar o método científico. Isso é expressar um conflito humano.
Agora vamos entender o método.
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Percival
2026-Fevereiro-26
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Como funciona o processo científico
Quando se descobre uma nova substância, ninguém sai aplicando em todo mundo.
Existe um caminho obrigatório:
Fase 1 – Pré-clínica
Testes em células e animais.
Avalia:
  • Toxicidade
  • Segurança
  • Dose inicial
    Se falhar, morre aqui.
Fase 2 – Segurança em humanos
Entre 20 e 80 voluntários.
Objetivo:
  • Avaliar segurança
  • Determinar dose
  • Ver efeitos colaterais
    Ainda não é prova de cura.
Se falhar, para aqui.
Fase 3 – Teste de eficácia
100 a 300+ pessoas.
Aqui entram:
  • Grupo tratamento
  • Grupo placebo
  • Randomização
  • Controle estatístico
Por quê?
Porque expectativa melhora paciente.
Porque existe efeito placebo.
Porque pode haver erro estatístico.
Porque pode haver viés.
Se falhar, para.
Fase 4 – Confirmação em larga escala
Milhares de pessoas.
Múltiplos centros de pesquisa.
Duplo-cego:
  • Médico não sabe quem recebe o quê.
  • Paciente não sabe quem recebe o quê.
Aqui se confirma de verdade.
Fase 5 – Aprovação pública
Uso ampliado + monitoramento contínuo.
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Percival
2026-Fevereiro-26
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O que ela realmente disse
Ela está na fase inicial.
Ela levantou uma hipótese:
Se 30 pessoas voltarem a andar, você teria coragem de negar isso a alguém só para manter grupo placebo?
Ela não disse que vai ignorar o método.
Ela disse que, pessoalmente, não teria coragem de aplicar placebo nesse cenário.
Isso é humanidade.

E o método prevê isso?
Sim.
Existe algo chamado interrupção antecipada por benefício claro.
Se os resultados forem extraordinários e robustos, o estudo pode:
  • Ser interrompido antes
  • Ser adaptado
  • Ser acelerado
  • Bifurcado
O método não é burro.
Ele prevê situações excepcionais.

Declaração de Helsinki
Desde 1964, a ética médica internacional evolui para lidar com dilemas como esse.
O placebo é proibido quando:
  • Já existe tratamento eficaz comprovado.
  • Negar o tratamento coloca o paciente em risco grave.
O placebo é permitido quando:
  • Não existe tratamento eficaz.
  • Não há risco grave imediato.
  • O estudo é eticamente estruturado.
A ética médica não ignora sofrimento humano.

O ponto central
O dilema moral dela é real.
O médico pensa:
“Eu tenho alguém aqui na minha frente.”
A ciência pensa:
“Eu tenho milhões de pessoas no futuro.”
O maior ato de humanidade na ciência, às vezes, é suportar um desconforto moral temporário para garantir que a esperança não vire ilusão.
Mas também é antiético negar benefício claro quando ele é robusto e evidente.
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Percival
2026-Fevereiro-26
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O erro dos “especialistas de internet”
Estão chamando a pesquisadora de farsante, charlatã.
Mas ela:
  • Não negou o método.
  • Não disse que vai burlar fases.
  • Não declarou cura.
  • Falou de uma hipótese.
Ela expressou um conflito humano.
E ironicamente, quem vive defendendo o “método científico” parece desconhecer que o próprio método prevê exceções éticas.

Resumo
  • Placebo é proibido quando você retira algo que já salva vidas.
  • Placebo é permitido quando não há tratamento comprovado.
  • Se surgir benefício extraordinário, o próprio sistema prevê adaptação.
Humanidade e método precisam caminhar juntos.
O que eu não tenho paciência é com gente que não entende nem humanidade nem o próprio método científico e quer posar de autoridade moral nas redes sociais.
A discussão é séria.
A pesquisa é séria.
O dilema é real.
E transformar isso em linchamento digital é, no mínimo, desonesto.
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Acauan
2026-Fevereiro-26
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Assisti o vídeo do Laudelino e a entrevista do Roda Vida.
Algumas conclusões:

- Jornalistas brasileiros nunca decepcionam quando se espera abobrinhas vindas deles;
- A começar do Bobinho que achou que pentelhar a pesquisardora por conta dela representar a moléculo de polilaminina em formato de cruz era mais relevante que discutir as implicações de uma potencial cura da paraplegia; 
- No elenco de entrevistadores tinha uma com credenciais científicas, mas que trabalha para o Instituto Drauzio Varella...;
- Os estudantes convidados eram um caso a parte, lembrando muito os universitários do Show do Milhão do Silvio Santos;

No geral, pareceu que os participantes estavam mais preocupados com a repercussão midiática da potencial cura e as expectativas decorrentes do que em entender o quanto estas expectativas são sustentáveis. Na turma do Show do Milhão teve quem se mostrasse incomodado com o fato de a pesquisadora ter se tornado uma celebridade.

Pode ser muito cedo para se concluir sobre a eficácia do tratamento, mas não há mal algum em trazer esperança àqueles que sonham com a cura, que pode estar próxima ou nem tanto, mas toda vez que a dra. Tatiana Sampaio aparece na mídia explicando seu trabalho, paraplégicos e tetraplégicos sentem que não estão sozinhos, que existem pessoas trabalhando por eles, que o melhor da nossa Ciência que já venceu a Peste, a poliemielite, a varíola, está empenhada para que voltem a andar.
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Percival
2026-Fevereiro-27
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Acauan



No geral, pareceu que os participantes estavam mais preocupados com a repercussão midiática da potencial cura e as expectativas decorrentes do que em entender o quanto estas expectativas são sustentáveis. Na turma do Show do Milhão teve quem se mostrasse incomodado com o fato de a pesquisadora ter se tornado uma celebridade.

Pode ser muito cedo para se concluir sobre a eficácia do tratamento, mas não há mal algum em trazer esperança àqueles que sonham com a cura, que pode estar próxima ou nem tanto, mas toda vez que a dra. Tatiana Sampaio aparece na mídia explicando seu trabalho, paraplégicos e tetraplégicos sentem que não estão sozinhos, que existem pessoas trabalhando por eles, que o melhor da nossa Ciência que já venceu a Peste, a poliemielite, a varíola, está empenhada para que voltem a andar.

Indio, alguns individuos do nosso país tem uma cultura misturada com mesquinhez e inveja: ninguém pode ser bem sucedido em nada. O crítico de sofá precisa tirar o merito da pessoa por algum motivo.


Infelizmente, ainda somos um país essencialmente esquerdista nesse ponto, a depreciação do mérito alheio e seu não reconhecimento é esporte  nacional. 

Ainda bem com a descentralização da comunicação nos permite enxergar essas coisas com mais clareza. 

Todos os que fazem ciência de verdade vivem numa via crucis de ter que lidar com isso. 

Ainda mais no bostil. 
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